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Carnaval pelo país chega a ter apenas 1 banheiro químico para até 2 mil foliões

Ranking de cidades mostra a média de sanitários públicos disponibilizados nos principais carnavais do Brasil

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13 de fevereiro de 2026
06:00
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Tânia Rêgo/Agência Brasil

É tempo de botar o bloco na rua. O Carnaval chegou e a expectativa é que dezenas de milhões de foliões ocupem as cidades na principal festa popular do Brasil. Vestir a fantasia, encontrar os amigos, correr atrás do bloco e… achar um lugar para aliviar a bexiga. Não há entusiasta do Carnaval de rua que já não tenha passado aperto para evitar o xixi no meio da rua – e em algumas cidades, a missão pode ser bastante desafiadora e render multas. Só na capital do Rio de Janeiro, a multa é de R$ 805.

A Agência Pública foi atrás das prefeituras responsáveis pelos seis principais carnavais do país – Belo Horizonte, Olinda, Recife, Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro – em busca de entender onde o “aperto” é mais, ou menos também, provável de se passar durante os dias de folia.

Olinda: 1 sanitário para quase 2 mil pessoas

Em Olinda (PE), cidade com um dos carnavais mais tradicionais do Brasil, as filas para fazer xixi ganham um destaque nacional. A prefeitura informou ter adquirido 350 banheiros químicos para um público estimado em 4 milhões de pessoas durante seis dias de folia, entre 12 e 17 de fevereiro, conforme calendário oficial divulgado. Isso significa que, considerando os números totais, haverá, em média, uma cabine para cada grupo de 11,4 mil foliões no período de Carnaval. Mesmo considerando uma média diária de público, de 666,6 mil pessoas, a quantidade de sanitários continua preocupante: aproximadamente um banheiro químico para cada grupo de 2 mil foliões.

O cálculo, contudo, desconsidera sanitários alugados por eventos privados e patrocinadores. A reportagem questionou a gestão do município sobre outras estruturas disponíveis para os foliões, mas não obteve resposta.

A quantidade de banheiros alugados, assim como a estimativa de público do Carnaval de 2026, permanece a mesma do ano passado. A prefeitura, porém, não informou os valores dos contratos para a aquisição dos sanitários.

Nas redes sociais da Prefeitura, o número diminuto de banheiros divulgado foi alvo de críticas por parte da população.

A reportagem também tentou levantar o número de banheiros disponibilizados para o Carnaval do Recife, que deve receber 3,6 milhões de foliões esse ano. Até a publicação, no entanto, a prefeitura da capital pernambucana não havia respondido os contatos telefônicos e por e-mail, feitos pela Pública. Em 2023, último ano com dados públicos encontrados, foram cerca de 600 banheiros para um público estimado em 2,7 milhões de pessoas, distribuídas ao longo de cinco dias de festa – cerca de um banheiro para cada 900 pessoas.

Por que isso importa?

  • A expectativa do Ministério do Turismo é que cerca de 65 milhões de foliões tomem as ruas do país em 2026;
  • Juntas, as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Belo Horizonte, Olinda e do Recife, devem reunir mais de 40 milhões de pessoas, segundo o mesmo levantamento.

São Paulo: 1 banheiro para 1074 pessoas

Em São Paulo (SP), o número de banheiros também desanima. A previsão deste ano é de 16,5 milhões de foliões pulando nas ruas paulistanas, cinco milhões a mais que no ano passado. Com uma média de cerca de 2 milhões de pessoas por dia, o número de diárias de banheiro químico diminuiu entre 2025 e esse ano. Enquanto no ano passado teve a locação de 24 mil diárias, a SPTuris informou à Pública que disponibilizará, inicialmente, 16 mil diárias. Assim, durante os 8 dias oficiais de carnaval, serão, em média, 1.920 banheiros no dia, o que significaria, aproximadamente, um banheiro para cada 1.074 foliões.

Os custos por cada diária não foi divulgado pela SPTuris, mas uma matéria do Metrópoles revelou que em 2026 o aluguel dos banheiros químicos é de R$ 272 por diária.

Salvador: uma privada a cada 280 pessoas

Em Salvador (BA), o segundo maior Carnaval do país em número de foliões, o alívio da bexiga fica por conta da Empresa de Limpeza Urbana (Limpurb) municipal. A operação soteropolitana para 2026 conta com 3.300 banheiros químicos espalhados pelos três circuitos oficiais da folia – Circuito Dodô (Barra-Ondina), Circuito Osmar (Campo Grande) e Circuito Batatinha (Centro Histórico) –, além de 90 banheiros climatizados, em formato de contêineres, com sete cabines em cada.

Ao todo, são 3.930 banheiros para um público esperado de mais de 11 milhões de pessoas, distribuídos ao longo de dez dias de Pré e Carnaval – uma média de 1,1 milhão de pessoas diariamente e de uma privada para cada 280 foliões. A operação repete o número e a distribuição de sanitários no Carnaval do ano passado, que teve público semelhante.

A Pública questionou a assessoria de imprensa da Prefeitura de Salvador sobre o valor pago por cada banheiro e qual o modelo de contratação, mas não obteve resposta.

Rio de Janeiro: 1 banheiro para 185 foliões

No Rio de Janeiro (RJ), aliviar o xixi já está mais tranquilo. Com a estimativa de 6 milhões de foliões, o Carnaval carioca terá uma média de 260 mil pessoas por dia em mais de 453 blocos de rua, distribuídos ao longo de 23 dias. A Dream Factory, empresa responsável pela distribuição de banheiros durante o período da festa, disponibilizará 34 mil posições de banheiro, entre mictórios e banheiros químicos e contêineres. No período, serão, em média, 1,4 mil posições de banheiros por dia, o que significaria cerca de um banheiro para 186 foliões. Questionada, a Dream Factory afirmou que não divulga o valor unitário e nem a quantidade de sanitários que serão utilizados.

Belo Horizonte: 1 banheiro para 17 pessoas

Em Belo Horizonte (MG), para atender em torno de 6,2 milhões de foliões – cerca de 269,5 mil por dia – distribuídos em quase 600 blocos de rua, a prefeitura da cidade adquiriu 15.438 banheiros químicos, que, juntos, custaram R$ 4,3 milhões. Em números totais, a capital mineira terá aproximadamente uma cabine para 400 pessoas durante 23 dias de Carnaval, segundo o calendário oficial divulgado pela Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur). A média diária, contudo, aponta para um cenário bem mais confortável: um sanitário para cada grupo de 17 pessoas.

Em 2025, a prefeitura disponibilizou 13.750 sanitários químicos para cerca de 6 milhões de pessoas – em torno de uma cabine para 436 foliões, no período de 23 dias de folia. Levando em conta a média diária de público de 260,8 mil pessoas, houve a oferta de um sanitário para cada grupo de 18 pessoas. As estruturas alugadas no ano passado custaram R$ 2,7 milhões (valor 35,8% menor que o gasto em 2026).

Edição:
Tânia Rêgo/Agência Brasil

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