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O que podemos esperar da COP30? Hora de fazer um “esquenta” com o Tempo Quente

Temporada especial, uma parceria de Pública, Rádio Novelo e Observatório do Clima, discute os nós da crise climática

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17 de setembro de 2025
17:00
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A 30ª Conferência do Clima da ONU, a COP30, começa em menos de dois meses em Belém com o desafio de ser a “COP da implementação”. De ser o momento catalisador em que os países fortaleçam o multilateralismo e se unam em um mutirão para combater o inimigo comum a todos: a crise climática. 

Ao menos esse é o objetivo, ou a esperança, da presidência da COP30, liderada por André Corrêa do Lago e Ana Toni, em meio a um contexto geopolítico mundial conturbado que tem desviado o foco das nações para outros problemas mais prementes, como guerras e tarifaços.

Eles sabem que o momento não está exatamente propício para acordos ambiciosos em relação, por exemplo, ao abandono dos combustíveis fósseis, ao aumento do investimento internacional em ações climáticas e a ter metas mais efetivas para conter o aquecimento do planeta. Por isso, os dois têm reforçado a mensagem de que precisamos acelerar as coisas que já foram acordadas no passado, que não foram poucas.

Então, o que podemos esperar da COP30? E o que vai sair desta conferência – ou de qualquer outro encontro climático – pode ser suficiente para enfrentarmos realmente os desafios do combate à crise climática? É das COPs que vão sair soluções para questões que esbarram nos complicados cenários econômicos e políticos de cada país?

Para debater questões como essas, a Agência Pública, em parceria com a Rádio Novelo e o Observatório do Clima, lança nesta quarta-feira uma temporada especial do podcast Tempo Quente: Esquenta pra COP30.

Talvez alguns dos caros leitores que me acompanham por aqui já conheçam o programa de alguns anos atrás. Em 2022, eu produzi com a Novelo a primeira temporada do Tempo Quente, uma série em oito episódios narrativos que abordavam os lobbies e as forças políticas deste país que impediam (impedem…) que a gente avançasse na corrida contra a crise climática. 

Eram histórias sobre como alguns poucos estavam ganhando muito enquanto o resto da população só perdia.

De lá para cá, algumas coisas mudaram. Mas os lobbies… (do carvão, do petróleo, do agro), ah, esses continuam cada vez mais fortes, colocando o país no rumo de explorar ainda mais combustível fóssil e dificultando os esforços para que a gente zere o desmatamento. Muitas dessas discussões, o caro leitor já tem acompanhado aqui neste espaço.

Mas hoje quero te convidar a ouvir sobre esses pontos de modo mais aprofundado nos seis episódios desta temporada especial do Tempo Quente, que vem num formato um pouco diferente. A cada episódio, eu e a produtora da Novelo Bárbara Rubira conduzimos entrevistas sobre alguns dos grandes elefantes na sala quando a gente fala a sério sobre combater a crise climática.

A humanidade consegue realmente se livrar dos combustíveis fósseis? O desmatamento zero é possível? A tão necessária adaptação que precisa ser feita para nos proteger de eventos extremos leva em conta aqueles que são os primeiros a morrer? Como vamos pagar essa conta que está na ordem dos trilhões de dólares?

Desafios que, na verdade, não são somente da COP em Belém, mas das conferências do clima de um modo geral. A verdade é que cada cúpula é como um tijolinho de uma construção maior, etapas de um longo processo em que, às vezes, se dá dois passos para frente e um para trás. 

Há avanços, claro. A situação seria muito mais complicada se, há 30 anos, o mundo não tivesse se disposto a discutir, ano a ano, como fazer para lidar conjuntamente com esse problema tão definidor dos nossos tempos. Mas os avanços ainda são muito tímidos diante da complexidade e da urgência do problema. E estão sendo colocados em modo de espera diante do complicado contexto geopolítico.

No 5º episódio, em que conversamos com o presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, e com a diretora-executiva da conferência, Ana Toni, ele admite que “é uma conclusão razoavelmente legítima” dizer que neste momento o mundo não quer discutir o que é o mais importante para a mudança do clima, referindo-se especificamente ao abandono dos combustíveis fósseis.

Logo no começo da temporada a gente fala sobre por que essa é uma das mudanças mais fundamentais que o mundo precisa fazer, mas também das mais difíceis. Não se trata apenas de ter alternativas energéticas viáveis e mais baratas aos fósseis, mas de conseguir mexer em modelos de desenvolvimento econômico e até em questões culturais.

No primeiro episódio, o historiador Luiz Marques, autor de livros como “Capitalismo e colapso ambiental”, “O Decênio Decisivo” e, o mais recente: “Ecocídio”, é radical e defende que o único jeito de tirar a gente dessa encrenca é promover uma ruptura no modelo econômico. “Nós podemos sair dos combustíveis fósseis se, e somente, houver uma ruptura civilizacional”, diz ele.

Ou seja: não vai ser simples! Só que, enquanto isso, as emissões continuam em alta, a temperatura do planeta continua subindo e os eventos extremos, cada vez mais fortes e frequentes. Não cabe só à COP de Belém resolver todos esses nós. Mas a gente precisa torná-los prioridade o quanto antes. Isso se a COP não flopar por causa das caras hospedagens, claro. Até agora somente 79 países, dos 198, confirmaram que vão vir.

Nas próximas edições desta coluna conto mais dos outros episódios. Enquanto isso, vai escutando e me conta aqui o que achou.

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