{"id":33,"date":"2016-01-15T16:12:00","date_gmt":"2016-01-15T18:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/apublica.org\/tvsdaamazonia.new\/index.php\/jornalista-de-nivel-medio-quem-e-esse-profissional-da-amazonia\/"},"modified":"2022-05-23T13:40:45","modified_gmt":"2022-05-23T16:40:45","slug":"jornalista-de-nivel-medio-quem-e-esse-profissional-da-amazonia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apublica.org\/tvsdaamazonia\/jornalista-de-nivel-medio-quem-e-esse-profissional-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Jornalista de n\u00edvel m\u00e9dio: Quem \u00e9 esse profissional da Amaz\u00f4nia?"},"content":{"rendered":"<p>Enquanto nas capitais o movimento sindical luta para a volta da obrigatoriedade do diploma universit\u00e1rio de jornalismo, o interior da Amaz\u00f4nia Legal vive outra realidade.<\/p>\n<p>No Maranh\u00e3o e no Par\u00e1 surgiu a categoria de jornalista de n\u00edvel m\u00e9dio, formado em cursos de capacita\u00e7\u00e3o curtos, fora das universidades. Muitos ganham pouco mais do sal\u00e1rio m\u00ednimo nas emissoras e vendem an\u00fancios para completar a renda.<\/p>\n<div id=\"attachment_622\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-622\" class=\"wp-image-622 size-medium\" src=\"https:\/\/apublica.org\/tvsdaamazonia.new\/wp-content\/uploads\/site\/\/3\/e2.jpg\" alt=\"Formandos ao lado do jornalista \u00c9lbio Carvalho.\" width=\"300\" height=\"201\" \/><p id=\"caption-attachment-622\" class=\"wp-caption-text\">Formandos ao lado do jornalista \u00c9lbio Carvalho ( Foto: <a href=\"http:\/\/joaofilho.com\">joaofilho.com<\/a>).<\/p><\/div>\n<p>\u00c9lbio Carvalho, rep\u00f3rter da TV Mirante, \u00e9 o fundador do Instituto Brasileiro de Estat\u00edstica, Cultura, Educa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o (Ibecec), com sede em S\u00e3o Lu\u00eds. At\u00e9 julho de 2015, o Ibecec j\u00e1 havia formado cerca de 220 jornalistas de n\u00edvel m\u00e9dio no interior do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>As aulas ocorrem aos s\u00e1bados e ocupam o dia todo. No final do curso, de quatro meses de dura\u00e7\u00e3o, os alunos recebem um certificado para requerer o registro na Delegacia Regional do Trabalho em S\u00e3o Lu\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cA gente d\u00e1 o anzol e diz onde est\u00e1 o lago. Mas \u00e9 o aluno que tem de ir buscar o peixe\u201d, diz \u00c9lbio, ao explicar que \u00e9 o aluno que tem de dar entrada ao pedido na Delegacia Regional do Trabalho.<\/p>\n<p>A DRT do Maranh\u00e3o reconhece o certificado do Ibecec como v\u00e1lido e tem dado os registros profissionais. Mas o Sindicato dos Jornalistas n\u00e3o os aceita como associados. O conflito est\u00e1 formado.<\/p>\n<div id=\"attachment_623\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-623\" class=\"wp-image-623 size-medium\" src=\"https:\/\/apublica.org\/tvsdaamazonia.new\/wp-content\/uploads\/site\/\/3\/douglas-cunha.jpg\" alt=\"Douglas Cunha.\" width=\"300\" height=\"199\" \/><p id=\"caption-attachment-623\" class=\"wp-caption-text\">Douglas Cunha (Foto: <a href=\"http:\/\/www.djalmarodrigues.com.br\">Blog do Djalma Rodrigues<\/a>).<\/p><\/div>\n<p>Douglas Cunha \u00e9 presidente do sindicato e diz que segue as determina\u00e7\u00f5es da Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornalistas (Fenaj), que s\u00f3 reconhece profissionais graduados pelas faculdades de comunica\u00e7\u00e3o. O\u00a0sindicato tem engavetado os pedidos de sindicaliza\u00e7\u00e3o desses profissionais.<\/p>\n<h2>Escola da igreja em Bel\u00e9m<\/h2>\n<p>Em Bel\u00e9m, o jornalista e padre italiano Cl\u00e1udio Peguim, naturalizado brasileiro, dirige a Escola Papa Francisco, mantida pela Igreja Cat\u00f3lica, que tamb\u00e9m forma jornalistas de n\u00edvel m\u00e9dio.