{"id":944,"date":"2017-12-04T11:41:25","date_gmt":"2017-12-04T13:41:25","guid":{"rendered":"https:\/\/apublica.org\/colecaoparticular.new\/index.php\/2017\/12\/04\/venderam-os-ceus-do-porto\/"},"modified":"2017-12-04T11:41:25","modified_gmt":"2017-12-04T13:41:25","slug":"venderam-os-ceus-do-porto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/apublica.org\/colecaoparticular\/2017\/12\/venderam-os-ceus-do-porto\/","title":{"rendered":"Venderam o c\u00e9u do porto"},"content":{"rendered":"<p>Trata-se de um roubo ainda invis\u00edvel, sorrateiro, e envolto em esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o. Os c\u00e9us do Porto Maravilha, se o projeto urban\u00edstico for para a frente, desaparecer\u00e3o quando pr\u00e9dios deformarem a vista de uma regi\u00e3o fundamental para a hist\u00f3ria do Rio de Janeiro e do Brasil.<\/p>\n<p>\u201cA conta deve ter sido feita ao contr\u00e1rio\u201d, diz, preocupado, o arquiteto Sergio Leusin sobre como o projeto do Porto Maravilha se tornou um espectro daquilo que se anunciava como revitaliza\u00e7\u00e3o da hist\u00f3rica regi\u00e3o portu\u00e1ria do Rio de Janeiro. Doutor em engenharia de produ\u00e7\u00e3o pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professor titular da Universidade Federal Fluminense (UFF), Leusin \u00e9 especialista em desenvolvimento de projetos. Contratado pela Cdurp em maio de 2010, ele come\u00e7ou a ficar apreensivo\u00a0com os poss\u00edveis resultados da nova legisla\u00e7\u00e3o para a regi\u00e3o, a Lei Complementar 101 de 2009, que visava, segundo o ent\u00e3o prefeito Eduardo Paes (PMDB), obter recursos da iniciativa privada utilizando-se de um instrumento previsto por lei, a Opera\u00e7\u00e3o Urbana Consorciada.<\/p>\n<p>\u201cO c\u00e1lculo sobre a \u00e1rea a ser constru\u00edda nas edifica\u00e7\u00f5es aparentemente teve como premissa de atingir o valor necess\u00e1rio \u00e0s obras de infraestrutura, tais como os tr\u00eas\u00a0t\u00faneis, a derrubada da Perimetral e saneamento\u201d, diz o arquiteto. \u201cAli\u00e1s, o saneamento acabou bem incompleto.\u201d<\/p>\n<p>Isso porque a\u00a0Cedurp e o Cons\u00f3rcio Porto Novo\u00a0(formado por Odebrecht, OAS e Carioca Engenharia) desenharam a engenharia financeira Porto Maravilha associando o potencial construtivo\u00a0\u00e0\u00a0despesa com infraestrutura, na sua opini\u00e3o. Assim, para cobrir as obras necess\u00e1rias, calculou-se quanto se tinha de vender em Certificados do Potencial Adicional de Constru\u00e7\u00e3o, os famosos Cepacs, t\u00edtulos usados para financiar opera\u00e7\u00f5es urbanas consorciadas. Trocando em mi\u00fados, os Cepacs s\u00e3o uma permiss\u00e3o para construir pr\u00e9dios mais altos que o padr\u00e3o.\u00a0Comandada pelo PMDB durante o governo de Dilma Rousseff (PT), o Fundo de Investimento do FGTS, da Caixa, adquiriu todos os Cepacs e deu a verba para os investimentos de infraestrutura, na esperan\u00e7a de revend\u00ea-los. A equa\u00e7\u00e3o financeira s\u00f3 ficou redonda quando os edif\u00edcios, nas proje\u00e7\u00f5es, come\u00e7aram a subir, a subir muito. \u201cOu seja, a preocupa\u00e7\u00e3o de se criar um ambiente urbano de qualidade ficou em segundo plano em rela\u00e7\u00e3o a uma vis\u00e3o economicista equivocada\u201d, afirma o arquiteto.<\/p>\n<p>Trata-se de uma \u00e1rea t\u00e3o importante historicamente que cabe a pergunta: a quem pertence o skyline do porto? Ao transeunte a passeio, a quem mora, a quem trabalha, a quem visita, a quem se aproxima de barco, avi\u00e3o, navio ou carro?