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Especial

COP30: A crise do clima em foco

Acompanhe a cobertura da Agência Pública sobre a COP30 (30ª Conferência do Clima da ONU) em Belém, Pará

Especial

O Brasil recebe, em novembro, a 30ª Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP30, o principal evento do mundo para discutir os esforços para conter o aquecimento global.

A cúpula ocorre em um momento de agravamento da crise climática, em que eventos extremos se acumulam pelo mundo, causando mortes, destruição e prejuízos econômicos, e depois de, pela primeira vez, a temperatura média do planeta ter ultrapassado o aquecimento de 1,5 °C.

Da mitigação à adaptação, das perdas e danos à transição energética, a Agência Pública conta histórias que se relacionam com os compromissos assumidos pelo Brasil, os gargalos para o seu cumprimento, além dos impactos da própria realização da COP30 no país.

O que está em jogo?

Redução de gases de efeito estufa
Aluno da Escola Estadual Professor José Escobar leva a garrafa de água para se hidratar durante a aula no dia em que os termômetros da região marcaram 35 graus.
Adaptação climática
Realização da COP29 em Baku no Azerbaijão
Financiamento climático
Energias renováveis e baixo carbono
Preservação de florestas e biodiversidade
Justiça climática e impactos sociais
Redução de gases de efeito estufa

Estratégias globais para cortar emissões e conter o aquecimento em 1,5 °C.

Adaptação climática

Medidas para reduzir vulnerabilidades e preparar comunidades para os impactos do clima.

Financiamento climático

Apoio financeiro de países ricos para nações em desenvolvimento enfrentarem a crise climática.

Energias renováveis e baixo carbono

Expansão de fontes limpas e tecnologias sustentáveis para substituir combustíveis fósseis.

Preservação de florestas e biodiversidade

Proteção de ecossistemas vitais para absorver carbono e manter o equilíbrio ambiental.

Justiça climática e impactos sociais

Busca por equidade nas políticas climáticas, protegendo populações mais afetadas.

Destaques da cobertura

Congresso derruba 52 vetos de Lula sobre licenciamento ambiental uma semana após COP30


COP30 frustra lideranças da Marcha das Mulheres Negras: “não conseguimos avançar”


‘Sempre foi com luta’: na COP30, indígenas resistem pelo clima e por nós


Cobertura completa

COP30: Multilateralismo vive, mas crise climática é mais veloz que as negociações

COP30 acaba sem mapa para fim de fósseis, avança em adaptação, transição justa e indígenas

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Tema mais crítico para combate à crise climática travou negociações, e presidência brasileira propõe saída alternativa
Marcele Oliveira, Jovem Campeã do Clima da Presidência da COP30

Líderes precisam de senso de realidade, diz jovem liderança do clima na COP30

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Marcele Oliveira, representante da juventude, critica que líderes não vivem os impactos do clima sobre os quais decidem

COP30 na Amazônia pode terminar sem citar combustíveis fósseis nem desmatamento

Imagem mostra momento de incêndio em pavilhão da COP30

Rápido como o fogo: desinformação vira arma política sobre incêndio na COP30

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Fogo na conferência é usado nas redes para reforçar desinformação sobre obra chinesa presentada a Brasil
Kudakwashe Manjonjo, especialista em transição justa na Climate Action Network

Mortes em mina de cobalto na RD Congo revelam injustiças na transição energética

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Especialista do Zimbábue defende mecanismo para países do Sul Global negociarem transição com nações ricas

COP30 será capaz de entregar um mapa do caminho para o fim dos combustíveis fósseis?

