AGÊNCIA DE REPORTAGEM E JORNALISMO INVESTIGATIVO

RJ: As casas vão cair

No morro da Providência, a construção de um teleférico para os turistas da Copa expulsa os moradores. As casas demolidas são trocadas por um aluguel social de 400 reais, e muitas famílias não encontram onde morar.

A casa de Neusimar, trabalhadora autônoma que mora com a família de sete pessoas no Morro da Providência, no Rio de janeiro, está marcada com a sigla SMH (Secretaria Municipal de Habitação). Isso significa que ela vai cair. Todas as casas e prédios vizinhos já foram demolidos porque os moradores aceitaram o aluguel social oferecido pela prefeitura, no valor de 400 reais.

O morro vai sediar o projeto Porto Maravilha, com teleférico e plano inclinado para os turistas que virão para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 – como a Pública mostrou em janeiro. Por isso a comunidade tem sofrido remoções compulsórias.

Neusimar resiste porque não quer sair da casa onde sua mãe nasceu e cresceu com toda a família para um futuro incerto: “Onde vamos achar uma casa para alugar por  400 reais? Quem vai querer alugar uma casa para mim? Estou desempregada, minha mãe é doente, temos uma família grande. Não estamos aqui por teimosia, mas não vamos sair para ficar como as pessoas que a gente vê sair e ficar na rua porque não conseguem alugar nada” explica. Ela conta que sente a sua situação mais complicada a cada dia: “Está tudo no chão ao redor da minha casa, afetou a estrutura, agora estamos mesmo em situação de risco”.

Histórias como a dela são contadas no vídeo Morro da Providência, do coletivo #Entre Sem Bater, formado por alunos da Escola Popular de Comunicação Crítica (Espocc) – projeto do Observatório de Favelas que oferece a jovens e adultos, moradores de espaços populares do Rio de Janeiro, acesso a diferentes linguagens, conceitos e técnicas na área da comunicação. O mini documentário foi feito como um trabalho de conclusão de curso, mas o coletivo cresceu e os envolvidos continuam a pesquisar e documentar as remoções no Morro da Providência e outros lugares.

Além das remoções, o vídeo mostra os preparativos para a demolição da quadra do morro, onde eram feitos campeonatos de futebol e os ensaios da escola de samba da comunidade. Leo Lima, fotógrafo e integrante do Entre Sem Bater, conta que logo após a conclusão do filme a quadra foi abaixo e deu lugar à construção da torre do teleférico.

O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.

 

Tags: , , , ,

Comentários

Opte por Disqus ou Facebook

  • Sandraq

    E é do PT o secretário de Habitação.  Até quando tanta farsa?

  • Fabiopcavenaghi

    Olá sou Fábio Prestes trabalho ali na zona portuária na
    Pimpolhos da Grande Rio e estando próximo a todas essas remoções e
    despejos que estão acontecendo resolvi fazer ano passado uma música de
    protesto ” Manhattan Brasileira ” espero que me ajudem a divulgá-la
    precisamos denunciar…abs
    http://youtu.be/EhX3UHsIR_w

     

    • M

      Oi fabio,

      Eu estou preparando um documentario sobre este assunto. Você poderia me passar o seu email por favor? No fb: marie naudascher
      Abraços
      M

  • Ivan cavalcanti

    O projeto visa a urbanizaçao da área, a retirada de moradores das áreas de risco, é só uma parte do projeto. Estao fazendo o certo, só assim deixaremos de ter mortes devido as chuvas todos os anos.

Hoje não tem água nem aula

Hoje não tem água nem aula

| por | 24 de agosto de 2015

Desde 2013, as escolas paulistas sofrem com a crise de abastecimento de água, reconhecida recentemente pelo governo do estado. Para pais, professores e diretores, a falta de orientação aos gestores escolares agrava o prejuízo dos alunos. Leia a primeira reportagem das microbolsas sobre Crianças e Água promovidas pelo Instituto Alana em parceria com a Agência Pública

Eles que comam ouro!

| por | 19 de agosto de 2015

Camponeses das comunidades ao longo do rio Marañón, um dos mais importantes afluentes do Amazonas, resistem às obras da Odebrecht para instalar hidrelétricas em Cajamarca, celeiro de alimentos do Peru

A arte de ignorar a natureza

A arte de ignorar a natureza 4

| por | 28 de julho de 2015

Engevix, Leme e CNEC-WorleyParsons: conheça as três empresas que se revezam na elaboração de estudos de impacto ambiental das maiores usinas hidrelétricas do país. Para acelerar o início das obras, vale tudo

Hoje não tem água nem aula

Hoje não tem água nem aula

| por | 24 de agosto de 2015

Desde 2013, as escolas paulistas sofrem com a crise de abastecimento de água, reconhecida recentemente pelo governo do estado. Para pais, professores e diretores, a falta de orientação aos gestores escolares agrava o prejuízo dos alunos. Leia a primeira reportagem das microbolsas sobre Crianças e Água promovidas pelo Instituto Alana em parceria com a Agência Pública

Eles que comam ouro!

| por | 19 de agosto de 2015

Camponeses das comunidades ao longo do rio Marañón, um dos mais importantes afluentes do Amazonas, resistem às obras da Odebrecht para instalar hidrelétricas em Cajamarca, celeiro de alimentos do Peru

Tools