{"id":949,"date":"2017-12-15T12:45:29","date_gmt":"2017-12-15T14:45:29","guid":{"rendered":"https:\/\/apublica.org\/colecaoparticular.new\/index.php\/2017\/12\/15\/ruas-privatizadas-causam-conflito-no-rio-de-janeiro\/"},"modified":"2022-05-25T15:13:09","modified_gmt":"2022-05-25T18:13:09","slug":"ruas-privatizadas-causam-conflito-no-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/apublica.org\/colecaoparticular\/2017\/12\/ruas-privatizadas-causam-conflito-no-rio-de-janeiro\/","title":{"rendered":"Ruas privatizadas causam conflito no Rio de Janeiro"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 segredo nenhum que o estado do Rio de Janeiro est\u00e1 em bancarrota financeira \u2013 e, com ela, sua pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica. Na zona sul da capital, a regi\u00e3o mais rica da cidade, a inseguran\u00e7a tem agitado alguns grupos de moradores, temerosos da criminalidade crescente. H\u00e1 pouco mais de um ano, alguns s\u00edndicos de pr\u00e9dios da rua General Glic\u00e9rio, um dos mais belos cantos do bairro de Laranjeiras, onde todo s\u00e1bado pela manh\u00e3 um conjunto de instrumentistas f\u00e3s de Pixinguinha se apresenta, passaram a se reunir para debater o que fazer diante do aumento do n\u00famero de assaltos. Dos encontros surgiu a ideia de contratar uma empresa de vigil\u00e2ncia e, no fim da tarde de 4 de dezembro, a Groupe Protection instalou duas cancelas e cabines com o logotipo do grupo em frente \u00e0 pra\u00e7a do Choro, principal ponto de encontro do bairro.<\/p>\n<p>A ideia acabou se mostrando desastrosa \u2013 e virou centro de um embate acalorado pelo qual passam aqueles favor\u00e1veis ao respeito aos espa\u00e7os p\u00fablicos, atravessam alguns defensores do isolamento de vias em nome da seguran\u00e7a e circula uma sociedade cada vez mais afeita a guetos.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-624 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular.new\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/24312571-10208518061703834-6607937598668914946-n-link.jpg?resize=600%2C337&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/24312571-10208518061703834-6607937598668914946-n-link.jpg?w=600&amp;ssl=1 600w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/24312571-10208518061703834-6607937598668914946-n-link.jpg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>\u201cQuando desci para a rua, dei de cara com um mundo de homens de preto instalando duas guaritas e duas cabines, cada uma de um lado da pra\u00e7a. Resolvi perguntar quem havia contratado tudo aquilo. A resposta de um deles foi a de que s\u00edndicos de pr\u00e9dios fizeram um acordo com a empresa. E esse acordo seria a perman\u00eancia dessa parafern\u00e1lia toda por 15 dias, para averiguar se a iniciativa desses s\u00edndicos teria a aprova\u00e7\u00e3o da maioria dos moradores desse peda\u00e7o\u201d, relata Rita Fernandes, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Independente dos Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul.<\/p>\n<p>A indigna\u00e7\u00e3o de Rita foi acompanhada por outros moradores, que n\u00e3o tinham a menor ideia da iniciativa e questionaram os seguran\u00e7as. Mas a press\u00e3o forte mesmo foi nas redes sociais, que fez com que a empreitada n\u00e3o se perpetuasse por um dia sequer. Alguns moradores come\u00e7aram a chamar a iniciativa de \u201cmil\u00edcia\u201d. Houve, ainda, uma den\u00fancia an\u00f4nima ao 2\u00ba Batalh\u00e3o da Pol\u00edcia Militar.<br \/>\n\u201cQuerem criar ilhas de seguran\u00e7a e, claro, de isolamento da cidade. Uma pessoa passa por uma cancela e se coloca em uma bolha. \u00c9 uma falsa solu\u00e7\u00e3o. Quando sai da bolha, enfrenta os problemas urbanos de qualquer forma\u201d, diz Rita.