<\/p>\n<p>O ensino come\u00e7ou no final dos anos 90, de forma prec\u00e1ria. No in\u00edcio, era itinerante e as aulas eram dadas a jovens carentes na periferia de Bel\u00e9m.<\/p>\n<p>O curso tem dura\u00e7\u00e3o de um ano, com um total de 1.200 horas, incluindo est\u00e1gio. J\u00e1 formou mais de 500 alunos. Segundo o padre, o foco da escola n\u00e3o \u00e9 viabilizar o registro profissional no Minist\u00e9rio do Trabalho, mas muitos alunos foram absorvidos pelo mercado de trabalho.<\/p>\n<p>\u201cA gente n\u00e3o se preocupa com o registro na DRT. Os alunos \u00e9 que s\u00e3o os protagonistas. Nosso objetivo \u00e9 dar expectativa e esperan\u00e7a aos jovens da periferia. A comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 a alma da sociedade\u201d, diz.<\/p>\n<h2>Bronca do sindicato<\/h2>\n<p>Em 2000, o Sindicato dos Jornalistas do Par\u00e1 protestou contra a iniciativa junto \u00e0 Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), mas o curso prosperou mesmo assim e foi reconhecido pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cLevamos muita bronca do Sindicato dos Jornalistas porque , naturalmente, as empresas pagam salario menor aos nossos alunos. Mas o problema n\u00e3o \u00e9 o curso. S\u00e3o as empresas. N\u00f3s fazemos o nosso papel. O papel dos sindicatos \u00e9 fiscalizar as empresas\u201d, diz o padre.<\/p>\n<div id=\"attachment_626\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-626\" class=\"wp-image-626 size-medium\" src=\"https:\/\/apublica.org\/tvsdaamazonia.new\/wp-content\/uploads\/site\/\/3\/roberta-vilanova-e-joao-freitas.jpg\" alt=\"Roberta Vilanova e o vice-presidente Sinjor-PA, Jo\u00e3o Freitas.\" width=\"300\" height=\"200\" \/><p id=\"caption-attachment-626\" class=\"wp-caption-text\">Roberta Vilanova e o vice-presidente Sinjor-PA, Jo\u00e3o Freitas (Foto: divulga\u00e7\u00e3o).<\/p><\/div>\n<p>Roberta Vilanova, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Par\u00e1, resume sua posi\u00e7\u00e3o sobre o assunto: &#8220;Sempre fomos contra, e n\u00e3o apoiamos o desenvolvimento de qualquer tipo de forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica. A gente defende a forma\u00e7\u00e3o de n\u00edvel superior para o jornalismo. Esses cursos t\u00e9cnicos enfraquecem a nossa luta pela obrigatoriedade do diploma&#8221;.<\/p>\n<h2>\u201cSinuca de bico\u201d no Maranh\u00e3o<\/h2>\n<p>No Estado do Maranh\u00e3o, s\u00f3 h\u00e1 faculdades com cursos de jornalismo na capital e em Imperatriz. Uma est\u00e1 distante da outra cerca de 630 Km. Os jornalistas da capital, segundo Douglas Cunha, n\u00e3o se disp\u00f5em a trabalhar no interior, em raz\u00e3o dos baixos sal\u00e1rios e do custo da mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>O desemprego \u00e9 grande na capital, mas ningu\u00e9m quer ir para o interior. O sindicato tem 498 jornalistas cadastrados, mas um grande parte deles est\u00e1 fora do mercado<\/p>\n<p>Segundo Douglas, h\u00e1 projeto para organizar a categoria no estado que prev\u00ea abrir sindicatos no interior. Mas ele admite que isto n\u00e3o resolveria o problema, porque os sindicatos do interior tampouco admitiriam o\u00a0ingresso de profissionais sem o diploma.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o muito complexa, que nos deixa em saia justa. Precisamos encontrar uma possibilidade de proteger este trabalhador. Muitos deles est\u00e3o no mercado h\u00e1 mais de 20 anos. E propor o fechamento das televis\u00e3o seria invi\u00e1vel&#8221;, diz.<\/p>\n<h2>Alinhamento pol\u00edtico<\/h2>\n<p>O sindicato n\u00e3o tem informa\u00e7\u00f5es precisas sobre os casos de agress\u00e3o a esses jornalistas do interior.\u00a0&#8220;Quando tomamos conhecimento de amea\u00e7as, entramos em contato e cobramos apura\u00e7\u00e3o policial. Mas h\u00e1 um complicador: estes jornalistas, em sua maioria, trabalham em emissoras de pol\u00edticos, vestem a camisa do pol\u00edtico e atacam os advers\u00e1rios durante os programas nas emissoras. Eles criam problemas para eles mesmos&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>O sindicato, segundo Douglas defende esses profissionais quando s\u00e3o vitimas de agress\u00e3o.