<\/p>\n<p>A \u00e1rea portu\u00e1ria recebeu os primeiros anos do Brasil-Col\u00f4nia e abrigou a \u00fanica monarquia das Am\u00e9ricas \u2013 quando a corte portuguesa chegou ao Brasil em 1808, fugindo de Napole\u00e3o. A beleza do morro da Concei\u00e7\u00e3o \u2013 com sua fortaleza erguida em 1718, para que pudessem ser antevistas poss\u00edveis invas\u00f5es francesas, e sua igreja, S\u00e3o Francisco da Prainha, do s\u00e9culo 16 \u2013 desde sempre esteve \u00e0 vista de quem desembarcava no porto do Rio. Da ponte Rio-Niter\u00f3i, ainda se pode ver a costa da ba\u00eda de Guanabara, onde aportaram 700 mil africanos escravizados no Cais do Valongo, considerado pela Unesco Patrim\u00f4nio da Humanidade.<\/p>\n\n\t\t\t<div class=\"baImage mt-5 mb-5\">\n\t\t\t\t<div class=\"ba-slider\">\n\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/snapshot-cruzeiro-scaled.jpg?fit=2560%2C1920&ssl=1\" alt=\"\">       \n\t\t\t\t\t<div class=\"resize\">\n\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/blog-do-iba-mendes-fotos-antigas-do-rio-de-janeiro-xliv-2.jpg?fit=760%2C544&ssl=1\" alt=\"\">\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<span class=\"handle\"><\/span>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"caption\">Vista do antigo centro do Rio colonial, comparado com a \u00e1rea portu\u00e1ria depois que os pr\u00e9dios forem constru\u00eddos, segundo estudo do arquiteto Sergio Leusin <\/div>\t\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\n<h2>O pared\u00e3o<\/h2>\n<p>Sergio Leusin \u00e9 taxativo. Se constru\u00edrem todas as edifica\u00e7\u00f5es previstas em lei na Regi\u00e3o Portu\u00e1ria (Lei Complementar 103 de 2009), o skyline da cidade ser\u00e1 \u201cum s\u00edmbolo de um urbanismo de p\u00e9ssima qualidade, al\u00e9m de uma invas\u00e3o grotesca no c\u00e9u do Rio de Janeiro\u201d.<\/p>\n<p>Leusin traz exemplos \u2013 e desenhos \u2013 concretos. Ele fez um estudo de volumetria que mostra como ser\u00e1 o porto novo, de acordo com o projeto urban\u00edstico. Est\u00e1 previsto, por exemplo, um pared\u00e3o de pr\u00e9dios bem perto do mar na avenida Rodrigues Alves, inaugurada em 1910, quatro anos depois do governo e da reforma urban\u00edstica do prefeito Pereira Passos. Ao desenhar o pared\u00e3o, ele vai se transformando em um monstro assustador a interferir na paisagem.<\/p>\n<p>Ser\u00e3o ao todo 2.500 metros de concreto, se for levado em conta o comprimento. A altura dos edif\u00edcios na Rodrigues Alves vai variar entre 150 e 120 e 90 metros, sendo a maioria de 90. \u201cQuem chegar de navio ao porto n\u00e3o ver\u00e1 o Corcovado. O morro do Pinto tamb\u00e9m ficar\u00e1\u00a0coberto, assim como os morros de Santa Teresa e dos Prazeres. Do ponto de vista de quem est\u00e1 na ponte Rio-Niter\u00f3i ou chegando de avi\u00e3o pelo Aeroporto Santos Dumont, o maior pecado \u00e9 a perda da continuidade das montanhas\u201d, diz Leusin.<br \/>\nA agress\u00e3o ao skyline n\u00e3o se limita ao pared\u00e3o da Rodrigues Alves. Paralela\u00a0\u00e0 avenida, a Via Bin\u00e1rio ter\u00e1 700 metros de comprimento de concreto armado com pr\u00e9dios de 90 metros de altura. J\u00e1 o concreto cont\u00ednuo da avenida Venezuela ter\u00e1 500 metros, com pr\u00e9dios de 90 metros.<\/p>\n<p>Na avenida Francisco Bicalho, por sua vez, os pr\u00e9dios ter\u00e3o 150 metros. O arquiteto Fl\u00e1vio Ferreira \u2013 que fez proje\u00e7\u00f5es para o lugar em fun\u00e7\u00e3o do concurso p\u00fablico Porto Ol\u00edmpico \u2013 alerta que s\u00f3 na Francisco Bicalho podem ser instalados 6 mil apartamentos. \u201cO projeto do porto \u00e9 um horror. Derrubaram a perimetral, fizeram t\u00faneis. E, para pagar\u00a0essa infraestrutura, criaram as tais das Cepcs, que resultaram no aumento de gabaritos na regi\u00e3o. Isso n\u00e3o \u00e9 planejamento urbano. Essa ser\u00e1 a consequ\u00eancia de definir um ambiente urbano para pagar as interven\u00e7\u00f5es em infraestrutura\u201d, afirma Ferreira. \u201cChega a ser rid\u00edculo.