Com a chacina de Pau D’Arco, Pará liderou conflitos no campo em 2017

Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) demonstram um histórico de violência decorrente de conflitos fundiários em solo paraense.

Sabatina Rede Cultura violência no campo

Guilherme Guerreiro Neto, Jéssica Oliveira, Moises Sarraf
4 minutos

“Inclusive os conflitos agrários e os conflitos no campo são maior [sic] no estado do Pará”, Cleber Rabelo (PSTU), em sabatina realizada pela Rede Cultura do Pará, no dia 17.

Dentro do tema desenvolvimento social e ambiental do Pará, Cleber Rabelo foi perguntado sobre suas propostas para a demarcação de terras de povos indígenas e quilombolas no Pará. A pergunta partiu do diretor geral do Instituto Peabiru, João Meirelles Filho.

Em sua resposta, Cleber afirmou que desenvolvimento social “passa por garantir a qualidade de vida” para a população. “Então, se você não tem plano de geração de emprego e renda, se você não tem educação de qualidade, se você não tem moradia, não tem saneamento básico, é difícil ter desenvolvimento social, é difícil ter qualidade de vida para as pessoas”, disse. No complemento, ressaltou que é preciso dar atenção ao campo no Pará, e afirmou: “Inclusive os conflitos agrários e os conflitos no campo são maior no estado do Pará”. Ainda na entrevista, disse: “isso [conflitos no campo] passa exatamente pela situação dos quilombolas, pelas áreas dos indígenas”.

Englobando temas como direitos humanos e a questão agrária no Pará, a sabatina Cultura foi transmitida em rádio, TV e web (Foto: Camila Lima/Rede Cultura de Comunicação).

Dados publicados em 2017 pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) confirmam: o Pará teve o maior índice de assassinatos por conflitos no campo naquele ano. O levantamento é o mais recente no Brasil. Dos 70 homicídios cometidos em todo o ano passado, 21 aconteceram no estado do Pará. Por isso, o Truco nos Estados, projeto de checagem jornalística que pela agência Pública e, no Pará, parceiro do portal Outros400, atribui o selo “verdadeiro” à frase de Cleber Rabelo. 

Indagada sobre a fonte utilizada para embasar a declaração, a assessoria do candidato apontou os dados da CPT para o ano de 2017.

Dos 21 assassinatos cometidos no Pará em 2017, dez ocorreram no que ficou conhecido como a “chacina de Pau D’Arco”, quando policiais civis e militares executaram trabalhadores rurais que ocupavam a fazenda Santa Lúcia, no município de Pau D’Arco, no sul do Pará. Em maio de 2017, a agência Pública publicou reportagem sobre relatos de posseiros que reforçavam a tese de execuções das vítimas. Naquele mês, em entrevista à Pública, o presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH), levantou a hipótese de que a chacina foi retaliação à morte de um segurança da propriedade. Assim, o estado teve o maior índice de mortes no campo, seguido por Rondônia, com 17 mortes, e pela Bahia, com dez assassinatos.

Em 24 de maio de 2017, dez posseiros foram assassinados durante ação das polícia civil e militar na fazenda Santa Lúcia. (Foto: Márcio Ferreira/Agência Pará).

Ainda segundo a pesquisa, a maior parte dos casos se concentra na região amazônica: foram 41 assassinatos nos estados de Pará, Rondônia e Amazonas. Os dados da CPT apontam um crescimento dos conflitos no campo nos últimos anos. Em 2013, foram 34 mortes em todo o Brasil; em 2014, o número passou a 36, subindo a 50 em 2015, até chegar em 61 no ano seguinte.

Histórico

As mortes do ano de 2017 não foram isoladas. O Pará tem um histórico de conflitos fundiários. Considerando os massacres no campo ocorridos entre 1985 e 2017, o estado do Pará também encabeça o ranking. Nesse período, em todo o Brasil, ocorreram 46 massacres, vitimando 220 pessoas. Deste total, 56% aconteceram em solo paraense: em 32 anos, 26 massacres, totalizando 125 vítimas. As informações são do Centro de Documentação “Dom Tomás Balduino”, da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Do total de conflitos no campo que que ocorreram assassinatos, a CPT registrou 1.438 casos em todo o Brasil. Neste levantamento, o Pará também registra maior índice: foram 466 casos e 702 vítimas entre 1985 e 2017. Em segundo lugar está o estado do Maranhão, com 157 casos e 168 vítimas; e, em terceiro, Rondônia: 102 casos e 147 pessoas assassinadas.

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