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PRF parou cinco vezes mais ônibus no Nordeste que no Sul

Reportagem teve acesso a dados de fiscalização deste domingo: foram 274 ônibus fiscalizados no Nordeste contra 48 no Sul

Reportagem
30 de outubro de 2022
18:26
Este artigo tem mais de 4 anos

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Agentes da polícia rodoviária federal durante operação em rodovia.
Polícia Rodoviária Federal

Quase metade dos ônibus fiscalizados em operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) até as 15h deste domingo estavam em estados do Nordeste, região onde o Jair Bolsonaro perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva em todos os estados. Segundo levantamento exclusivo da Agência Pública a partir de dados internos da PRF, foram 274 veículos fiscalizados em estados nordestinos, o que representa 48% de um total de 560 ônibus fiscalizados pela corporação em todo o país até o horário. 

No Sul, foram fiscalizados 48 ônibus. Todos os estados da região deram vitória para Jair Bolsonaro no 1º turno.

O número de ônibus fiscalizados pela PRF é 88% maior que no 1º turno. Segundo os dados, policiais fiscalizaram 297 ônibus entre os dias 1 e 2 de outubro. 

Alagoas é o estado com a maior quantidade de veículos fiscalizados: 85. Por lá, o candidato Lula (PT) teve 56,5% dos votos válidos no 1º turno, contra 36,05% de Bolsonaro (PL).

Em segundo lugar na quantidade de veículos parados está o Mato Grosso do Sul, com 69. No estado, foi Bolsonaro quem terminou à frente no 1º turno, com 52,7% dos votos válidos contra 39,04% de Lula.

Depois do Mato Grosso do Sul, em 3º, 4º e 5º lugares respectivamente estão apenas estados onde Lula terminou à frente de Bolsonaro no 1º turno: Maranhão, com 58 ônibus parados; Pará, com 46; e Sergipe, com 45.

Dentre os municípios nos quais foi listada a quantidade de ônibus fiscalizados, o campeão é Nossa Senhora do Socorro, em Sergipe. Por lá, a PRF teria fiscalizado 40 veículos neste domingo, através da operação Eleições 2022. A cidade teve 54,67% de votos válidos para Lula, contra 36,73% para Bolsonaro, no 1º turno.

Diretor da PRF declarou apoio a Bolsonaro antes da votação

O diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, fez uma publicação em suas redes sociais ontem pedindo votos para o presidente Bolsonaro, conforme revelado pelo Jornal O Globo. A mensagem publicada no story do Instagram, apagada no início da tarde deste domingo, trazia uma bandeira do Brasil com os dizeres: “vote 22, Bolsonaro presidente”. 

Ele foi convocado pelo ministro Alexandre de Moraes na tarde de hoje para prestar esclarecimentos sobre as operações. Decisão do tribunal publicada ontem havia proibido, até o fim do segundo turno, qualquer operação da PRF relacionada ao transporte público, gratuito ou não, disponibilizada às eleitoras e eleitores. 

Após se reunir com o diretor-geral da PRF, Moraes disse durante coletiva de imprensa que as operações foram realizadas com base no Código de Trânsito Brasileiro. “As operações realizadas, e foram inúmeras operações realizadas, foram, segundo o diretor da PRF […], realizadas com base no Código de Trânsito Brasileiro. Ou seja: um ônibus com pneu careca, com farol quebrado, sem condições de rodar era abordado, e era feita a autuação”, afirmou. 

Moraes disse ainda que as operações não impediram o trajeto dos ônibus até a seção eleitoral e que os eleitores que estavam sendo transportados nos veículos abordados puderam votar embora com atraso. 

“Esses ônibus, em nenhum momento, retornaram à origem. Ou seja, eles prosseguiram até o destino final e os eleitores que estavam sendo transportados votaram”. 

O ministro, ressaltou, no entanto, que solicitou informações detalhadas à PRF e que irá apurar caso a caso. “Se houve desvio de finalidade e se houve abuso de poder, no âmbito do TSE isso é crime eleitoral e no âmbito da justiça comum nós enviaremos para que sejam responsabilizados seja por ato de improbidade administrativa seja por crime comum”.

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