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EUA ajudaram PF a desmantelar quadrilha de Fernandinho Beira-Mar

Segundo um telegrama vazado, agência antidrogas estadunidense forneceu assistência “operacional” à ação

O apoio dos Estados Unidos foi fundamental para o desmantelamento, no final de 2007, da quadrilha comandada por Fernandinho Beira-Mar, diz um dos telegramas da embaixada estadunidense em Brasília obtidos pelo WikiLeaks e lidos pela Pública.

Segundo o documento, de 10 de dezembro de 2007, “graças ao vigente suporte do NAS, a Polícia Federal do Brasil (DPF), com a assistência operacional da DEA Brasil, culminou a operação ‘Fênix’, uma investigação que fez um progresso significativo ao desmantelar uma grande organização de tráfico de drogas controlada por Luiz Fernando da Costa, Fernandinho Beira-Mar”.

NAS, sigla em inglês para Seção de Assuntos Relacionados a Narcóticos (tradução livre), é o departamento antidrogas de cada embaixada estadunidense, diretamente vinculado ao Departamento de Estado dos EUA. DEA é a agência antidrogas estadunidense, vinculada ao Departamento de Justiça dos EUA e que tem atuação em vários países, inclusive no Brasil. O documento não detalha, contudo, do que se tratou a assistência operacional citada.

Classificado como “sensível”, o telegrama define Fernandinho Beira-Mar como um “notório e violento criminoso, que controla as áreas mais perigosas do Rio de Janeiro”, e informa que ele já havia sido indiciado nos Estados Unidos por violação de leis federais antidrogas naquele país. Em 2002, as autoridades estadunidenses pediram ao Brasil sua extradição.

De acordo com o telegrama vazado pelo WikiLeaks, embora o traficante estivesse na prisão desde o ano 2000, ele ainda controlava e administrava sua organização através de visitantes que recebia, como sua esposa e seu advogado.

“A Polícia Federal se utilizou de 34 mandados de busca em quatro estados brasileiros, apreendeu documentos financeiros, dinheiro e outros bens, e prendeu 11 pessoas – incluindo a esposa de Fernandinho – sob a acusação de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas e armas”, informava o documento.

A ação da Operação Fênix citada pelo telegrama foi realizada em 22 de novembro de 2007, após um ano e meio de investigações. Dentre os 11 presos, estavam Jacqueline Alcântara Morais, esposa de Fernandinho Beira-Mar, o irmão dela e dois advogados do traficante.

Jacqueline foi acusada de dar apoio logístico à organização, tornando-se “braço-direito” de Fernandinho enquanto ele se encontrava preso. Segundo o telegrama, a esposa do traficante negociava com fornecedores em vários países vizinhos, “abrindo inúmeras contas bancárias no Brasil e incorporando muitas empresas de fachada usadas para lavagem de dinheiro”.

De acordo com informações da Polícia Federal na época, o traficante comandava a quadrilha de dentro do Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. As drogas seriam importadas de Bolívia, Colômbia, Paraguai e Venezuela, e eram comercializadas principalmente nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. Ainda segundo o telegrama da embaixada dos EUA, as autoridades brasileiras solicitaram ao Paraguai a apreensão de uma fazenda que possuía estimados 2,5 milhões de dólares em cabeça de gado.

Segundo informações do próprio site da embaixada estadunidense em Brasília, Brasil e EUA possuem um acordo bilateral antidrogas desde 1974, que tem o objetivo de reduzir a demanda, evitar o uso ilícito e combater a produção e o tráfico de drogas.
“Desde fevereiro de 2006, graças em grande parte ao vigente apoio da NAS e da DEA, agentes da Polícia Federal foram capazes de apreender bens – 750 quilos de cocaína, 3,3 toneladas de maconha, 4 toneladas de munição, 20 veículos e um avião – estimados em 7,5 milhões de dólares e prender 29 suspeitos de tráfico de drogas”, informava o telegrama.

Os documentos são parte de 2.500 relatórios diplomáticos referentes ao Brasil ainda inéditos, que foram analisados por 15 jornalistas independentes e estão sendo publicados nesta semana pela agência Pública.

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Comentários

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  • George A.F. Gessário

    Só um esclarecimento, como brasileiro nato o Beira-mar não poderia ser extraditado aos EUA.

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