Pedido 0061

Proposta por

Alexandre Frota, deputado federal (PSDB)

Em análise há 253 dias

Art. 51 e 85 da Constituição Federal e Art. 4º, 9º, 10º e 11º da Lei de Impeachment

Pela terceira vez, o deputado Alexandre Frota (PSDB-SP) apresentou um pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Os dois primeiros pedidos dele, protocolados em 19 de março de 2020 e em 6 de maio de 2020, foram publicados pela nossa reportagem sem os comentários do parlamentar, que, na época, negou nossas solicitações de entrevista.

Ex-aliado de Bolsonaro, Frota também apresentou pedido de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Na época, ele assinou o pedido acompanhado pelo próprio Jair Bolsonaro e por seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL). 

Agora, na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, Alexandre Frota tem o impeachment do presidente como bandeira de campanha. Dessa vez o parlamentar decidiu conversar com a Agência Pública sobre sua mudança de postura em relação ao presidente.

 

Por Mariama Correia

Frota promete abrir impeachment do Bolsonaro “no primeiro minuto” se for eleito presidente da Câmara
Alexandre Frota

Você era aliado do presidente Jair Bolsonaro. Em qual momento mudou de opinião? 

Foi em dezembro de 2018, ainda durante a transição (do governo). O Bolsonaro já mostrou a que veio. Não honrou a palavra dele com diversas pessoas, inclusive comigo. Eu vi a maneira como ele estava tratando aqueles que ajudaram ele, entre eles o Gustavo Bebianno (ex-ministro de Bolsonaro falecido em 2020), o Julian Lemos (Deputado Federal pelo PSL). Bolsonaro usou das pessoas e, quando não precisou mais, descartou. 

Se tem algum traidor na história, algum Judas, é o Bolsonaro, o Jair Messias Bolsonaro. Foi o Bolsonaro que mudou. Mudou, traiu e deixou de cumprir várias coisas e hoje o Brasil assiste à derrota que é esse governo dele, o desgoverno que é. Os episódios da vacina deixam muito claro, o tipo de pessoa que é o Jair Bolsonaro é. 

Até agora o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), não deu andamento a nenhum pedido de impeachment contra o presidente Bolsonaro. E ele já está para sair do cargo. Como você avalia a atuação dele?

Por isso eu me candidatei à presidente da Câmara. Porque eu sou o único deputado federal candidato a presidente da Câmara que teria e tem coragem de abrir o processo de impeachment do Bolsonaro no primeiro minuto após uma vitória. 

É óbvio que isso está muito longe de acontecer. Eu não tenho jatinho, não fico pegando jatinho emprestado viajando pelos estados, não tenho R$15 milhões pra oferecer para deputado, nem cargos, nem ministérios, nem emendas. Não sou filho de prefeito, não tenho tio senador, não tenho nada a oferecer. Meu trunfo é abrir o processo de impeachment do presidente Bolsonaro. 

Com relação a atitude do Rodrigo Maia, eu só lamento. Só agora, faltando dez dias para o Rodrigo Maia ir embora, ele resolveu falar que Bolsonaro é covarde, que tem que ser impeachmado, que não é confiável.  Sendo que meu primeiro pedido de impeachment foi em março de 2019. 

Hoje existe, na sua opinião, apoio suficiente no Parlamento para um impeachment de Bolsonaro?

Olha, eu diria que hoje nós temos 120 deputados sem fazer nenhum esforço. Precisa trabalhar. O impeachment é um processo político, de muito trabalho, não é fácil. Mas o Bolsonaro, e o próprio Miguel Reale Júnior [jurista,  um dos autores do impeachment de Dilma Rousseff] já falou isso, ele já cometeu mais crimes que o Lula, que a Dilma. Eu acho que Bolsonaro já cometeu crimes suficientes para sofrer um processo de impeachment. 

E caso o processo de impeachment seja aberto, haveria, no seu entendimento, apoio da população? As pesquisas mostram que a popularidade do presidente é alta.

Por acaso hoje a popularidade dele caiu 6%. Ainda sim, tem uma parte do povo brasileiro que ainda acredita nesse charlatão. As pessoas ficaram com tanta raiva do PT que hoje elas estão cegas em relação ao Bolsonaro. No próximo dia 24, a gente tá promovendo a primeira carreata pedindo a saída do Bolsonaro. Vai sair da praça Charles Muller, às 10h30, ali no Pacaembu. Eu acho que temos tempo pra mostrar a população realmente quem é Bolsonaro. 

Li uma entrevista onde você falou que pretende usar o pedido do PSOL. E convidaria a deputada Gleisi Hoffmann (PT) para liderar a comissão do impeachment.

Ou do PSOL ou de outro. Temos muitos. Mas, sim, Gleisi Hoffmann na comissão. 

Qual o pior crime de responsabilidade, na sua opinião, que o presidente teria cometido?

Diversos, mas, entre eles, vou citar as manifestações antidemocráticas que o Bolsonaro tuitou, incentivou, convidou, participou, sem máscara, criando aglomerações. E onde, os apoiadores dele, incentivados por ele, criaram essas manifestações antidemocráticas pedindo o fechamento do Congresso, da Câmara, do Senado, a volta do Ato Institucional número 5 (AI-5). E terminou naquele bombardeio em cima do STF. Por diversas vezes o Bolsonaro ultrapassou os limites da sensatez. 

Seu pedido de impeachment mais recente fala da atuação do presidente na pandemia. Como você avalia o desempenho do governo federal na questão da vacinação dos brasileiros?

Se Bolsonaro tivesse comprado as vacinas lá em agosto não estaríamos passando por isso. Já estaríamos sendo vacinados. Ele politizou a vacina. 

O vice-presidente general Mourão assumiria no caso do afastamento de Bolsonaro. Seria uma alternativa boa, na sua opinião?

O Mourão com toda certeza é mil vezes mais inteligente, mais culto e seria uma alternativa momentânea para o país. Até porque o Mourão não deve estar cansado. Porque o que ele fez nesses últimos dois anos foi sair do carro em frente a sala dele e parar para dar entrevista com a máscara do Flamengo. Mas eu gosto dele, é uma pessoa educada que sempre me tratou bem.

 

Resumo do pedido

Pela terceira vez, o deputado Alexandre Frota (PSDB-SP) apresentou um pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Os dois primeiros pedidos dele, protocolados em 19 de março de 2020 e em 6 de maio de 2020, foram publicados pela nossa reportagem sem os comentários do parlamentar, que, na época, negou nossas solicitações de entrevista.

Ex-aliado de Bolsonaro, Frota também apresentou pedido de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Na época, ele assinou o pedido acompanhado pelo próprio Jair Bolsonaro e por seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL). 

Agora, na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, Alexandre Frota tem o impeachment do presidente como bandeira de campanha. Dessa vez o parlamentar decidiu conversar com a Agência Pública sobre sua mudança de postura em relação ao presidente.

Avise o Congresso que você quer acompanhar essa proposta 250

Pedido 0061 na íntegra