Agência de Jornalismo Investigativo

No quarto episódio da série, Julian Assange entrevista Alaa Abd El-Fattah e Nabeel Rajab, lideranças importantes da Primavera Árabe no Egito e no Bahrein

24 de outubro de 2012

Em 17 de dezembro de 2010, Mohamed Bouazizi, um jovem tunisiano de 26 anos, ateou fogo ao próprio corpo. A auto-imolação, motivada pelo descontentamento com a situação geral das condições de vida no país, tornou-se símbolo de uma revolução que, posteriormente, se espalhou por outros 16 países do Oriente Médio, numa série de eventos a qual a História chamou de “Primavera Árabe”  – e que prossegue até hoje.

Argélia, Egito, Líbano, Palestina, Bahrein, Irã, Iraque, Kuwait, Líbia, Israel, Marrocos, Arábia Saudita, Síria, Iêmen e Emirados Árabes seguiram o exemplo da Tunísia e articularam suas próprias mobilizações.

Em meio às transformações no mundo árabe, dois nomes se destacam: Alaa Abd El-Fattah, blogueiro e ativista egípcio, e Nabeel Rajab, diretor do Centro de Direitos Humanos do Bahrein.

Assange conversou com os dois ativistas para saber se eles acreditam que as manifestações foram bem sucedidas e também para entender o que os motiva a continuar lutando na linha de frente, mesmo sob forte repressão.

Antes da entrevista, Alaa havia sido repetidamente detido sob acusações que dão inveja ao Super Homem: sabotagem e roubo de tanques, assassinatos, violência contra pelotões inteiros: “eu tinha uma boa reputação e moral na prisão. Sabe, quando as pessoas são presas por roubarem carros… Mas eu fui acusado de roubar tanques”, ironizou na conversa. Hoje ele continua impedido de viajar.

Rajab havia sido sequestrado, torturado e preso pela sua oposição ao governo do Bahrein, país no qual atua como diretor do Centro de Direitos Humanos, causa que defende desde a década de 90. Sobre a experiência de viver num país com uma revolução em curso, Nabeel acredita que o custo que se paga pela liberdade é alto, “mas queremos pagar por mudanças pelas quais lutamos”, diz. Um dia antes da entrevista, Rajab tuitou sobre ela na sua conta no Twitter; pouco depois, sua casa foi cercada por policiais armados e ele foi intimado a comparecer à Promotoria de Justiça para prestar esclarecimentos.

Assista a entrevista a seguir, ou clique aqui para baixar o texto na íntegra.

 

Republicadores da série O Mundo Amanhã:

Anonymous Brasil * Agora Sustentabilidade * Baixa Cultura * Blog Brasil Acadêmico * Coletivo Catarse * Coletivo Digital * Desculpe a Nossa Falha * Diário de S. Paulo * DVeras em rede * EBCEstadão Online * Estado de Minas * Felipe Cabral * Jornal Informação * Jornal Mercadão *Nota de Rodapé * Opera Mundi * Papo de Homem * Portal Administradores * Portal Desacato *Revista Babel * Revista Fórum * Revista Samuel * Revista Sina * TV Unochapecó * TVT *Yahoo Brasil

Você precisa ser um aliado para comentar.
Fechar
Fechar
Só aliados podem denunciar comentários.
Fechar

Explore também

Forças Armadas querem usar bloqueadores de celular contra drones “hostis” e terrorismo na Olimpíada

30 de junho de 2016 | por

Informação é resultado de levantamento feito pela Artigo 19 e Justiça Global; Secretaria de Segurança do Rio comprou 18 mil balas de borracha, 4.500 bombas de gás lacrimogêneo e 4.500 granadas de efeito moral para os Jogos

Índios Manoki lutam por território invadido por fazendas

21 de março de 2018 | por

Vivendo em uma área inadequada para o seu estilo de vida, os indígenas buscam a retomada do seu território tradicional

Porto Maravilha corre o risco de parar novamente em 2018

26 de fevereiro de 2018 | por

Prefeitura diz que serviços na região podem ser suspensos por falta de dinheiro;mais da metade dos empreendimentos não colabora financeiramente com a operação

Mais recentes

“Caveirão voador” é usado como plataforma de tiro, dizem moradores

18 de abril de 2019 | por

No Rio de Janeiro, instrução normativa do estado proíbe rajadas a partir de helicópteros da polícia, mas disparos aéreos com intervalos são permitidos; moradores relatam rasantes com tiros em direção às comunidades

Governo federal não sabe quantos conselhos foram extintos nem qual será a redução de custos

17 de abril de 2019 | por e

Celebrado por Bolsonaro como uma das medidas dos seus 100 dias de governo, nem governo nem ministérios sabem informar o impacto do decreto que acabou com os conselhos federais

Ministério dos Direitos Humanos nega 33 pedidos de anistia para cada solicitação aprovada

16 de abril de 2019 | por e

Presidida por ex-advogado de Bolsonaro, com histórico de ações contra reparações a presos políticos, Comissão de Anistia tem seis militares e apenas um representante de perseguidos pela ditadura