{"id":287,"date":"2017-01-31T09:05:30","date_gmt":"2017-01-31T11:05:30","guid":{"rendered":"http:\/\/apublica.org\/vigilancia\/?page_id=287"},"modified":"2022-06-14T23:19:43","modified_gmt":"2022-06-15T02:19:43","slug":"cacando-infiltrados","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/apublica.org\/vigilancia\/infiltrados\/cacando-infiltrados\/","title":{"rendered":"Ca\u00e7ando infiltrados"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">A rep\u00f3rter investigativa Eveline Lubbers \u00e9 especializada em ca\u00e7ar policiais infiltrados no meio de organiza\u00e7\u00f5es civis. Isso mesmo: desde 1980, essa holandesa se dedica a desmascarar policiais infiltrados, P2, paisanos, ou como voc\u00ea quiser chamar os elementos de for\u00e7as de seguran\u00e7a que fingem ser civis para obter informa\u00e7\u00f5es sobre grupos de pessoas que se unem para fazer alguma reivindica\u00e7\u00e3o social. Fundadora do Undercover Research Group, na Inglaterra, ela acompanhou de perto o famigerado caso de um policial que foi inf<\/span><span class=\"s2\">iltrado durante setes anos no mov<\/span><span class=\"s1\">imento ambientalista londrino. \u201cDepois dele, muitos outros casos surgiram e percebem<\/span><span class=\"s2\">os que ter\u00edamos que ter uma organiza\u00e7\u00e3o para dar conta\u201d, explica. Nessa entrevista, ela revela <\/span><span class=\"s1\">como \u00e9 ser ca\u00e7a-P2 e d\u00e1 dicas para os ativistas brasileiros.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>O que a levou a investigar policiais infiltrados?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Isso foi na Holanda, em Amsterd\u00e3, nos anos 1980. Eu era parte do movimento <i>squatter<\/i>, e claro que n\u00f3s t\u00ednhamos muitos problemas com a pol\u00edcia porque ocup\u00e1vamos casas vazias. Em certo momento, eles come\u00e7aram a tentar obter informa\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de informantes ou de agentes infiltrados. Foi assim que eu comecei a apoiar ativistas com informa\u00e7\u00f5es sobre como a pol\u00edcia e as ag\u00eancias de intelig\u00eancia agem: n\u00f3s convers\u00e1vamos com pessoas que foram procuradas pela pol\u00edcia para se tornar informantes e as ajud\u00e1vamos a lidar com isso.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>Como isso se tornou uma profiss\u00e3o?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">N\u00f3s fundamos um pequeno grupo investigativo em Amsterd\u00e3, Janssen en Janssen \u2013 o nome dos detetives do Tintin, em holand\u00eas. Era um nome engra\u00e7ado porque n\u00f3s est\u00e1vamos lidando com paranoia, coisas negativas, e quer\u00edamos adicionar um pouco de divers\u00e3o. Conseguimos trabalhar apenas nisso com doa\u00e7\u00f5es e com sal\u00e1rios modestos. E mais tarde come\u00e7amos a descobrir infiltrados que vinham de grandes corpora\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m. Aquilo ampliou nossa base de pesquisa. Em 2002, eu escrevi um livro sobre como as corpora\u00e7\u00f5es lidam com ativistas, que tipo de estrat\u00e9gias elas usam, e depois, com outras pessoas, fundei a Spinwatch, um site de monitoramento de empresas. Mas depois disso eu voltei para fazer o que eu gosto, que \u00e9 investigar como a pol\u00edcia tem se infiltrado em movimentos sociais. Foi quan<\/span><span class=\"s2\">do eu escrevi o livro <i>Secret manoeuvres in the dark<\/i> [&#8220;Manobras secretas no escuro&#8221;].