\u201d<\/p>\n<p>Pesquisadora do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da UFRJ, Mariana Werneck disse que os pr\u00e9dios gigantes projetados para o porto tinham \u201cinfelizmente uma l\u00f3gica especulativa\u201d. Para ela, n\u00e3o houve uma contrapartida para a cidade. \u201cO investimento em habita\u00e7\u00e3o social s\u00f3 foi tentado quando houve uma condicionante para isso em um segundo aporte do Fundo de Garantia de Tempo de Servi\u00e7o, mas este aporte n\u00e3o aconteceu.\u201d Ela lembra que a maioria dos terrenos era da Uni\u00e3o e, portanto, p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Arquiteto, urbanista e ex-presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), Fernando Alencar, assim como Sergio Leusin, fez uma proje\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios que seriam permitidos pela legisla\u00e7\u00e3o para o Porto Maravilha. Ele se diz impressionado com o que chama de \u201cum desenvolvimento de planejamento inconveniente\u201d. Para ele, os pr\u00e9dios a serem constru\u00eddos no porto ter\u00e3o um espa\u00e7amento maior do que o imaginado por Leusin. Mesmo assim, o skyline ficaria igualmente comprometido. \u201cN\u00f3s simulamos em torno de 4,1 milh\u00f5es de metros quadrados de \u00e1rea potencialmente constru\u00edda, ou seja, novas constru\u00e7\u00f5es ou o que se pode acrescentar em edifica\u00e7\u00f5es existentes. Fizemos isso com pr\u00e9dios mais espa\u00e7ados. Mas n\u00e3o tem jeito: a vista dos morros do Rio de Janeiro \u00e9 altamente comprometida seja qual for a disposi\u00e7\u00e3o dos pr\u00e9dios.\u201d<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o do porto, afirma Alencar, deu pouco retorno \u00e0 cidade. \u201cPara pagar a conta da infraestrutura, como a derrubada da Perimetral e a constru\u00e7\u00e3o de tr\u00eas t\u00faneis, imaginaram 4,1 milh\u00f5es de metros quadrados em novas \u00e1reas constru\u00eddas. Isso foi elaborado sem um estudo de viabilidade que tivesse um m\u00ednimo de cientificidade.\u201d<\/p>\n<p>O arquiteto diz que o ocorrido no porto tem associa\u00e7\u00e3o direta com uma pr\u00e1tica recorrente. \u201cO Plano Diretor do Rio n\u00e3o \u00e9 seguido. A cidade, dessa forma, \u00e9 feita por lei ordin\u00e1rias ou complementares que descaracterizam o pr\u00f3prio plano diretor.\u201d No caso da Regi\u00e3o Portu\u00e1ria, a opera\u00e7\u00e3o interligada \u2013 possibilidade de compra de potencial construtivo (Cepacs) para um im\u00f3vel acima do regularmente previsto na Lei de Zoneamento \u2013 era um artif\u00edcio permitido pelo Plano Diretor. \u201cMas a forma como ela foi regulamentada \u00e9 que trouxe preju\u00edzo ao interesse p\u00fablico, j\u00e1 que a promessa de desenvolvimento da regi\u00e3o n\u00e3o aconteceu.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_468\" aria-describedby=\"caption-attachment-468\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-468 size-large\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular.new\/wp-content\/uploads\/site\/\/3\/porto-maravilha-scaled.jpg?resize=1024%2C683&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-468\" class=\"wp-caption-text\">O Porto Marvilha hoje, com apenas alguns espig\u00f5es. (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<h2>Fiasco anunciado<\/h2>\n<p>Verdade. Do total de \u00e1rea de constru\u00e7\u00e3o ofertada pelo Porto Maravilha, apenas 1,37% foi de fato edificado e ocupado, calculou Alencar. Isso depois de sete anos. Tr\u00eas milh\u00f5es e meio de metros quadrados deixaram de ser constru\u00eddos por falta de demanda. E o preju\u00edzo ficou com a Caixa Econ\u00f4mica Federal. O fracassado projeto \u00e9 ainda envolto em casos de corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O ex-deputado federal Eduardo Cunha, do PMDB fluminense, \u00e9 acusado por Paulo Cleto, ex-vice presidente da Caixa, de embolsar cerca de R$ 52 milh\u00f5es (1,5% do R$ 3,5 bilh\u00f5es) em propina, com o intuito de liberar o dinheiro do fundo de infraestrutura do FGTS da Caixa para o Porto Maravilha. Cunha, por sua vez, diz que o ministro Moreira Franco, um dos homens fortes de Michel Temer, era quem tinha poder sobre o FI-FGTS, o Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o.