COP30 irá falhar sem roteiro para fim dos combustíveis fósseis, diz pesquisador

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Johan Rockström alerta: plano para fim dos fósseis precisa entrar em vigor já em 2026
Imagem aérea mostra alagamentos no Jardim Pantanal, Zona Leste de São Paulo, em fevereiro de 2025

“Caos climático” pode ser evitado: veja os caminhos indicados pela Ciência

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Mudanças precisam ser estruturais, com corte na emissão de gases e queda no consumo dos mais ricos, dizem cientistas

Céu da COP30: Federais detectam mais de 2.300 drones e “tomam o controle” de ao menos 190

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Aparato tecnológico que identifica e pode controlar aeronaves foi instalado em pontos estratégicos da capital paraense
Cúpula dos Povos em Belém, Pará, durante a COP30

Cúpula dos Povos reúne 20 mil e apresenta agenda popular para a COP30

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Movimentos cobram fim dos fósseis, desmatamento zero, transição justa e incluem pela primeira vez as vozes das crianças

Qual tem de ser o resultado da COP30 para ser a “COP da implementação”?

Lobistas de empresas de combustíveis fósseis batem recorde na COP30

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Enquanto representantes de petroleiras circulam na conferência, manifestantes protestam contra petróleo na Amazônia

A Amazônia que chega a Belém para cobrar justiça climática

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Ato de mais de 200 embarcações abriu Cúpula dos Povos, que reivindica participação popular nas decisões sobre o clima

Marina Silva angaria sinais de apoio a roteiro para o fim dos combustíveis fósseis

Governo brasileiro coloca irmãos Batista da JBS em “lista VIP” da COP30

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Dupla está credenciada pelo país anfitrião com acesso à área restrita da Conferência, a chamada Zona Azul
O cacique indígena Raoni Metuktire participa do painel sobre exploração de petróleo e gás na foz do Amazonas durante a 30ª Conferência das Partes (COP30)

Raoni desafia planos de Petrobras e Lula na COP30: “Não queremos petróleo na Amazônia”

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Liderança dos Kayapó, cacique se opõe a exploração de petróleo pela Petrobras na foz do Amazonas
Imagem mostra canteiro de obras no parque do igarapé São Joaquim

Obras bilionárias da COP30 revelam contradições entre progresso e precarização em Belém

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De um lado, o prometido legado; de outro, atrasos e queixas de operários por salários e condições de trabalho
Participantes chegam para a 30ª Conferência das Partes (COP30)

COP30 começa hoje: entenda o que está em jogo e o que podemos esperar

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Abandono dos combustíveis fósseis, financiamento e metas para adaptação devem nortear as negociações em Belém

Times de futebol do Pará vestem camisa contra crise climática em apoio à COP30

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Clubes paraenses transformam uniformes em mensagem ambiental de engajamento na contramão de clubes de futebol da Série A

COP30: Parlamentares de SP irão denunciar Tarcísio por negligência climática

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Comitiva liderada pelo deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL) apresentará dossiê com denúncias
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa na Abertura da Sessão Plenária Geral dos Líderes Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas COP 30

Lula dá tom da COP30 e pede fim dos fósseis, apesar de ser pró-petróleo na foz do Amazonas

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Presidente endossa Marina Silva ao afirmar que COP tem de trazer caminho para superar a dependência de combustíveis

Quilombolas denunciam exclusão do espaço de decisões na COP30

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Comunidades contribuem para o combate à crise climática, mas faltam credenciais para representantes na conferência

US$ 1,3 trilhão em financiamento climático é possível, mas precisa querer

Transição justa: entenda a luta que pode definir o sucesso da COP30 em Belém

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Países ricos têm concentrado patentes e recursos para “limpar” sua energia; Brasil e outras nações querem mudar o jogo

Pesquisa pré-COP30: demarcação de terras e mudanças climáticas unem Brasil polarizado

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Levantamento mostra que progressistas e patriotas concordam sobre proteção de indígenas e interferência humana no clima

A toque de caixa: Senado aprova em 5 minutos lei que beneficia termelétricas a carvão

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Em votação a jato e às vésperas da COP30, políticos aprovaram texto que dá mais benefícios para termelétricas a carvão
Ilustração mostra os impactos das amudanças climáticas na primeira infância

Nascidos no caos climático

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Geração que veio ao mundo a partir de 2020 deve enfrentar níveis sem precedentes de eventos extremos ao longo da vida

Amazônia alcança a terceira menor taxa de desmatamento da história

Afinal, quanto dinheiro o Brasil recebeu de financiamento climático?