<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_506\" aria-describedby=\"caption-attachment-506\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-506\" src=\"http:\/\/apublica.org\/vigilancia\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/eveline-lubbers.png\" width=\"450\" height=\"310\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-506\" class=\"wp-caption-text\">Desde 1980l Eveline Lubbers se dedica a desmascarar policiais infiltrados (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/NewsPeeks)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>Como era essa infiltra\u00e7\u00e3o por corpora\u00e7\u00f5es?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Ao longo das d\u00e9cadas houve casos diferentes. Em v\u00e1rios casos, os infiltrados fingiam ser jornalistas para fazer v\u00eddeos. Por exemplo: nos anos 1990, havia uma grande campanha contra a Shell, que queria jogar uma plataforma de petr\u00f3leo de 14 mil toneladas no oceano Atl\u00e2ntico \u2013 o que as pessoas acharam uma p\u00e9ssima ideia \u2013, ao mesmo tempo, havia protestos na Nig\u00e9ria, e os militares decidiram enforcar alguns ativistas; a Shell fo<\/span><span class=\"s2\">i acusada de n\u00e3o ter agido contra isso. Ent\u00e3o havia dois grandes movimentos contra eles. Eles contrataram uma das primeiras empresas especializadas em descobrir o que as pessoas estavam fazendo online e tamb\u00e9m uma empresa privada de investiga\u00e7\u00e3o fundada por um ex-agente da intelig\u00eancia. Essa emp<\/span><span class=\"s1\">resa chamou um freelancer que fingiu ser um documentarista que fazia um filme sobre o Greenpeace e a sua luta contra a Shell. Ele teve acesso f\u00e1cil a todos os tipos de grupos. Trabalhava tamb\u00e9m para a intelig\u00eancia alem\u00e3, espionando grupos radicais na Alemanha e na It\u00e1lia. E s\u00f3 descobrimos porque os grupos ativistas come\u00e7aram a desconfiar dele.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>Como voc\u00ea fundou a organiza\u00e7\u00e3o Undercover Research Group na Inglaterra? <\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Cinco anos atr\u00e1s, aconteceu a mesma coisa: alguns grupos ambientalistas de Londres come\u00e7aram a desconfiar de uma pessoa que estava entre eles havia muitos anos. Eles descobriram que era um integrante da pol\u00edcia disfar\u00e7ado e<\/span><span class=\"s2\"> o denunciaram.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>Seu nome \u00e9 Mark Kennedy, e ele ficou durante 5 anos infiltrado, agindo como policial, e mais dois como espi\u00e3o corporativo dentro de grupos ambientalistas. Depois ele tentou fazer dinheiro com essa hist\u00f3ria, contratou um profissional de RP, e tentou vender sua experi\u00eancia para empresas de intelig\u00eancia corporativa nos EUA, sem muito sucesso. Depois de Mark, mais e mais hist\u00f3rias come\u00e7aram a aparecer. E todas foram investigadas pelos pr\u00f3prios ativistas, com a ajuda de jornalistas e <i>whistleblowers<\/i> [ex-policiais que denunciaram os casos]. Assim descobrimos que havia na pol\u00edcia londrina duas unidades dedicadas a monitorar ativistas. Uma delas come\u00e7ou em 1968<\/span><span class=\"s1\">, com os protestos contra a Guerra do Vietn\u00e3. Ou seja, esse trabalho j\u00e1 acontecia havia muito tempo.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>Essas infiltra\u00e7\u00f5es ainda ocorrem?<\/b><\/span><\/p>\n<p><span class=\"s1\">N\u00e3o sabemos. Sabemos que aconteceram at\u00e9 muito recentemente, at\u00e9 2011. E quando essa unidade da pol\u00edcia foi denunciada houve uma reorganiza\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o temos como saber se ainda n\u00e3o acontece.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>Que tipos de movimentos eram infiltrados?