<\/p>\n<p>Pouco depois, policiais militares cobraram da empresa a aprova\u00e7\u00e3o da prefeitura para a tal cancela. Um dos funcion\u00e1rios da Groupe Protection entregou um protocolo de pedido de aprova\u00e7\u00e3o. A pol\u00edcia ent\u00e3o pediu que eles retirassem imediatamente as cabines e as cancelas na mesma noite, e ainda os encaminhou \u00e0 10a Delegacia.<\/p>\n<p>O morador do bairro e desembargador Jos\u00e9 Nascimento de Ara\u00fajo \u2013 que se juntou a Rita e outras pessoas contra a medida \u2013 critica: \u201cOs s\u00edndicos e as empresas quiseram fazer um fato consumado. S\u00f3 sa\u00edram com a chegada da pol\u00edcia. Colocar guaritas e cabines na pra\u00e7a do Choro com s\u00edmbolos de seguran\u00e7a privada foi algo de extremo mau gosto\u201d.<\/p>\n<p>A repercuss\u00e3o negativa foi t\u00e3o grande que a empresa foi obrigada pela fiscaliza\u00e7\u00e3o da prefeitura a tirar cancelas e cabines de outras ruas da zona sul. S\u00f3 no bairro do Flamengo, somavam cinco. Assim como no caso de Laranjeiras, as cancelas foram instaladas sem autoriza\u00e7\u00e3o e sem pagamento, como um \u201caperitivo\u201d para os moradores locais \u2013 estrat\u00e9gia de vendas da empresa. \u201cNas outras ruas da zona sul, fizemos a mesma coisa. Instalamos nosso equipamento e, como a receptividade foi muito positiva, n\u00e3o houve por que retir\u00e1-lo. Mas a prefeitura tamb\u00e9m exigiu que tir\u00e1ssemos e s\u00f3 volt\u00e1ssemos caso tivesse tudo legalizado\u201d, disse \u00e0 <strong>P\u00fablica<\/strong> o propriet\u00e1rio da empresa, Jo\u00e3o Fuster. Ele defende a atua\u00e7\u00e3o: \u201cNa rua Senador Eus\u00e9bio, no Flamengo, havia uma cracol\u00e2ndia, e hoje n\u00e3o tem mais. No Flamengo, somos quase unanimidade\u201d.<\/p>\n<h3>Queixa contra os moradores<\/h3>\n<p>Em entrevista \u00e0 <strong>P\u00fablica<\/strong>, o dono da empresa Groupe Protection quis enfatizar um ponto. \u201cN\u00e3o somos uma empresa de milicianos. \u201cTemos CNPJ, assinamos carteira de mais de 240 funcion\u00e1rios e temos clientes como consulados estrangeiros\u201d. No Rio de Janeiro, o termo \u201cmil\u00edcia\u201d come\u00e7ou a tomar corpo nos anos 2000, para designar grupos de policiais e ex-policiais que, fazendo-se de benfeitores por combater o tr\u00e1fico de drogas, haviam ocupado \u00e1reas da zona oeste, subjugando os moradores ao lucrar com \u201cservi\u00e7os\u201d como venda de botij\u00e3o de g\u00e1s e transporte. Hoje, a zona oeste \u2013 regi\u00e3o menos urbanizada e mais afastada do centro \u2013 tem boa parte do seu territ\u00f3rio sob o dom\u00ednio de mil\u00edcias, sob a lideran\u00e7a de policiais da ativa e aposentados em conluio com pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Fuster deu entrevista \u00e0 <strong>P\u00fablica<\/strong> na Delegacia de Crimes contra a Inform\u00e1tica, onde esteve para prestar queixa de todos que vincularam sua empresa com a\u00e7\u00f5es da mil\u00edcia. Ele exibia o celular com fotos de posts em redes sociais associando seu grupo \u00e0 mil\u00edcia, e uma foto de funcion\u00e1rio em frente \u00e0 sede da empresa, em Duque de Caxias. \u201cVamos processar todos que nos rotularam dessa forma\u201d, afirmou.