{"id":945,"date":"2017-12-04T10:00:01","date_gmt":"2017-12-04T12:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/apublica.org\/colecaoparticular.new\/index.php\/2017\/12\/04\/hoteis-foram-ceus-olimpiada\/"},"modified":"2017-12-04T10:00:01","modified_gmt":"2017-12-04T12:00:01","slug":"hoteis-foram-ceus-olimpiada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/apublica.org\/colecaoparticular\/2017\/12\/hoteis-foram-ceus-olimpiada\/","title":{"rendered":"Hot\u00e9is foram aos c\u00e9us pela Olimp\u00edada"},"content":{"rendered":"\n<p>Logo que anunciado em 2009 o Rio de Janeiro como sede da Olimp\u00edada de 2016, havia a preocupa\u00e7\u00e3o com o fato de que a cidade n\u00e3o tinha uma rede hoteleira suficiente para o previs\u00edvel aumento de demanda no turismo. Havia o receio de que os pr\u00f3prios Jogos atrairiam muito mais gente do que o n\u00famero de quartos de h\u00f3spedes \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o no munic\u00edpio. O debate tomou conta dos jornais e levou a um projeto de lei para acelerar a constru\u00e7\u00e3o de hot\u00e9is at\u00e9 o in\u00edcio dos pr\u00f3prios Jogos.<\/p>\n\n\n\n<p>O ent\u00e3o prefeito Eduardo Paes o enviou, em outubro de 2010, \u00e0 C\u00e2mara dos Vereadores, propondo incentivos fiscais e mudan\u00e7as nas normas urban\u00edsticas para a constru\u00e7\u00e3o de hot\u00e9is, com \u00eanfase no aumento de gabarito. O Rio, que em 2010 tinha 31 mil quartos de hotel \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos turistas, atualmente tem mais de 45 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>Aprovada pela ampla maioria na C\u00e2mara dos Vereadores do PMDB, partido de Paes,&nbsp;<a href=\"http:\/\/mail.camara.rj.gov.br\/APL\/Legislativos\/contlei.nsf\/573ad0b372ea8c96032564ff00629eae\/f3ee5ba4ea67c6bd832577e700628721?OpenDocument-\">a lei<\/a> \u00e9&nbsp;pura exce\u00e7\u00e3o \u00e0s normas da cidade, dando muito mais liberdade de constru\u00e7\u00e3o \u00e0s empreiteiras e abrindo possibilidades de neg\u00f3cios tamb\u00e9m ao mercado imobili\u00e1rio e aos propriet\u00e1rios de terrenos. A pressa de preencher o vazio hoteleiro da cidade foi t\u00e3o grande que n\u00e3o se cogitou, \u00e0 \u00e9poca, que a demanda p\u00f3s-ol\u00edmpica poderia ser menor que a esperada. No caso dos hot\u00e9is, ocorreu a maioria das constru\u00e7\u00f5es previstas; mas muitos deles est\u00e3o com seus quartos vazios em meio \u00e0 crise por que passa o estado e a pr\u00f3pria cidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Esqueletos<\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular.new\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/img-20171204-143218587-hdr-scaled.jpg?resize=311%2C553&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-814\" width=\"311\" height=\"553\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/img-20171204-143218587-hdr-scaled.jpg?w=1440&amp;ssl=1 1440w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/img-20171204-143218587-hdr-scaled.jpg?resize=169%2C300&amp;ssl=1 169w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/img-20171204-143218587-hdr-scaled.jpg?resize=576%2C1024&amp;ssl=1 576w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/img-20171204-143218587-hdr-scaled.jpg?resize=768%2C1365&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/img-20171204-143218587-hdr-scaled.jpg?resize=864%2C1536&amp;ssl=1 864w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/img-20171204-143218587-hdr-scaled.jpg?resize=1152%2C2048&amp;ssl=1 1152w\" sizes=\"auto, (max-width: 311px) 100vw, 311px\" \/><figcaption>Hotel inacabado na Rua Bol\u00edvar. (foto: Rog\u00e9rio Daflon\/ Ag\u00eancia P\u00fablica)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Entre as constru\u00e7\u00f5es previstas, h\u00e1 duas inacabadas: na rua Bol\u00edvar, n\u00famero 65, em Copacabana, um hotel foi constru\u00eddo para os Jogos, mas at\u00e9 agora a obra n\u00e3o terminou. Seu gabarito \u00e9 mais alto do que os demais pr\u00e9dios da rua. Ou seja, se o aumento do gabarito era vinculado \u00e0 conclus\u00e3o da obra para a Olimp\u00edada, h\u00e1 que perguntar se o hotel hoje \u00e9 irregular.