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Estudo da Oxfam aponta que só 24% dos recursos declarados pelas nações ricas representam ajuda efetiva ao país

Ilha do Combu: do palco de Mariah Carey às mudanças climáticas

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Longe dos holofotes do espetáculo, área protegida enfrenta erosão, turismo predatório e ausência do Estado

A carne que esquenta o planeta: maiores produtoras impactam tanto quanto petrolíferas

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Relatório mostra que grandes empresas de proteína animal e laticínios emitem mais gases estufa que maioria dos países
Ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara

Participação indígena na COP30 é primeiro passo para conquistas, avalia Sonia Guajajara

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Em entrevista, ministra comemora recorde de indígenas na Conferência, enquanto vê dificuldades para avanços nas pautas

Liberação para furar foz do Amazonas na véspera da COP30 é começo de corrida por petróleo

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Decisão enfraquece principal ponto a ser atacado na conferência: o abandono dos combustíveis fósseis

Fim da moratória da soja ameaça indígenas, enquanto ministério foca em demarcações e COP30

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MPI se esforça por demarcações e para ter 3 mil indígenas na COP30, mas soja do agro avança e preocupa povos originários
Termelétrica Candiota III

Brasil ainda subsidia eletricidade a carvão enquanto busca liderança climática na COP30

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País gasta mais de R$ 1 bi por ano com térmicas no Sul, mas planos de transição energética justa ainda engatinham

Enquanto a negociação climática anda devagar, a concentração de CO₂ dispara

Moradores ‘abraçam’ castanheira no Território Quilombola Menino Jesus, em Acará, no Pará

Quilombolas no Pará enfrentam projeto de aterro sanitário em área suspeita de grilagem

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A menos de 600m de um quilombo, local deve receber lixo da capital, Belém; Defensoria Pública aponta irregularidades

De terreno abandonado a moradia: a história de como as ocupações moldaram a grande Belém

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Jaderlândia, Terra Firme, Bengui, Paar e Jurunas: bairros surgiram de iniciativas populares pela falta de moradia
Vista aérea da cidade de Belém, no Pará

COP30 escancara crise de moradia, energia e água em Belém

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Aumento do preço das hospedagens aponta para um antigo problema da cidade que afeta população há anos
O centro-norte da Amazônia, onde ainda há grandes faixas de florestas bem preservadas, como o Parque Nacional do Jaú (AM), é a área em que as temperaturas extremas mais subiram nos últimos 40 anos: mais de 3°C

Amazônia enfrenta escalada inédita de temperaturas extremas em áreas ainda preservadas

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Estudo mostra que mudanças climáticas colocam em risco mesmo áreas de floresta sem desmatamento

O que podemos esperar da COP30? Hora de fazer um “esquenta” com o Tempo Quente

Castanheiras na floresta da Terra Indígena Erikpatsa, do Povo Rikbaktsa.

COP30: Brasil aposta em fundo para preservar florestas contra impasse sobre financiamento

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Se funcionar, a iniciativa será a maior do mundo em volume de recursos para conservar florestas em pé

Nas cidades campeãs em royalties de petróleo, gasta-se muito, mas pobreza persiste

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Cidades de ES, RJ e SP receberam R$ 150 bilhões desde 1999, mas índices de saúde, educação e saneamento continuam ruins

Dinheiro do petróleo não resolveu problemas em Presidente Kennedy e Campos dos Goytacazes

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Cidades que mais recebem royalties têm indicadores socioeconômicos ruins e foram incapazes de reduzir desigualdades
Imagem mostra mesa de gravação da rádio nacional dos povos

Contra “racismo estrutural” na mídia e mirando COP30, quilombolas e indígenas lançam rádio

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Rádio vai discutir COP30, mudanças climáticas, saberes ancestrais e denúncias focando em vivências sem “intermediários”
Obra da Avenida Liberdade no Pará

Às vésperas da COP30, avenida em Belém é alvo de ação por impactos a comunidade

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Defensoria pede que construção da Avenida Liberdade seja interrompida por ignorar ribeirinhos e desmatar área protegidas
Imagem aérea da área de exploração de amianto da mineradora SAMA.