<\/p>\n<figure id=\"attachment_625\" aria-describedby=\"caption-attachment-625\" style=\"width: 899px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-625 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular.new\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/1.jpg?resize=899%2C666&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"899\" height=\"666\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/1.jpg?w=899&amp;ssl=1 899w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/1.jpg?resize=300%2C222&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/1.jpg?resize=768%2C569&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 899px) 100vw, 899px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-625\" class=\"wp-caption-text\">Empresa que se instalou em Laranjeiras: \u201cN\u00f3s n\u00e3o somos milicianos\u201d.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ele acredita que a seguran\u00e7a entrou em colapso no Rio de Janeiro. \u201cNa rua Marechal Mascarenhas de Morais, em Copacabana, onde temos uma equipe de vigilantes, o n\u00famero de assaltos caiu a zero nos \u00faltimos dois anos, mas nas ruas vizinhas h\u00e1 assaltos\u201d, diz. A rua em Copacabana \u00e9 a \u00fanica onde a empresa atua, depois da confus\u00e3o em Laranjeiras, por ter aprova\u00e7\u00e3o, de acordo com Fuster, da administra\u00e7\u00e3o municipal anterior.<\/p>\n<p>A <strong>P\u00fablica<\/strong> entrou em contato com tr\u00eas s\u00edndicos do grupo que chamou a empresa \u00e0 General Glic\u00e9rio. O \u00fanico que aceitou dar uma declara\u00e7\u00e3o, sem se identificar, mostrou-se revoltado com a rea\u00e7\u00e3o. \u201cAchamos que est\u00e1vamos fazendo uma coisa boa para todo mundo e, de repente, passamos a ser atacados. At\u00e9 de promover o aumento da criminalidade no local para contratar uma empresa privada de seguran\u00e7a fomos acusados. O n\u00edvel de desgaste est\u00e1 muito grande.\u201d<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo Marcelo Burgos, da PUC-RJ, faz \u00f3bvias distin\u00e7\u00f5es entre os grupos da zona norte que fecham ruas \u00e0 revelia da lei ou decreto sobre o tema e os grupos paramilitares da zona oeste. Mas alerta: \u201cA mil\u00edcia n\u00e3o nasceu mil\u00edcia\u201d. Para ele, essa nova configura\u00e7\u00e3o de moradores dispostos a dar mais seguran\u00e7a \u00e0s suas ruas traz \u00e0 tona a exist\u00eancia de um v\u00e1cuo de poder a ser ocupado. \u201cAssim, o espa\u00e7o p\u00fablico pode ser tomado por amea\u00e7as frontais \u00e0 ordem democr\u00e1tica e por priva\u00e7\u00f5es de direitos, como j\u00e1 acontece nas favelas. Seja como for, o cercamento de bairros leva \u00e0 guetifica\u00e7\u00e3o dos pobres e autossegrega\u00e7\u00e3o dos ricos.\u201d<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Trajano S\u00e9, do Laborat\u00f3rio de An\u00e1lise de Viol\u00eancia da Uerj, diz que, por enquanto, n\u00e3o h\u00e1 como prever o que ser\u00e1, no futuro, a atua\u00e7\u00e3o desses grupos que se re\u00fanem e tomam medidas de seguran\u00e7a, expandindo-se pelas ruas. \u201cMas h\u00e1 um potencial negativo, sim, nessas a\u00e7\u00f5es.\u201d O pior, na vis\u00e3o de S\u00e9, s\u00e3o as consequ\u00eancias j\u00e1 sentidas. \u201cPessoas isoladas em suas ruas j\u00e1 conferem um enorme impacto social. A sociabilidade est\u00e1 sendo duramente atingida.\u201d<\/p>\n<h3>Disputa entre prefeito e vereadora sobre acesso \u00e0s ruas<\/h3>\n<p>A briga de Laranjeiras espelha uma disputa entre prefeitura e a C\u00e2mara de Vereadores, que levou a uma corrida de ruas fechadas e a uma confus\u00e3o jur\u00eddica em torno do acesso \u00e0s ruas cariocas.<br \/>\nO prefeito Marcelo Crivella (PRB) baixou, em abril, o Decreto 43.038, que prev\u00ea a instala\u00e7\u00e3o de cancelas e cabines sob determinadas normas, sem que esse equipamento possa interferir no tr\u00e1fego e no direito de um pedestre andar por qualquer via da cidade. Al\u00e9m disso, tr\u00eas quartos dos moradores do local precisam estar de acordo, e a instala\u00e7\u00e3o de guaritas e cancelas s\u00f3 \u00e9 permitida quando o condom\u00ednio de casas ou apartamentos est\u00e1 em uma \u00e1rea residencial e sem a presen\u00e7a de \u00f3rg\u00e3os de servi\u00e7os p\u00fablicos como escolas ou hospitais.<\/p>\n<p>Isso porque, segundo a assessoria de imprensa, a prefeitura n\u00e3o tem ideia de quantas ruas fechadas ou mesmo com cancelas existem na capital. Somente fez um levantamento dos pedidos de cancelas e guaritas. Em nota \u00e0 <strong>P\u00fablica<\/strong>, a Secretaria Municipal de Urbanismo informou que desde o final de 2016 at\u00e9 hoje foram concedidas 64 autoriza\u00e7\u00f5es para instala\u00e7\u00e3o de cancelas ou guaritas em pontos diversos da cidade, a grande maioria na zona oeste. \u201cAt\u00e9 o final de 2016, os pedidos poderiam ser feitos pelos moradores \u00e0s subprefeituras, secretarias da Casa Civil, de Urbanismo ou, por interm\u00e9dio de vereadores, ao gabinete do prefeito. Por esse motivo, n\u00e3o temos um quadro estat\u00edstico consolidado e confi\u00e1vel das autoriza\u00e7\u00f5es concedidas por governos passados\u201d, diz a secretaria.<\/p>\n<p>O decreto pareceu pouco para a vereadora Rosa Fernandes, do PMDB, que criou, em junho de 2017, <a href=\"http:\/\/mail.camara.rj.gov.br\/APL\/Legislativos\/contlei.nsf\/da65a6361caf879083257f460066ebb6\/ab994d0278364ffa832581460045f765?OpenDocument\">a Lei Ordin\u00e1ria 6.206<\/a>, que fala na palavra fechamento. \u201cFica autorizado o fechamento ao tr\u00e1fego de ve\u00edculos estranhos aos moradores de vilas, ruas sem sa\u00edda e ruas e travessas com caracter\u00edsticas de ruas sem sa\u00edda de pequena circula\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos em \u00e1reas residenciais, ficando limitado o tr\u00e1fego local de ve\u00edculos apenas aos seus moradores e visitantes\u201d. A lei permite que se feche totalmente o acesso de pedestres entre 22 horas e 6 horas. A partir da promulga\u00e7\u00e3o da lei, come\u00e7aram a pipocar ainda mais cancelas pela cidade.<\/p>\n<p>Em resposta, o prefeito Marcelo Crivella vetou a lei. Por sua vez, a C\u00e2mara de Vereadores anulou o veto. Procurada pela <strong>P\u00fablica<\/strong>, a resposta da prefeitura \u00e9 que \u201cest\u00e1 estudando a lei\u201d. Fontes da administra\u00e7\u00e3o municipal declararam que Crivella deseja arguir inconstitucionalidade, j\u00e1 que o texto interfere no direito de ir e vir das pessoas. \u201cVale destacar que a prefeitura autoriza a instala\u00e7\u00e3o de cancelas e guaritas de forma criteriosa, garantindo o direito de ir e vir das pessoas, conforme o Decreto 43.038, de 18 de abril de 2017&#8243;, justificou o secret\u00e1rio de Urbanismo, \u00cdndio da Costa, por e-mail \u00e0 <strong>P\u00fablica<\/strong>.<br \/>\nPor\u00e9m, enquanto a lei ainda n\u00e3o for regulamentada e anular de fato o decreto do poder executivo municipal, a cidade est\u00e1 com a legisla\u00e7\u00e3o estacionada. J\u00e1 o fechamento de ruas n\u00e3o.<\/p>\n<h3>Zona norte, ber\u00e7o eleitoral da autora da lei, fecha ruas a rodo<\/h3>\n<p>No bairro Iraj\u00e1, onde morava a vereadora Rosa Fernandes e ainda mora parte da fam\u00edlia dela \u2013 sua base eleitoral est\u00e1 em Iraj\u00e1 e em bairros vizinhos \u2013, a quantidade de ruas fechadas \u00e9 impressionante. Taxistas da zona norte \u2013, conhecida como Grande Iraj\u00e1 \u2013 ouvidos pela <strong>P\u00fablica<\/strong> disseram que, se \u00e9 confuso para eles circular por aquela \u00e1rea, \u201cimagina quem n\u00e3o \u00e9 daqui\u201d.