&nbsp;A <strong>P\u00fablica<\/strong>&nbsp;encaminhou a quest\u00e3o \u00e0 assessoria de imprensa da prefeitura, que garantiu que o pr\u00e9dio n\u00e3o pode funcionar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA lei \u00e9 r\u00edgida. Hotel que n\u00e3o teve a obra completada antes das Olimp\u00edadas n\u00e3o vai poder funcionar. Isso porque dificilmente v\u00e3o conseguir habite-se e alvar\u00e1.&nbsp; O assunto \u00e9 estudado e o di\u00e1logo est\u00e1 aberto.&nbsp; Segundo os t\u00e9cnicos, nem mesmo a comiss\u00e3o de urbanismo da C\u00e2mara dos Vereadores tem, no momento, um consenso para votar esse tema. Certamente ser\u00e1 necess\u00e1rio criar um projeto de lei &#8211; que pode ser proposta tanto pela prefeitura como pela c\u00e2mara &#8211; para dar uma solu\u00e7\u00e3o ao caso\u201d, escreveu a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habita\u00e7\u00e3o &#8211; SMUIH.<\/p>\n\n\n\n<p>O outro caso \u00e9 bem diferente. Em meados de 2015, a arquiteta Isabelle Cury, que trabalha no Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan), ao visitar uma prima na rua Francisco Otaviano, em Copacabana, se surpreendeu ao ver da janela dela uma constru\u00e7\u00e3o iniciada em uma \u00e1rea tombada pelo Iphan. Resolveu descer \u00e0 rua para verificar se o n\u00famero de pavimentos obedecia \u00e0s normas do instituto para aquela jurisdi\u00e7\u00e3o. \u201cQuando cheguei em frente \u00e0 placa da obra, li que seria um hotel de 24 andares.\u201d Horrorizada, ela iniciou imediatamente um procedimento administrativo no \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDias depois, o Iphan encaminhou \u00e0 prefeitura um pedido de embargo da obra, o que acabou sendo feito\u201d, explica a arquiteta. A obra, como consequ\u00eancia, foi paralisada imediatamente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNosso bem tombado aqui \u00e9 o Forte de Copacabana, que tem uma zona de amortecimento, da qual faz parte a rua Francisco Otaviano. Quando li a placa, vi que o hotel teria 24 andares, algo muito maior do que o gabarito de Copacabana, que hoje \u00e9 de 12 andares\u201d, disse a arquiteta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"846\" height=\"730\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular.new\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/documento-iphan.png?resize=846%2C730&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-497\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/documento-iphan.png?w=846&amp;ssl=1 846w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/documento-iphan.png?resize=300%2C259&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/documento-iphan.png?resize=768%2C663&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 846px) 100vw, 846px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Ela lembra que o setor hoteleiro sempre tem conseguido concess\u00f5es do poder p\u00fablico no Rio de Janeiro. \u201cNa orla de Copacabana, h\u00e1 dois hot\u00e9is prejudiciais ao <em>skyline<\/em> da cidade: o Hilton, que \u00e9 o antigo Meridien [onde ocorre a cachoeira de fogos de artif\u00edcio no R\u00e9veillon] e o Othon. Ambos s\u00e3o muito maiores do que qualquer pr\u00e9dio ali.