Do amianto às terras raras, cidade de Goiás vive entre passado e futuro da mineração

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Após 60 anos de exploração, Minaçu quer recomeço com minerais da transição energética disputados por China e EUA

Desmatamento dobra em maio: governo aponta mudança do clima e colapso por fogo como causa

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Alertas de desmatamento da Amazônia entre agosto e maio sobem 9%, um indício de inversão da queda dos últimos anos

Presidente da COP 30 quer pressão para que líderes façam mais pelo clima

Montagem mostra uma mão humana levantando um pedaço de pasto com bois, revelando por baixo uma floresta densa, sugerindo que o desmatamento causado pelo agronegócio está sendo ocultado ou disfarçado.

Autorização de limpeza de pasto mascara e ‘legaliza’ desmatamento ilegal

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Sub-representação na COP30 é avaliada em guia, e órgãos criticam falta de estímulo à participação de jovens: “simbólico”
Pessoas de diferentes idades participam de um protesto climático em uma cidade europeia, segurando cartazes com frases como "Leave it in the ground" e "We do not give up on our beautiful planet". Ao fundo, há prédios antigos e uma igreja. A imagem representa a mobilização da sociedade civil que se intensifica rumo à COP30, com o objetivo de pressionar líderes por justiça climática.

Sociedade civil planeja ocupar as ruas e pressionar governos na COP30

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COP30: Decisão de Lula para presidência da cúpula reforça aposta no clima frente a Trump

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Experiente diplomata, Corrêa do Lago terá de superar cenário de incerteza geopolítica para obter sucesso na COP de Belém

Bom Dia, Fim do Mundo

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Equipe
Dicionário COP30

A 30ª Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP30, acontece em Belém, capital do Pará, a partir do dia 10 de dezembro deste ano. No evento, que é o principal do mundo para discutir os esforços para conter o aquecimento global, uma série de siglas e termos ilustram marcos, desafios e projetos que serão discutidos pelos representantes dos países.

Para te ajudar a navegar nesse mundo de termos, a Agência Pública preparou um dicionário com os dez principais termos da COP30.

  • COP30

A COP é uma reunião anual entre os 198 países que assinaram, em 1992, um acordo para enfrentar o aquecimento global. A sigla significa “Conferência das Partes”, sendo que as partes são, justamente, os países que assinaram esse tratado.

As COPs são organizadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e são espaços formais de negociação entre os países.

No final, cada conferência produz um documento, definido por consenso, com metas e medidas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa e adaptar os países às mudanças climáticas.

O objetivo é gigantesco: evitar um aquecimento descontrolado do planeta, que pode ameaçar a vida humana na Terra.

  • Acordo de Paris e meta de aquecimento de 1,5 ºC

A atividade humana alterou a concentração de gás carbônico na atmosfera. E as principais razões foram a queima de carvão, petróleo e gás para gerar energia.

Do início do século 20 para cá, a concentração de gás carbônico disparou, elevando a temperatura média da Terra em 1,1 grau Celsius. Pode parecer pouco, mas esse aquecimento em um período tão curto de tempo é inédito na história do nosso planeta, e é ele que tem causado eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.

Foi para frear esse aquecimento, quase 200 países assinaram, em 2015, o chamado Acordo de Paris. Ele tem força de lei e definiu que os países precisam cortar suas emissões para manter o aumento da temperatura da Terra abaixo de 2 graus, de preferência em até 1,5 ºC (1 grau e meio).

Esse é o limite considerado “seguro” pela ciência para evitar um cenário imprevisível, com ainda mais eventos climáticos extremos, mortes, deslocamentos forçados e perdas econômicas.

  • Mitigação e adaptação

Essas duas palavras são a grande dupla quando o assunto é crise climática: porque são as duas principais frentes para combater as mudanças do clima.