<\/p>\n<p>Ruas fechadas n\u00e3o s\u00e3o for\u00e7as de express\u00e3o. No Grande Iraj\u00e1, at\u00e9 mesmo em ruas de liga\u00e7\u00e3o, encontram-se cancelas concretadas em sua base, impossibilitando a entrada de ve\u00edculos. E nem sempre s\u00e3o consenso entre os vizinhos. \u00c9 o caso da rua Ara\u00e7ari. Policial em atividade, o morador Paulo Senra n\u00e3o gostou da medida t\u00e3o radical e disse que precisa dar uma volta maior de carro quando sai de casa devido ao obst\u00e1culo. \u201cUm grupo de moradores fez isso e n\u00e3o fui sequer consultado. \u00c9 claro que isso \u00e9 para diminuir os assaltos. Espero que d\u00ea certo\u201d, disse.<\/p>\n<p>Naquele bairro, h\u00e1 uma empresa de seguran\u00e7a privada que administra as dezenas de cancelas do lugar e arregimenta os vigilantes. Para contrat\u00e1-la e fechar algumas ruas, foi montada h\u00e1 cinco anos a Associa\u00e7\u00e3o Parcial Vila Kosmos de Moradores. \u201cJ\u00e1 disseram que a gente est\u00e1 desobedecendo ao direito de ir e vir. \u00c9 um absurdo, isso acontece na zona sul e ningu\u00e9m fala nada. Aqui foi tudo autorizado na administra\u00e7\u00e3o Eduardo Paes com a ajuda da vereadora Rosa Fernandes, que fez essa ponte com a prefeitura. \u00c9 tudo legal\u201d, justifica Daniel Souza, um dos dirigentes da associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ex-relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU para o Direito \u00e0 Moradia Adequada, a arquiteta e urbanista Raquel Rolnik considera que, na zona norte do Rio, de fato ocorre o mesmo modelo de \u00e1reas consideradas nobres pelo mercado imobili\u00e1rio. \u201c\u00c9 um modelo perverso, em que as pessoas se fecham \u00e0 cidade.\u201d J\u00e1 o arquiteto e urbanista Lucas Faulhaber, que mapeou as remo\u00e7\u00f5es da administra\u00e7\u00e3o municipal anterior, lembra os problemas trazidos pelas ruas fechadas. \u201cSe antes eram fechadas apenas ruas sem sa\u00edda, atualmente existem em bairros da zona norte com acesso de carro e pedestres restrito em diversos quarteir\u00f5es. Al\u00e9m de ser um atentado contra o direito de ir e vir, o fechamento dessas ruas prejudica o sistema de mobilidade urbana\u201d, disse Faulhaber. Para ele, a autoriza\u00e7\u00e3o da prefeitura para fechamento de ruas passa, em muitos casos, pela quest\u00e3o eleitoreira. \u201cS\u00e3o vereadores ou mesmo administradores regionais que se candidatam que usam o medo para ganhar votos.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_626\" aria-describedby=\"caption-attachment-626\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-626 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular.new\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/rua-aracari-4.jpg?resize=1024%2C683&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/rua-aracari-4.jpg?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/rua-aracari-4.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/rua-aracari-4.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-626\" class=\"wp-caption-text\">S\u00f3 parece cancela: mastro im\u00f3vel e concreto (foto: Fagner Fran\u00e7a\/ Ag\u00eancia P\u00fablica)<\/figcaption><\/figure>\n<p>O padr\u00e3o se repete em diversos cantos do bairro. Na rua Edgar Teixeira, h\u00e1 um port\u00e3o de ferro, do qual s\u00f3 tem a chave os moradores da via. Um deles, R\u00f4mulo Santos, descreveu uma cena comum. \u201cS\u00e3o muitos os motoristas que v\u00eam da avenida Autom\u00f3vel Clube para pegar a nossa rua e d\u00e3o de cara com este port\u00e3o\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_627\" aria-describedby=\"caption-attachment-627\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-627 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular.new\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/rua-walter-fralkel-4.jpg?resize=1024%2C683&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/rua-walter-fralkel-4.jpg?