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, Hor\u00e1cio Magalh\u00e3es disse que os hot\u00e9is v\u00e3o trazer transtornos ao bairro. \u201cJ\u00e1 entramos na Justi\u00e7a contra o hotel da rua Bol\u00edvar. N\u00f3s fomos na Secretaria Municipal de Urbanismo e perguntarmos se aquele hotel n\u00e3o ficou mais alto, mesmo levando-se em conta a nova lei para a Olimp\u00edada. A a\u00e7\u00e3o acabou evoluindo e houve uma liminar pedindo o embargo da obra. A alega\u00e7\u00e3o do juiz: o hotel construiu acima da nova norma, dois andares acima e mais um subsolo\u201d, diz Hor\u00e1cio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos de&nbsp;<em>skyline<\/em>, o hotel na rua Bol\u00edvar \u00e9 um grande absurdo, diz a arquiteta M\u00e1rcia Bezerra. \u201cEle \u00e9 bem mais alto do que todos ali e fica acima de um pr\u00e9dio art-d\u00e9co. Pior: ele fica espremido entre dois pr\u00e9dios, n\u00e3o tem uma \u00e1rea de escape. Imagina um pr\u00e9dio desses com a lota\u00e7\u00e3o de h\u00f3spede esgotada&#8230; Ser\u00e1 um transtorno para a rua Bol\u00edvar e para as vizinhas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"487\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular.new\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/rio-othon-fachada.jpg?resize=600%2C487&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-496\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/rio-othon-fachada.jpg?w=600&amp;ssl=1 600w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/rio-othon-fachada.jpg?resize=300%2C244&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption>Hotel Rio Othon, em Copacabana, foge totalmente ao padr\u00e3o do bairro. (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&nbsp;Barra da Tijuca<\/h2>\n\n\n\n<p>Em dezembro de 2012, o ent\u00e3o prefeito Eduardo Paes mostrou como o aumento da rede hoteleira era uma das principais metas de seu governo. Seu governo enfrentou um protesto na praia da Reserva, na Barra da Tijuca, na zona oeste, onde autorizou um empreendimento imobili\u00e1rio do Grupo Hyatt. Paes argumentou que, embora fosse uma \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o permanente, uma APP, n\u00e3o era proibido construir nela. Pressionado, disse na \u00e9poca que iria transformar aquela \u00e1rea em um parque, para que nenhuma edifica\u00e7\u00e3o se erguesse ali. Isso, \u00e9 claro, soou bem aos ouvidos do empreendimento, que teria uma \u00e1rea buc\u00f3lica para oferecer a seus h\u00f3spedes.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Barra da Tijuca houve outros protestos contra a constru\u00e7\u00e3o de hot\u00e9is. Hoje, a pequena demanda traz a pergunta se realmente valeu a pena romper gabaritos e voltar \u00e0 sem-cerim\u00f4nia com o&nbsp;<em>skyline<\/em>&nbsp;da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Para M\u00e1rcia Bezerra, n\u00e3o houve um debate com a cidade sobre constru\u00e7\u00f5es de mais pr\u00e9dios com gabarito mais alto e com impacto vi\u00e1rio no munic\u00edpio. \u201cEm Copacabana, quatro hot\u00e9is foram conclu\u00eddos e h\u00e1 mais duas obras. Isso num bairro j\u00e1 com hot\u00e9is, repleto de carros e com vistas a serem preservadas. Rompeu-se com um padr\u00e3o urban\u00edstico de uma forma descuidada.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u200b<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Logo que anunciado em 2009 o Rio de Janeiro como sede da Olimp\u00edada de 2016, havia a preocupa\u00e7\u00e3o com o fato de que a cidade n\u00e3o tinha uma rede hoteleira suficiente para o previs\u00edvel aumento de demanda no turismo. 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