Márcio Miranda (DEM) erra ao tratar de desmatamento na sua região, o nordeste paraense

Dados do MapBioma mostram que, apesar do desmatamento, quase 80% da região é de floresta remanescente

Sabatina Rede Cultura Meio Ambiente

Guilherme Guerreiro Neto, Jéssica Oliveira, Moises Sarraf
3 minutos

“Minha área, região nordeste, onde eu moro, não tem mais floresta remanescente, ela já foi toda devastada há 200 anos.” – Márcio Miranda (DEM), durante a sabatina da Rede Cultura de Comunicação.

Márcio Miranda é natural do município de Pavão (MG), radicado no município de Castanhal, principal cidade da mesorregião do nordeste paraense. Em sua declaração, o candidato afirmou que a região, que reúne 49 municípios, não possui florestas remanescentes. Mas, segundo dados da plataforma MapBioma, a região tem cerca de 6.056.586 hectares de florestas naturais, uma área quase duas vezes maior que o estado de Sergipe. Assim, o Truco nos Estados atribui o selo ‘falso’ à declaração de Márcio Miranda.

Reunindo 49 municípios da mesorregião do nordeste paraense, utilizamos a plataforma on-line MapBioma (Projeto de Mapeamento Anual da Cobertura e Uso do Solo no Brasil) para medir a quantidade de florestas remanescentes na região. Segundo o levantamento, há cerca de 6.056.586 hectares de florestas naturais no ano de 2017, perfazendo 78% do território total da região, que é de aproximadamente 7.704.356 hectares. De 1985 a 2017, no nordeste paraense, 738.729 ha de matas foram derrubados para uso na agricultura.

Perguntamos à assessoria de Márcio Miranda qual a origem do dado citado pelo candidato, mas não obtivemos resposta.

 

Situada no nordeste paraense, a ilha de Algodoal/Maiandeua é uma Área de Proteção Ambiental (APA) estadual com um total de 3.100 hectares (Foto: Assessoria de Comunicação Ideflor-bio)

Florestas remanescentes e florestas naturais são termos sinônimos, avalia o geógrafo Valério Gomes, professor do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares (INEAF) da Universidade Federal do Pará (UFPA). “São florestas maduras que não foram de fato derrubadas”, explica. Na avaliação do pesquisador, em comparação com outras regiões do estado, o nordeste paraense pode ser considerada a área mais desmatada do Pará, já que foi a primeira fronteira de expansão agrícola da Amazônia. Para ele, um desmate que está relacionado à construção da ferrovia Belém-Bragança, ainda no final século XIX, e da rodovia Belém-Brasília, na década de 1950.

Ainda segundo o geógrafo, atividades como a pecuária, a extração de madeira e, mais recentemente, a expansão do cultivo de dendê favoreceram a perda desse tipo de floresta. “Existe o argumento de que o dendê vai ser implementado em áreas de capoeira [mata que brotou após a derrubada da floresta original], que não vai provocar desmatamento”, pontua. “Mas, em alguns municípios, não é verdade. Em Tailândia e Moju, a expansão do dendê influenciou muito o desmatamento.”

Apesar disso, “ainda existem muitos municípios com áreas de floresta primária”, avalia o pesquisador. O município de Moju, por exemplo, que fica a 54 km a sudoeste de Belém (PA), possui uma área de 909.413,9 hectares, sendo que, deste total, 64,28% são florestas primárias, segundo estudo das pesquisadoras Arlete Silva de Almeida e Ima Célia de Guimarães Vieira, do Museu Paraense Emílio Goeldi, que analisa conflitos de terras em áreas de preservação permanente na região.

Áreas protegidas

O nordeste do estado também possui 14 unidades de conservação, sendo três estaduais e 11 federais, segundo levantamento do Instituto Socioambiental (ISA). Das unidades federais, todas são reservas extrativistas e, conforme a Lei 9.985/2000, a exploração predatória das florestas é proibida, uma vez que “só será admitida em bases sustentáveis e em situações especiais”. No total, essas unidades compõem 287.741 hectares de áreas protegidas.

Além das unidades de conservação, está no nordeste paraense a Terra Indígena Alto Rio Guamá, que reúne os povos Awá Guajá, Ka’apor e Tembé, com uma população de aproximadamente 1.700 pessoas, segundo dados do ISA. Como as terras indígenas estão situadas em regime de preservação permanente, de acordo com o Estatuto do Índio (Lei 6.001/1973), em que não é permitida supressão da vegetação, os 280 mil hectares da TI Alto Rio Guamá estão protegidos por lei.

 

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