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Todos os tipos. Um dos argumentos da pol\u00edcia \u00e9 que eles t\u00eam que fazer isso para conter ativistas radicais ou violentos, mas, se voc\u00ea olha para o tipo de organiza\u00e7\u00f5es que eles infiltraram, s\u00e3o grupos de defesa do meio ambiente, fam\u00edlias de pessoas negras que morreram nas m\u00e3os da pol\u00edcia, direitos dos animais, movimento antiapartheid, grevistas\u2026 o que voc\u00ea puder imaginar. A maioria s\u00e3o grupos de esquerda. Mas, como a unidade j\u00e1 existia, ent\u00e3o, se o movimento antiguerra perdesse a import\u00e2ncia, eles s\u00f3 decidiam qual seria o pr\u00f3ximo que eles iam espionar. <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>Alguns desses espi\u00f5es se envolveram profundamente nesses movimentos, certo?<br \/>\n<\/b><\/span><span class=\"s1\"><br \/>\nA maioria deles vivia uma vida de ativistas por cinco anos e ficavam totalmente envolvidos nessa vida. Viviam em casas ocupadas, iam para festas. A maioria deles eram homens, ent\u00e3o mantinham relacionamentos com mulheres, em alguns casos tiveram at\u00e9 filhos. E um dia desapareciam da vida dessas pessoas, porque a miss\u00e3o acabava depois de cinco anos. Conseguimos detectar um padr\u00e3o na maneira como iam embora. No final, fingiam que tinham um colapso nervoso, problemas psicol\u00f3gicos; ent\u00e3o, essas mulheres ficavam preocupadas, cuidavam muito deles, com medo de que algo acontecesse. Eles diziam: \u201cPreciso de mais espa\u00e7o, preciso reorganizar a minha vida, e vou para o exterior, para a Europa ou \u00c1frica do Sul\u201d. Era assim que desapareciam.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>Qual era o impacto disso sobre essas mulheres?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Para todos os amigos, era uma tremenda quebra de confian\u00e7a, e para elas, pior ainda. Para essas mulheres, isso foi um problema emocional, muitas passaram muito tempo procurando seus antigos parceiros. A maioria delas t\u00eam problemas em confiar em pessoas. Se voc\u00ea tem um parceiro \u00edntimo e de repente descobre que ele \u00e9 um policial, \u00e9 um choque. E normalmente eram casados nas suas outras vidas. Oito dessas mulheres processaram a Pol\u00edcia Metropolitana de Londres, um processo civil, pedindo indeniza\u00e7\u00e3o. E tem sido um processo muito longo e demorado porque a pol\u00edcia n\u00e3o queria admitir o que tinha feito. Depois de quatro ou cinco anos, finalmente aceitou negociar e houve um acordo e um pedido de desculpas oficial.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>Qual foi o valor da indeniza\u00e7\u00e3o?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">O valor n\u00e3o \u00e9 p\u00fablico, mas eu sei que h\u00e1 outro caso, separado, de uma mulher que teve um filho com um policial infiltrado, e ela est\u00e1 pedindo 325 mil libras (cerca de R$ 1,3 milh\u00e3o) em indeniza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>Esse tipo de a\u00e7\u00e3o policial gera paranoia nos ativistas?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Sim, deixa as coisas mais dif\u00edceis. Porque, de um lado, essas organiza\u00e7\u00f5es querem ser abertas a novos membros, querem crescer, e, de outro, fica dif\u00edcil receber bem pessoas novas.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_509\" aria-describedby=\"caption-attachment-509\" style=\"width: 850px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-509\" src=\"http:\/\/apublica.org\/vigilancia\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/ambientalistas-londres.jpg\" width=\"850\" height=\"565\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-509\" class=\"wp-caption-text\">Lubbers levou a Undercover Research Group \u00e0 Inglaterra ap\u00f3s den\u00fancias de que havia um policial infiltrado no movimento ambientalista londrino (Foto: Flickr\/<a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/david0287\/16127305743\/in\/photolist-qz7EFP-81JzpW-riVbre-qz7E8z-4rY8Sz-q1yguh-8Pt4pY-ngH1X9-d7Ha8s-fPxGqz-p6EeRS-f2yTcF-pLeyw6-pLDqNc-5Vsx7R-81JzLb-q3gYVv-81EsMc-81JAH3-8367w1-pLezZ6-q3dzG2-rxwGBk-m12ghL-rxqxVk-qBhtUs-rtwKT5-qZREcB-q3w162-p6DpCB-bmTCUK-8E715f-q49ydy-nxWQHS-f26FEF-owcQ36-q41xfR-81JCL1-q49zxs-p7gE6n-q1S5sm-rveMV3-rveTH5-rg5AL4-reddQp-rvPwFX-qAKc5g-qAKgBT-rfX4Jh-rxrdjf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">David B Young<\/a>)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>Voc\u00ea acha que houve um crescimento desse tipo de estrat\u00e9gia com os protestos massivos que aconteceram desde 2011 pelo mundo?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">O que cresceu foram as den\u00fancias desses fatos. Eu acho que sempre aconteceu, mas agora as pessoas est\u00e3o mais conscientes e sabem como descobrir os infiltrados. N\u00f3s, do <a href=\"http:\/\/undercoverresearch.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Undercover <span class=\"s2\">Research Group<\/span><\/a>,<\/span> <span class=\"s1\">alcan\u00e7amos tanta expertise<i> <\/i>que, se tem algu\u00e9m que suspeita de estar lidando com infiltrados, hoje ou no passado, podemos ajud\u00e1-lo a investigar.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>Por que voc\u00ea faz o que faz?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Eu acho que em uma democracia as pessoas t\u00eam direito a protestar e a ter as pr\u00f3prias opini\u00f5es. Se voc\u00ea quer mudar as coisas que est\u00e3o erradas, algumas vezes tem que violar a lei, ocupar lugares, protestar. Esse \u00e9 o poder da democracia. Se h\u00e1 um Estado secreto, se os movimentos de protesto est\u00e3o sendo infiltrados e enfraquecidos, isso \u00e9 muito perigoso para a democracia \u2013 ou o que resta dela hoje em dia.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Em Londres, a pol\u00edcia n\u00e3o queria ser transparente sobre o que aconteceu. Nos primeiros anos, houve uma s\u00e9rie de investiga\u00e7\u00f5es internas, mas os relat\u00f3rios nunca apareciam. Descobrimos que alguns policiais usavam as identidades de crian\u00e7as que morreram cedo. E isso foi um grande esc\u00e2ndalo, dezenas de nomes de crian\u00e7as foram usadas, e no final foi muito importante que n\u00f3s continu\u00e1ssemos fazendo essa pesquisa e levando essas hist\u00f3rias aos jornais, para manter a press\u00e3o sobre a pol\u00edcia. Para mim, isso \u00e9 um motivo importante para continuarmos a publicar essas hist\u00f3rias.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>Qual o seu conselho para os movimentos de protestos no Brasil?<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Se voc\u00ea tem uma suspeita, fa\u00e7a uma investiga\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e minuciosa. \u00c9 muito importante n\u00e3o come\u00e7ar a espalhar rumores. Voc\u00ea tem que juntar um grupo de pessoas para investigar a identidade desse sujeito. Procure saber se o nome que a pessoa d\u00e1 \u00e9 correto, se ele diz que \u00e9 da m\u00eddia independente, qual \u00e9 a m\u00eddia, pergunte se ele tem contatos com quem voc\u00ea pode falar, cheque o n\u00famero de identidade dele e se as pessoas que ele d\u00e1 como refer\u00eancias o conhecem mesmo. Se voc\u00ea tem a prova, ent\u00e3o publique isso, d\u00ea publicidade, registre uma queixa oficialmente. Fique forte e n\u00e3o ceda \u00e0 paranoia.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A rep\u00f3rter investigativa Eveline Lubbers \u00e9 especializada em ca\u00e7ar policiais infiltrados no meio de organiza\u00e7\u00f5es civis. 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