\u00a0&#8220;Mesmo n\u00e3o os considerando jornalistas, o sindicato sai em favor deles. Caso contr\u00e1rio, os agressor vai se achar no direito de agredir qualquer jornalista. N\u00e3o \u00e9 a defesa daquela pessoa, mas dos jornalistas \u201c, prossegue o presidente do sindicato.<\/p>\n<p>Ele admite que o v\u00ednculo indesejado entre jornalistas e pol\u00edticos ocorre tamb\u00e9m nas capitais:\u00a0&#8220;Em S\u00e3o Lu\u00eds, o jornalista que trabalha na campanha de um pol\u00edtico fica carimbado. Se o candidato perde a elei\u00e7\u00e3o, ele n\u00e3o ter\u00e1 emprego nos meios de comunica\u00e7\u00e3o que apoiaram o vencedor&#8221;.<\/p>\n<h2>Jornalista provisionado<\/h2>\n<p>\u00c9lbio Carvalho diz que os formados pelo Ibecec s\u00e3o registrados como jornalistas de n\u00edvel m\u00e9dio mesmo que tenham outros diplomas universit\u00e1rios em outras \u00e1reas.<\/p>\n<p>&#8220;O STF derrubou a obrigatoriedade do diploma, mas o candidato tem de comprovar que sabe fazer jornalismo. O Supremo delegou ao Minist\u00e9rio do Trabalho a tarefa de estabelecer os crit\u00e9rios para concess\u00e3o do registro. As delegacias regionais do MTE do Maranh\u00e3o e do Tocantins aceitam comprovante de qualifica\u00e7\u00e3o de n\u00edvel m\u00e9dio\u201d, afirma \u00c9lbio.<\/p>\n<p>Os alunos do Ibecec recebem registro de jornalista \u201cprovisionado\u201d. Esse registro era muito usual no anos 80 \u2013 depois que o decreto 83.284 de 1979 tornou o diploma obrigat\u00f3rio \u2013 para regularizar a situa\u00e7\u00e3o dos que j\u00e1 estavam no mercado e n\u00e3o se enquadravam na nova legisla\u00e7\u00e3o.\u00a0\u201cA figura do jornalista provisionado nunca acabou\u201d, diz \u00c9lbio.<\/p>\n<p>Como os alunos conseguem o registro contra o interesse do sindicato? Segundo \u00c9lbio, a anu\u00eancia do sindicato n\u00e3o teria sentido porque n\u00e3o h\u00e1 obrigatoriedade de sindicaliza\u00e7\u00e3o.\u00a0&#8220;Se a sindicaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 opcional, n\u00e3o cabe aos sindicatos dizer quem pode e quem n\u00e3o pode exercer a profiss\u00e3o\u201d, conclui.<\/p>\n<h2>Orgulho na formatura<\/h2>\n<p>Enquanto os sindicatos protestam, os alunos do Ibecec exibem os certificados de conclus\u00e3o do curso e os registros nas carteiras profissionais como trof\u00e9us.<\/p>\n<p>Prefeitos, vereadores, padres e pastores prestigiam as festas de formatura. Os formandos, vestidos com suas becas, posam para fotos com suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>A Academia Pinheirense de Letras abriu seu sal\u00e3o, em abril de 2015, para a festa de formatura de 18 alunos do Ibecec na cidade de Pinheiro, a cerca de 300 km da capital. Tr\u00eas meses depois, uma outra turma se formou na cidade de Z\u00e9 Doca (316 km da capital). A diploma\u00e7\u00e3o foi na Igreja da Matriz, com missa solene e com presen\u00e7a de formandos residentes em v\u00e1rios munic\u00edpios vizinhos.<\/p>\n<p>Algumas prefeituras que t\u00eam retransmissoras de televis\u00e3o pagam parte das despesas para os jornalistas frequentarem as aulas do Ibecec. A de Coelho Neto forneceu o transporte para cinco jornalistas frequentarem o curso em Caxias, a 85 Km de dist\u00e2ncia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto nas capitais o movimento sindical luta para a volta da obrigatoriedade do diploma universit\u00e1rio de jornalismo, o interior da Amaz\u00f4nia Legal vive outra realidade. No Maranh\u00e3o e no Par\u00e1 surgiu a categoria de jornalista de n\u00edvel m\u00e9dio, formado em cursos de capacita\u00e7\u00e3o curtos, fora das universidades. 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