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/rua-walter-fralkel-4.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/rua-walter-fralkel-4.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-627\" class=\"wp-caption-text\">Port\u00e3o aberto s\u00f3 por moradores atrapalha o tr\u00e1fego (foto: Fagner Fran\u00e7a\/ Ag\u00eancia P\u00fablica)<\/figcaption><\/figure>\n<p>O tra\u00e7ado da rua Siracusa \u00e9 semelhante ao de uma ferradura, com duas cancelas em cada extremo. Nessa rua, \u00e9 normal ver carros com adesivos do deputado estadual Dion\u00edsio Lins (PP). Ali, em depoimentos gravados pela P\u00fablica, dois vigilantes afirmaram com naturalidade que s\u00f3 entra se for morador ou prestador de algum servi\u00e7o, como Uber. Perguntados se algu\u00e9m que alegasse o direito de ir e vir seria impedido ambos disseram que sim. E se a pessoa entrar mesmo assim? Disseram que, de alguma forma, seguran\u00e7as privados do deputado seriam avisados e tomariam provid\u00eancias. J\u00e1 houve algum caso? \u201cSim, j\u00e1 houve. Outro um dia um b\u00eabado disse que tinha o direito de entrar. Os seguran\u00e7as do deputado entraram em a\u00e7\u00e3o e ele saiu da rua apanhando muito.\u201d<\/p>\n<p>A reportagem da <strong>P\u00fablica<\/strong> entrou em contado com a assessoria de imprensa de Dion\u00edsio Lins e est\u00e1 \u00e0 espera de uma resposta do pol\u00edtico. De acordo com a assessoria de imprensa do parlamentar, ela est\u00e1 pouco informada sobre a disputa legislativa entre o prefeito Marcelo Crivella e a vereadora Rosa Fernandes.<\/p>\n<figure id=\"attachment_628\" aria-describedby=\"caption-attachment-628\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-628 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular.new\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/rua-siracusa-4.jpg?resize=1024%2C683&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/rua-siracusa-4.jpg?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/rua-siracusa-4.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/rua-siracusa-4.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-628\" class=\"wp-caption-text\">Uma rua cujo mandachuva, dizem seguran\u00e7as, \u00e9 deputado (foto: Fagner Fran\u00e7a\/Ag\u00eancia P\u00fablica)<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"mceTemp\"><\/div>\n<p>Ao longo das visitas da reportagem, moradores foram avisando que um dos bairros da regi\u00e3o, o bairro de Col\u00e9gio, est\u00e1 repleto de ruas fechadas \u00e0 revelia do decreto e da lei. Na rua Coema, depara-se, de fato, com uma rua privatizada. Nela, duas placas deixam claro: \u201cProibido estacionar\u201d e \u201cRua fechada\u201d. Com a camisa estampada com o rosto de Jair Bolsonaro, o militar Marcelo Gustavo afirmou que lamenta o fato de o Estado n\u00e3o cumprir sua fun\u00e7\u00e3o de fornecer seguran\u00e7a. \u201cSomos um grupo de moradores querendo mais prote\u00e7\u00e3o. Aqui n\u00e3o h\u00e1 fins lucrativos. Todos ajudam a manter a rua fechada\u201d, disse ele.<\/p>\n<figure id=\"attachment_630\" aria-describedby=\"caption-attachment-630\" style=\"width: 169px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-630 size-medium\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular.new\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/22.jpg?resize=169%2C300&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"169\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/22.jpg?w=491&amp;ssl=1 491w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/22.jpg?resize=169%2C300&amp;ssl=1 169w\" sizes=\"auto, (max-width: 169px) 100vw, 169px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-630\" class=\"wp-caption-text\">Marcelo