Buscar
Nota

Mudar nome da PEC da Blindagem é escárnio, diz coordenador do Prerrogativas

18 de setembro de 2025
18:24
Este artigo tem mais de 1 ano

Nos adicione como fonte preferencial no Google.

Um “absoluto escárnio” e “piada de mau gosto”. É assim que o advogado fundador e coordenador do Grupo Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho, classifica a manobra da Câmara dos Deputados de emplacar o nome PEC das Prerrogativas na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 3/21. Ela visa retomar a autorização da Câmara e do Senado quando o Supremo Tribunal Federal (STF) tentar abrir um processo criminal contra deputados federais e senadores. Por ter o efeito de proteger os políticos, na prática, o projeto foi apelidado de PEC da Blindagem pela imprensa.

“O Congresso Nacional está virando as costas para a sociedade. Está em dívida com a sociedade brasileira”, diz Carvalho sobre a PEC. “O que eles estão querendo não são prerrogativas, são privilégios. Estão buscando um salvo-conduto geral para cometer ilícitos, para distinguir um grupo de cidadãos de outros”, avalia.

Marco Aurélio de Carvalho é especialista em Direito Público e fundou o grupo de advogados Prerrogativas

O grupo Prerrogativas reúne cerca de 200 advogados e acadêmicos listados entre os colaboradores no site. O coletivo se notabilizou na última década pelas denúncias contra as ilegalidades cometidas pela Operação Lava Jato, pelas posições progressistas, pelo relacionamento próximo com o governo Lula e pela defesa da democracia.

O advogado explica que prerrogativas são direitos garantidos, que todos os cidadãos têm. “Como o sagrado direito de defesa. As profissões também têm prerrogativas. Por exemplo, no caso da advocacia, do exercício regular da profissão, o direito à legalidade, à liberdade, de acesso aos autos”, exemplifica.

Para ele, o que está sendo estudado pelo Congresso e já foi aprovado pela Câmara dos Deputados, “é completamente diferente”. “Eles querem se blindar da Justiça”, alega Carvalho.

“Espero que a sociedade dê uma resposta à altura a esse posicionamento do Congresso, que é uma piada de mau gosto. Espero que a sociedade reaja nas urnas, nas eleições de 2026. É uma afronta à democracia”.

Projeto para Anistia pode seguir o mesmo caminho

A PEC da blindagem, ou das Prerrogativas, como querem os deputados, está ligada à tentativa do Congresso Nacional de anistiar os condenados por golpe de Estado, entre eles o ex-presidente, Jair Bolsonaro. Uma negociação entre o presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos-PB) e os líderes dos partidos garantiria que a aprovação na Câmara da PEC da blindagem seria o suficiente para arrefecer os ânimos pela Anistia. Não foi isso que aconteceu, no entanto. A urgência do projeto da Anistia foi aprovada na quarta-feira, 17 de setembro.

Nesta quinta, 18 de setembro, o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP) foi escolhido por Motta para relator do projeto, que deve deixar de ser chamado de Anistia.

“Ampla, geral e irrestrita é impossível. Essa discussão já foi superada ontem, quando o Hugo [Motta] teve uma reunião de mais de três horas com o pessoal do PL. Acho que nós vamos ter que fazer uma coisa pelo meio. Talvez não agrade nem a extrema-direita nem a extrema-esquerda, mas que agrade a maioria da Câmara. Você viu que nós não estamos mais falando de anistia”, disse o deputado à rádio CBN.

Para Marco Aurélio de Carvalho, não adianta mudar o nome. “Pode chamar do que quiser. Não existe anistia light”, avalia o advogado. Carvalho lembra que na história do Brasil foram 15 episódios de tentativa de golpes contra o sistema instaurado.

Ele considera a decisão do STF de punir os envolvidos no golpe do Estado histórica. “Temos um caráter pedagógico na decisão. Quando um cidadão pensar em dar um golpe, ele terá um exemplo, um caso em que as pessoas que fizeram o mesmo foram punidas”, avalia.

“Se por um lado é um momento histórico importante de reafirmação da nossa vocação [do Brasil] para ser uma democracia constitucional, por outro lado, o Legislativo toma essa atitude irresponsável e inoportuna como essa PEC e proposta de Anistia. São duas faces da mesma moeda”, conclui.

Edição:
Joédson Alves/Agência Brasil

Notas mais recentes

PL reúne-se esta semana para debater candidatura de Rogério Marinho a presidente do Senado


Lula vence em seções eleitorais com local alterado, apesar de abstenção maior


Filha de Flávio Bolsonaro falta à escola há 2 dias em meio à suspeita de fuga do senador


Hospitais do Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro e a acusação de Lula na Band


Às vésperas do 2° turno, governo tenta votar PEC da Segurança Pública no Senado


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Assine nossas newsletters
Fique por dentro

Artigos mais recentes

Imposto do pecado: Governo alivia para indústrias e adia proteção popular, alma da reforma

|

Indústrias do refrigerante e mineração terão 2027 de impostos baixos ou zerados frente a impacto à saúde e meio ambiente

Como a quebra do banco Ueno, no Paraguai, acabou com o governo do presidente Santiago Peña

|

Crescimento do Ueno teve ajuda política e dinheiro público; presidente foi acionista de empresa do grupo ligado ao banco

Queimaduras, terror psicológico e salários atrasados em data centers na Europa

|

Investigação revela realidade dos trabalhadores nos centros de desenvolvimento de infraestrutura de IA na Europa
Sessão sobre a PEC da segurança pública no Senado

Segurança Pública: PEC da redução da maioridade penal no Senado pode ter relator do PT

|

Senado aprova PEC da Segurança Pública e proposta de mudança na maioridade penal pode ser analisada nesta quarta
Audiência Pública – ADI 8027/DF - no STF sobre proibição das bets no Brasil

Contas espalham conteúdo falso sobre bets nas redes enquanto STF discute proibição

|

Perfis no X/Twitter divulgam histórias irreais sobre apostas ao mesmo tempo em que audiência pública reúne lobistas

Com a 1ª vitória do PT em 12 anos, a cidade do Rio deixou de ser reduto bolsonarista?

|

Lula virou na capital fluminense, onde a família Bolsonaro ganhou 22 de 24 pleitos desde 1988

Pantanal entra oficialmente na rota da aridez, aponta plano do governo

|

Cientistas alertam que é preciso uma mudança na forma como o país produz alimentos e maneja a pecuária

Fuga de Flávio abre caminho para bolsonarismo abraçar políticos para além do sobrenome

|

Para Especialistas derrota eleitoral enfraquece herdeiros do ex-presidente, mas não elimina força política do movimento

‘Primavera Brasileira’: como ato de estudantes virou onda global contra extrema direita

|

Marcha em Niterói iniciou efeito borboleta progressista que contou com fandoms e Janones e hoje inspira outros países