Mitigar significa reduzir as emissões de gases do efeito estufa, que são causadas – principalmente – pela queima de combustíveis fósseis para geração de energia, transportes e processos industriais. No caso do Brasil, também pelo desmatamento e pela agropecuária. Diminuir o desmatamento é mitigar. Trocar fontes de energia poluentes por fontes limpas, também.

Já adaptar significa preparar as cidades, as comunidades e os setores da economia para enfrentar eventos extremos e o aumento de temperatura. Adaptação pode ser, por exemplo, tomar medidas para que as cidades fiquem mais resilientes a chuvas extremas, evitando desastres.

Mas como fazer isso? Essa é uma das grandes questões da COP30, que vai discutir metas globais de adaptação para que todo mundo vá junto na direção certa.

  • Racismo ambiental

A crise climática é um problema global, mas ela não afeta todo mundo do mesmo jeito.

Populações negras, periféricas, quilombolas, indígenas e ribeirinhas muitas vezes estão entre as principais vítimas de eventos climáticos extremos, como enchentes e tempestades que provocam deslizamentos de terra ou secas severas. É o que chamamos de “racismo ambiental”.

O racismo ambiental reflete as desigualdades históricas de acesso de determinadas populações a direitos como saneamento básico e locais seguros para viver. Também reflete a falta de políticas públicas para essas populações, que acabam mais vulneráveis a desastres e expostas a áreas de risco.

Para dar um exemplo: uma pesquisa do Datafolha mostrou que a população negra, mais pobre e com menor escolaridade, foi a que mais sofreu perdas de bens e de renda nas enchentes no Rio Grande do Sul no ano passado.

O termo “racismo ambiental” foi criado por um ativista afro-americano nos anos 1980, nos Estados Unidos, para mostrar como as comunidades negras estavam mais expostas a lixo tóxico no país. De lá pra cá, o conceito foi ampliado e se tornou um ponto central do debate climático.

  • Justiça climática

Você já ouviu falar de Tuvalu? É um país-ilha no Pacífico que está ameaçado de extinção por causa das mudanças climáticas. Isso mesmo: extinção. Mesmo mal tendo emitido gases do efeito estufa, Tuvalu corre o risco de ficar debaixo d’água por causa do aumento do nível do mar.

Injusto, né? A crise climática é bem injusta, porque, no geral, os países e comunidades que menos contribuíram para o problema são os que mais sofrem com ele.

Só dez países no mundo – incluindo o Brasil – representam juntos quase 70% das emissões.

E, a cada ano, o 1% mais rico da população global produz 16% de todas as emissões.

Enquanto isso, mais de 3 bilhões de pessoas vivem em lugares muito vulneráveis às mudanças climáticas.

É por isso que nessas discussões se fala tanto em justiça climática.

Esse conceito é uma forma de tentar garantir que os mais vulneráveis e menos responsáveis pela crise climática não sejam os mais afetados por ela – e que também não sejam ainda mais prejudicados por medidas de adaptação e de transição energética.

  • Transição energética

No combate às mudanças climáticas, um dos temas mais importantes é energia. Isso porque a maior parte das emissões de gases do efeito estufa vem da queima de combustíveis fósseis. Petróleo, gás e carvão respondem por 80% da produção de energia global.

Para mudar esse cenário se fala de transição energética, ou, melhor, transição energética justa. Transição energética significa mudar as fontes de produção de energia na economia. Hoje, isso implica em abandonar petróleo, gás e carvão e adotar fontes bem menos poluentes, como solar, eólica e hídrica.

Na COP28, os países reconheceram a necessidade de fazer uma transição para longe dos combustíveis fósseis e de triplicar a capacidade das energias limpas até 2030.

Mas essa transição precisa ser justa. Ou seja, ninguém pode ficar para trás: os empregos e as comunidades não devem ser prejudicados, e os impactos econômicos e ambientais precisam ser minimizados.

  • NDC ou Contribuição Nacionalmente Determinada

Neutralizar emissões. Fazer uma transição energética. Zerar o desmatamento. Talvez você já tenha ouvido algum desses compromissos ser anunciado com pompa e circunstância pelos países.

Eles fazem parte de uma sigla menos conhecida: NDC, ou Contribuição Nacionalmente Determinada.

As NDCs são o coração do Acordo de Paris. Nelas, cada país precisa dizer exatamente quanto – e como – vai reduzir suas emissões, sempre com o objetivo coletivo de evitar que o aumento da temperatura da Terra passe de 1,5 grau Celsius.

Acontece que a gente está longe desse objetivo. Pela última leva de NDCs, apresentada há cinco anos, a previsão é de que o aquecimento chegue a pelo menos 2,6 graus até o final do século.

Mas há esperança: 2025 é ano de atualização das NDCs, que vão ser discutidas na COP30. Hora dos países provarem que vão fazer mais para enfrentar a crise climática.

  • GST

GST vem do inglês Global Stocktake, que a gente pode traduzir como “balanço global”. Ele é uma avaliação, ou um balanço, para ver se o mundo está se aproximando dos objetivos do Acordo de Paris para impedir que o aquecimento da Terra ultrapasse um grau e meio.

Como prometer é fácil, o acordo determinou que esse balanço seja feito a cada cinco anos. O primeiro deles foi finalizado em 2023, e a má notícia é que ele mostrou que a gente não está no caminho para limitar o aquecimento global.

A medida mais importante é diminuir muito o uso dos combustíveis fósseis – algo que os países produtores de petróleo vêm resistindo.

  • 1,3 trilhão de dólares

Se tem uma coisa que os países mais pobres precisam para enfrentar as mudanças climáticas é de dinheiro. Mas se tem uma coisa que os países ricos não querem abrir mão também é de dinheiro.

A disputa por recursos é central nessas negociações está no centro da COP30.

Apesar de a crise climática atingir todo mundo, ela não foi causada por todos na mesma medida. As nações que se industrializaram primeiro são as maiores emissoras históricas de gases do efeito estufa – e os Estados Unidos lideram esse bonde dos principais responsáveis pela situação atual.

Mas como todo mundo precisa agir, 15 anos atrás houve um acordo: os países desenvolvidos iam mobilizar 100 bilhões de dólares por ano para ajudar os países em desenvolvimento até 2025. No ano passado, eles tiveram que negociar uma nova meta que ficou em 300 bilhões de dólares.

Esse valor ainda é considerado muito insuficiente. Cálculos apontam que os países em desenvolvimento precisam de 1,3 trilhão de dólares para lidar com a crise climática. Uma das responsabilidades da presidência da COP30, que é brasileira, e da COP29, que foi do Azerbaijão, é resolver como chegar a esse valor.

  • TFFF

Na COP30, o Brasil lança uma grande iniciativa. E, apesar de ser uma ideia brasileira, ela já é conhecida no mundo pela sua sigla em inglês: TFFF, que significa Tropical Forests Forever Fund, ou Fundo Florestas Tropicais para Sempre.

A ideia é que países passem a receber dinheiro por manter em pé suas florestas. Se der certo, pode representar o maior volume de recursos da história para a conservação de florestas tropicais, como a Amazônia e a Mata Atlântica.

Hoje, a maior parte desses recursos vem de doações e, por isso, são muito inconstantes. Com o TFFF seria diferente: todos os anos, países como o Brasil podem receber cerca de 4 dólares por hectare de floresta em pé. Áreas desmatadas ou degradadas vão ser descontadas.

Para isso funcionar, o TFFF vai operar como um fundo de investimentos com um financiamento inicial de países ricos. O fundo vai investir os recursos e usar os rendimentos para pagar os países tropicais.

O pontapé inicial já foi dado – quase 6 bilhões de dólares foram anunciados nas vésperas da COP30 com valores da Noruega, França, Brasil, Indonésia e Portugal, enquanto outros países avaliam sua contribuição.