Gustavo mostra placas que deixam claro: a rua ali \u00e9 s\u00f3 dos moradores (foto: Fagner Fran\u00e7a\/Ag\u00eancia P\u00fablica)<\/figcaption><\/figure>\n<p>No mesmo bairro de Col\u00e9gio, moradores de tr\u00eas ruas se comunicam por celular, organizando o fechamento das ruas durante a semana. \u201cAqui, levando-se em conta as ruas Sodr\u00e9 da Gama, Oliveira Pinto e M\u00e1rio Lahmeyer, deixamos duas ruas fechadas e uma aberta. Assim, diminu\u00edmos as rotas de fuga de bandidos. Os assaltos diminu\u00edram\u201d, garante o morador Robson Carvalho. \u201cEsta rua em que a gente est\u00e1 era conhecida como \u2018Rua do Perdeu\u2019, tamanha a quantidade de assalto. Melhorou muito a partir de nosso revezamento.\u201d<br \/>\nEm Vila Kosmos, ruas tamb\u00e9m s\u00e3o fechadas sob o argumento de dar um fim a uma rota de fuga de bandidos. Na cal\u00e7ada, os obst\u00e1culos tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o nada convidativos.<br \/>\nMoradores da Vila Kosmos disseram \u00e0 <strong>P\u00fablica<\/strong> que o fechamento de ruas \u00e9 uma consequ\u00eancia do medo das pessoas de serem assaltadas e feridas de alguma forma. \u201cNossa rua ficou mais calma\u201d, disse o funcion\u00e1rio p\u00fablico Max dos Santos, afirmando que o fechamento de sua rua impediu a circula\u00e7\u00e3o de bandidos que vinham da rua Meriti.<br \/>\nA reportagem da <strong>P\u00fablica<\/strong> tentou falar diversas vezes com a vereadora Rosa Fernandes, sem resposta.<\/p>\n<figure id=\"attachment_632\" aria-describedby=\"caption-attachment-632\" style=\"width: 1350px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-632 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular.new\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/aaa.jpg?resize=1350%2C758&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"1350\" height=\"758\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/aaa.jpg?w=1350&amp;ssl=1 1350w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/aaa.jpg?resize=300%2C168&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/aaa.jpg?resize=1024%2C575&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/aaa.jpg?resize=768%2C431&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-632\" class=\"wp-caption-text\">Obst\u00e1culos na cal\u00e7ada: ruas de Vila Kosmos se fecham em si (foto: Fagner Fran\u00e7a\/Ag\u00eancia P\u00fablica)<\/figcaption><\/figure>\n<div class='textBox mt-5 mb-5 p-4'><h3>Rol\u00ea nas ruas VIP<\/h3>\n<p>A reportagem da <strong>P\u00fablica <\/strong>foi verificar como ruas fechadas e com cabines e cancelas na zona sul manobram seus procedimentos diante desse v\u00e1cuo.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u201cpasseio\u201d come\u00e7ou no bairro do Humait\u00e1, na rua Miguel Pereira. Nela, uma placa na cancela ordena: \u201cIdentifique-se\u201d. Um cartaz acima da placa insiste: \u201cSolicitamos que abra a janela [do ve\u00edculo] e identifique-se\u201d. Quando um carro desconhecido se aproxima, um dos seguran\u00e7as sempre pede ao motorista que abaixe o vidro.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"698\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular.new\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/foto-pare-o-carro.jpg?resize=1024%2C698&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-636\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/foto-pare-o-carro.jpg?