<\/p>\n<p>O fiasco financeiro trouxe um preju\u00edzo de R$ 5 bilh\u00f5es aos cofres p\u00fablicos, em dinheiro investido pela Caixa. E s\u00f3 teve algo positivo em rela\u00e7\u00e3o ao <em>skyline<\/em> do porto, que, por enquanto, n\u00e3o foi agredido.<br \/>\nMas a lei do porto ainda paira sobre a regi\u00e3o. Ou seja, o <em>skyline<\/em> ali ficar\u00e1 sempre sob risco.<\/p>\n<p>A advogada S\u00f4nia Rabello, ex-vereadora do PV e especialista em direito urban\u00edstico, diz que, no Plano Diretor, a paisagem da cidade \u00e9 um bem que deve ser preservado. Nele, est\u00e1 expresso que se condiciona a ocupa\u00e7\u00e3o urbana \u201c\u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos maci\u00e7os e morros, das florestas, da orla mar\u00edtima e dos corpos h\u00eddricos dos marcos referenciais da cidade, da paisagem, das \u00e1reas agr\u00edcolas e da identidade cultural dos bairros\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNesse sentido, ao romper com o <em>skyline<\/em> naquela regi\u00e3o, o planejamento do Porto Maravilha contradiz o Plano Diretor\u201d, diz. Para ela, a lei do Porto Maravilha deveria ser modificada pela C\u00e2mara dos Vereadores. \u201cHouve ali uma expectativa de venda dos Cepacs, mas ela ficou longe de ser preenchida. Isso pode facilitar a mudan\u00e7a da lei. Como a Caixa adquiriu todas as Cepacs e vendeu somente uma \u00ednfima parte delas, outros bairros da cidade podem ter novas constru\u00e7\u00f5es, para tentar diminuir o preju\u00edzo. Mas, para isso, a C\u00e2mara dos Vereadores ter\u00e1 de modificar a lei complementar do porto\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Morador da regi\u00e3o, o arquiteto Demetre Anastassakis tamb\u00e9m torce para uma mudan\u00e7a na lei. \u201cPara mim, o certo seria construir pr\u00e9dios pequenos e alguns de grande porte, mas bem distantes um dos outros, desde que o c\u00e9u do porto n\u00e3o fosse prejudicado.\u201d Demetre fez o projeto de um conjunto habitacional no porto, o Moradas da Sa\u00fade, onde ele mesmo vive. \u201cAqui tem muito potencial para uma classe m\u00e9dia baixa, ou seja, pessoas com sal\u00e1rios e rendas mais baixos. Como boa parte dos edif\u00edcios foi planejada para serem escrit\u00f3rios, teria de haver uma mudan\u00e7a de uso na lei, de com\u00e9rcio e servi\u00e7o para resid\u00eancias.\u201d<\/p>\n<p>O arquiteto e urbanista Fernando Alencar teme que o fracasso do projeto do Porto Maravilha impe\u00e7a que se fa\u00e7a um projeto para melhorar o ambiente urbano ali. Ele sonha com uma empreitada que volte a regi\u00e3o para o mar, com marinas p\u00fablicas e com um skyline respeitando a paisagem. \u201cPr\u00e9dios altos n\u00e3o devem ser proibidos na cidade, mas devem ser pensados os melhores locais para eles serem instalados. Nova York j\u00e1 ensinou que isso \u00e9 totalmente poss\u00edvel.\u201d<\/p>\n<p>Washington Fajardo, arquiteto, urbanista e um dos membros mais importantes do governo Eduardo Paes, discorda frontalmente. Para ele, todo o investimento no porto j\u00e1 trouxe benef\u00edcios para a cidade. \u201cO porto \u00e9 um contraponto \u00e0 possibilidade de crescimento da cidade na dire\u00e7\u00e3o da Barra da Tijuca, na zona oeste.