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Lula aposta no combate ao feminicídio para fortalecer apoio entre eleitoras em 2026

Apesar de acenar para as mulheres, nenhuma mulher, nem mesmo Janja, havia sido escalada para discursar no evento

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2 de agosto de 2026
18:55
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT), discursou na convenção partidária e oficializou sua candidatura.
José Cícero/Agência Pública

Ao ser oficializado candidato à reeleição durante a Convenção Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), que aconteceu neste domingo, 2 de agosto, em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu dirigir seu discurso ao público que segue sendo o calcanhar da aquiles de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro: as mulheres. Mais especificamente, priorizando um dos temas sensíveis da agenda eleitoral relacionados à segurança pública: o combate à violência contra mulheres.

Lula entrou oficialmente na Campanha eleitoral em um evento no Expo Norte, ao lado da primeira-dama, Janja da Silva, e de lideranças de partidos aliados.

O presidente classificou a luta contra o feminicídio como uma pauta que deve ser assumida também pelos homens, em um discurso que misturou a memória histórica do PT, do próprio Lula, críticas indiretas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e à desinformação.

“O cara vai ter que escolher: ou ele vota em mim, ou ele bate na mulher. Se bater na mulher, não precisa votar em mim. Pegue a sua mão e vote em quem você quiser. Eu quero criar uma sociedade de respeito”, declarou o presidente.

A declaração ocorre em um momento de piora nos indicadores de violência de gênero no país, que apresentaram uma alta de 4,4% de 2024 para 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, promovido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no último dia 23 de julho.

São os estados do norte do país que apresentaram as maiores taxas de aumento. No Amapá, o crescimento de casos de feminicídio foi de 347%, seguido por Rondônia com 66% e Tocantins com 52%.

O combate à violência contra as mulheres já havia sido um tema adiantado pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, que em entrevista cedida às redes sociais do partido destacou que a necessidade de combater os feminicídios.

Lula também destacou programas e medidas sancionados por seu governo voltados às mulheres. Entre eles, a lei sancionada em 29 de julho que instituiu o mecanismo conhecido como “Pix Pensão”. A medida permite que, por determinação judicial, o pagamento da pensão alimentícia seja feito automaticamente via Pix, com débito direto na conta do devedor. O objetivo é tornar a cobrança mais ágil e efetiva, sem alterar as regras para a fixação da obrigação alimentar, que continuam sendo definidas pela Justiça ou por acordo entre as partes.

PT não escalou mulheres para discursar

A defesa das mulheres, entretanto, expôs também uma contradição dentro do próprio evento: nenhuma mulher, nem mesmo Janja, havia sido escalada para discursar. Estavam programadas falas do presidente nacional do PT, Edinho Silva, do candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do próprio Lula.

O discurso do presidente começou como uma autocrítica ao partido que não havia escalado nenhuma mulher para falar no evento. “Não é possível que a gente tenha esquecido, no principal evento de nossa campanha, não ter nenhuma mulher para falar. Então, como a minha companheira Janja não estava no script, eu quero que ela, em nome das pessoas que participam do Pacto Contra os Feminicídios, fale para as mulheres aqui”, disse.

O público reagiu positivamente à declaração, que estava no palco ao lado da primeira-dama, que segurava um cartaz escrito “Lula pela vida das mulheres”. Quando ela tomou posse do microfone, também alfinetou a organização da convenção: “É difícil porque a gente precisa estar sempre se reafirmando, né, mulherada? Todo dia”.

Em seu discurso dedicado às mulheres, Janja fez questão de lembrar da importância do voto feminino para a reeleição de Lula. “E aqui eu quero saudar, e eu vou saudar só as mulheres que estão aqui hoje […] Somos nós, mulheres, que vamos eleger você [Lula] novamente”, disse.

O discurso de Janja não é por acaso, afinal, segundo a última pesquisa Datafolha, Lula é o favorito entre o eleitorado feminino, com 50% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, que marcou 40%.

Edição:
José Cícero/Agência Pública

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