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/foto-pare-o-carro.jpg?resize=300%2C204&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/foto-pare-o-carro.jpg?resize=768%2C524&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>De forma transparente, os seguran\u00e7as ali relataram que n\u00e3o usam armas e seus ganhos financeiros s\u00e3o por interm\u00e9dio de uma rela\u00e7\u00e3o bem informal de trabalho: sem carteira assinada e sem dar nota como empresa. \u201cEstamos aqui h\u00e1 mais de 15 anos e sempre trabalhamos dessa forma\u201d, disse um deles, sem se identificar.<\/p>\n\n\n\n<p>A rua Leblon, no bairro do Leblon, apresenta outra distin\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma rua sem sa\u00edda. A via \u00e9 fechada com dois port\u00f5es, um em cada extremo do caminho. Nelas, h\u00e1 sempre um seguran\u00e7a armado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2005, moradores do bairro chegaram a fazer um protesto contra a privatiza\u00e7\u00e3o de uma rua que d\u00e1 acesso \u00e0 praia. Mas o grupo que queria o fechamento ganhou: impetraram dois mandados de seguran\u00e7a contra a prefeitura e, em 1993, obtiveram no Tribunal de Justi\u00e7a do Rio o direito de se trancar em rela\u00e7\u00e3o ao bairro, com port\u00f5es e seguran\u00e7as armados. Ela \u00e9 a \u00fanica das 16 vias de acesso \u00e0 praia com aparato de seguran\u00e7a pr\u00f3prio, criando uma fortifica\u00e7\u00e3o em um dos bairros mais policiados do Rio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular.new\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/rua-leblon-4.jpg?resize=1024%2C681&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-803\"\/><figcaption><em>Rua do Leblon: de acesso \u00e0 praia \u00e0 fortifica\u00e7\u00e3o armada (foto: Fagner Fran\u00e7a\/Ag\u00eancia P\u00fablica)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No Jardim Pernambuco, tamb\u00e9m no Leblon, mans\u00f5es saltam aos olhos. Os moradores ali chamam o lugar de condom\u00ednio, mas as ruas s\u00e3o liberadas a pedestres e carros \u201cestrangeiros\u201d, como se referem a n\u00e3o moradores. A \u00e1rea \u00e9 de gente famosa, como o economista Arm\u00ednio Fraga e Carlos Arthur Nuzman, ex-presidente do Comit\u00ea Ol\u00edmpico Brasileiro, proibido de deixar o pa\u00eds por suspeita de compra de votos para o Rio receber a Olimp\u00edada de 2016. Pode-se dizer que ali \u00e9 um jardim de seguran\u00e7as por todos os lados, e quatro cancelas. Ao ser indagado sobre se os vigilantes ali tinham arma, o supervisor da empresa de seguran\u00e7a, Luciano Costa, disse que n\u00e3o responderia \u00e0 pergunta. Mas, andando a p\u00e9 por ali, d\u00e1 para ver gente da empresa com arma na cintura.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"673\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular.new\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/segurana-armado.jpg?resize=1024%2C673&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-637\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/segurana-armado.jpg?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/segurana-armado.jpg?resize=300%2C197&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/apublica.org\/colecaoparticular\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/segurana-armado.jpg?resize=768%2C505&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption>Jardim Pernambuco: seguran\u00e7as armados e isolamento do bairro (foto: Fagner Fran\u00e7a\/Ag\u00eancia P\u00fablica)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 segredo nenhum que o estado do Rio de Janeiro est\u00e1 em bancarrota financeira \u2013 e, com ela, sua pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica. Na zona sul da capital, a regi\u00e3o mais rica da cidade, a inseguran\u00e7a tem agitado alguns grupos de moradores, temerosos da criminalidade crescente. 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