\u201d Ele recorda que todo o arcabou\u00e7o da opera\u00e7\u00e3o Porto Maravilha foi elaborado no contexto de expans\u00e3o dos neg\u00f3cios do setor de \u00f3leo e g\u00e1s e petroqu\u00edmica, que levaria a boa parte da ocupa\u00e7\u00e3o de escrit\u00f3rios dos pr\u00e9dios que seriam constru\u00eddos no porto. Como a crise econ\u00f4mica freou o boom do segmento, a maioria dos pr\u00e9dios a arranhar o c\u00e9u n\u00e3o passou do ch\u00e3o, restando meia d\u00fazia de gatos-pingados.<\/p>\n<p>Sobre a altura dos pr\u00e9dios, Fajardo explica que alguns cuidados foram tomados. \u201cNos lotes reservados pr\u00f3ximo a morros, a altura dos pr\u00e9dios \u00e9 reduzida. E, al\u00e9m da altura, temos de discutir que uma regi\u00e3o como a do porto merece ser dinamizada e ter uma paisagem urbana. Mas a Regi\u00e3o Portu\u00e1ria \u00e9 p\u00f3s-industrial. N\u00e3o \u00e9 como na orla de bairros como Leblon e Ipanema.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_472\" aria-describedby=\"caption-attachment-472\" style=\"width: 1000px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-472 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular.new\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/img-fotos-trump-towers-01-aflalo-gasparini-arquitetos.jpg?resize=1000%2C384&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"384\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/img-fotos-trump-towers-01-aflalo-gasparini-arquitetos.jpg?w=1000&amp;ssl=1 1000w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/img-fotos-trump-towers-01-aflalo-gasparini-arquitetos.jpg?resize=300%2C115&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/img-fotos-trump-towers-01-aflalo-gasparini-arquitetos.jpg?resize=768%2C295&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-472\" class=\"wp-caption-text\">Trump Tower no porto, outro projeto que n\u00e1o vingou (foto: Aflalo Gasparini Arquitetos)<\/figcaption><\/figure>\n<p>O presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil, S\u00e9rgio Magalh\u00e3es, diz que os gabaritos altos levaram \u00e0 queda do Porto Maravilha, pois exigem muito investimento. De fato, o milion\u00e1rio e atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a se interessar pelo projeto, e um plano para a constru\u00e7\u00e3o de cinco Trump Towers de 150 metros chegou a ser anunciado. Jamais saiu do papel, embora tenha levado a remo\u00e7\u00f5es na \u00e1rea portu\u00e1ria, <a href=\"https:\/\/apublica.org\/2016\/08\/as-jogadas-de-trump-no-brasil-e-as-revelacoes-dos-panama-papers\/\">conforme a <strong>P\u00fablica<\/strong> revelou<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cPr\u00e9dios de 50 andares s\u00e3o um exagero e exigem capitais elevados que n\u00e3o existem no mercado imobili\u00e1rio. Saem muito mais caro do que pr\u00e9dios de pequeno e m\u00e9dio porte\u201d, diz ele. \u201cNa \u00e9poca, o prefeito Eduardo Paes me disse que o empres\u00e1rio Eike Batista iria comprar uma parte dos im\u00f3veis e um fundo \u00e1rabe compraria outros\u2019\u2019, diz S\u00e9rgio Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p>Eike Batista est\u00e1 na cadeia, preso pela Lava Jato, assim como o ex-deputado Eduardo Cunha; o ex-prefeito Eduardo Paes <a href=\"https:\/\/extra.globo.com\/famosos\/investigados-por-corrupcao-eduardo-paes-pedro-paulo-sao-clicados-em-vinicola-nos-eua-22029750.html\">est\u00e1 morando nos Estados Unidos<\/a> e \u00e9 investigado pela Justi\u00e7a, acusado pela dela\u00e7\u00e3o da Odebrecht de receber R$ 15 milh\u00f5es para a campanha \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o em troca de facilitar contratos da Olimp\u00edada de 2016.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trata-se de um roubo ainda invis\u00edvel, sorrateiro, e envolto em esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o. 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