Linha do tempo

Há pouco mais de 500 dias ocupando a Presidência da República, Jair Bolsonaro enfrenta duas crises simultâneas: a sanitária, gerada pela Covid-19 – o Brasil já é o segundo país com maior número de casos no mundo – , e a política, que ganhou novas dimensões desde o início da pandemia. Mas crise é o que não faltou desde o início do governo: logo em seu segundo mês, o PSL, então partido do presidente, foi acusado de ter abrigado um esquema de candidaturas laranjas nas eleições de 2018, o que levou à primeira queda de ministro – Gustavo Bebianno – poucos dias depois da denúncia.

De lá para cá, outros sete ministros já deixaram o governo após disputas internas ou desentendimentos com o presidente – o último foi Sergio Moro, que atribuiu a ele a tentativa de interferência na Polícia Federal. Na área ambiental, Bolsonaro tem sido duramente criticado pelo aumento do desmatamento na Amazônia e o lançamento de medidas que, segundo especialistas, podem premiar os invasores de terras públicas – como a MP 910/2019, apelidada de “MP da Grilagem”, substituída no Congresso por um projeto de lei que aguarda votação.

A postura de Bolsonaro tem lhe rendido críticas de líderes e da imprensa internacional. No início de maio, ele foi caracterizado pela revista científica britânica The Lancet, uma das publicações médicas mais conceituadas do mundo, como “a maior ameaça à resposta do Brasil à Covid-19”. O apoio ao presidente tem se mantido mais ou menos estável ao longo das sucessivas crises: a última pesquisa do Instituto Datafolha, publicada em 28 de maio, indicou que 33% da população o avaliam como bom ou ótimo, mesmo patamar do levantamento anterior – feito logo após a saída de Moro, em 27 de abril – e um pouco acima do realizado no início de dezembro, quando a proporção dos brasileiros que o apoiavam era de 30%. Por outro lado, o mesmo instituto aponta para o aprofundamento da polarização política, com crescimento da reprovação ao governo, que na a última pesquisa atingiu 43%, sendo que no fim de abril era de 38%, e, em dezembro, de 36%.

Na linha do tempo abaixo, você entende os principais acontecimentos do governo Bolsonaro até aqui: