Agência de Jornalismo Investigativo

Minidoc coproduzido pela Pública retrata a vida de um imigrante boliviano de segunda geração no centro de São Paulo

27 de setembro de 2013

Denílson Mamami, 15 anos, mora no Bom Retiro, bairro central de São Paulo. Como todo jovem de sua idade, sonha em fazer universidade, ter uma boa carreira, deixar sua mãe orgulhosa, casar e ter filhos. Estuda na escola estadual João Kopcke, também no centro, a poucos metros da estação Júlio Prestes. Gosta de passear com sua namorada,  de encontrar seus amigos para ouvir e compor músicas românticas e de hip hop. Mas Denílson – conhecido como “Choco” – assim como 1/3 dos alunos de sua escola, nasceu na Bolívia. Mora no Brasil desde os 9 anos.  Como ele, milhares de adolescentes bolivianos, ou filhos de imigrantes bolivianos, vivem atualmente em São Paulo.

A Pastoral do imigrante estima que a população de bolivianos em São Paulo esteja entre 50 e 200 mil habitantes (dado que não pode ser comprovado porque muitos estão em situação irregular). A grande maioria trabalha em oficinas de costura existentes em toda a cidade, mas que se concentram em bairros centrais como Brás e Bom Retiro. A comunidade boliviana é tida como a maior comunidade de latino-americanos residentes no Brasil. Em 2010, quando o Governo Lula concedeu anistia aos imigrantes ilegais do país, dos 42 mil pedidos de naturalização, mais de 17 mil eram de cidadãos bolivianos.

Os pais de Choco vieram ao Brasil há 15 anos, em busca de oportunidades de trabalho. Durante a infância ele foi criado pela avó em La Paz, capital da Bolívia, enquanto seus pais buscavam se estabelecer em São Paulo como costureiros. Apenas aos 9 anos, sua mãe, já separada do pai, foi busca-lo na Bolívia morar com ela no bairro do Bom Retiro, onde moram e trabalham, no mesmo quarto do antigo sobrado que dividem com outras famílias bolivianas. Na sala da casa funciona uma oficina de costura, onde os adultos trabalham extensas jornadas diárias.

Denílson e outros adolescentes reunidos num domingo na feira da Kantuta, ponto de encontro da comunidade boliviana em São Paulo.
Denílson e outros adolescentes reunidos num domingo na feira da Kantuta, ponto de encontro da comunidade boliviana em São Paulo.

Os costureiros bolivianos de São Paulo ganharam visibilidade na mídia após diversas denúncias de oficinas que mantinham os imigrantes em condições análogas à escravidão. Mas o minidoc 100% Boliviano, mano foi em busca de investigar como vive a segunda geração de bolivianos que reside na cidade. Entre a vivência cotidiana do preconceito – pejorativamente apelidados de “índios” ou “bolívias”, descrevem um cotidiano de agressões físicas e verbais  – eles compartilham  o desejo de permanecer no Brasil e de não trabalhar na costura.  Assista ao vídeo da Pública, uma parceria coma  Grão Filmes  que foi contemplado pelo 4º edital Sala de Notícias do Canal Futura.

Você precisa ser um aliado para comentar.
Fechar
Fechar
Só aliados podem denunciar comentários.
Fechar

Explore também

A revoada dos passaralhos

10 de junho de 2013 | por , e

Demissões em massa nos grandes jornais acontecem de forma sucessiva e tornam os jornalistas mais inseguros, vulneráveis, explorados – e com menor liberdade de expressão

Ligações perigosas: a DEA e as operações ilegais da PF brasileira

8 de abril de 2013 | por

Documentos mostram que o ex-diretor da PF, general Caneppa, tido como um dos primeiros líderes da Condor, efetuou prisões e extradições ilegais a pedido do departamento anti-drogas americano

Descobertas arqueológicas no terreno do estaleiro Jurong

5 de março de 2015 | por

Depois de uma longa batalha, repórter confirma a existência de três sítios arqueológicos na área doada pela prefeitura de Aracruz à empresa de Cingapura

Mais recentes

Ilona Szabó: “A direita está falando em renovação política para chegar ao autoritarismo”

23 de abril de 2019 | por

A especialista em segurança pública - exonerada dois dias depois de nomeada suplente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária por pressão das redes de direita - fala em razão e empatia para lidar com o ódio e a polarização da sociedade

Ocupar propriedade não é terrorismo, diz ex-Relator Especial da ONU

23 de abril de 2019 | por

Especialista que estabeleceu parâmetros internacionais para legislações diz que governo Bolsonaro deve usar Lei Anti-terrorismo de maneira “oportunista”

“Desfaça tudo essas reservas”, diz produtora a secretário em reunião de fazendeiros do Pará com governo federal

22 de abril de 2019 | por

Em encontro fechado no Ministério da Agricultura, ruralistas do Pará cobram do governo Bolsonaro – apoiado por eles desde a campanha – medidas contra política ambiental, e mesmo ilegais, como fim da fiscalização e revogações de UCs