Buscar
Nota

STF volta a julgar golpe de 8/1 e Congresso se volta a projetos de segurança e impeachment

8 de dezembro de 2025
04:00
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta terça e quarta-feira (9 e 10) o julgamento da trama golpista que culminou com os atos de vandalismo e na invasão das sedes dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023. Seis réus devem ter o destino decidido pelos ministros da Primeira Turma, que julga o chamado “Núcleo 2” da tentativa de golpe. Seria esse o grupo responsável pela elaboração da “minuta do golpe” e por coordenar ações violentas.

No Senado, a análise do projeto que atualiza a Lei do Impeachment, que afeta ministros do próprio STF, será retomada nesta semana. A movimentação ocorre depois das decisões recentes de Gilmar Mendes que restringiram a abertura de processos do gênero contra ministros do STF, ao elevar o número mínimo de assinaturas e concentrar no Procurador-Geral da República o direito de apresentar pedidos. Parada desde 2023, a proposta volta à pauta da CCJ sob articulação de Davi Alcolumbre, que tenta aprovar o texto antes do recesso de fim de ano.

O PL Antifacção também volta à pauta do Senado após pedido de vista para adiar a votação, que agora está prevista para quarta. A proposta inclui que parte dos impostos de sites de apostas, que taxam em 15% cada valor apostado, vá para o financiamento de melhorias no sistema prisional e políticas de segurança. O relator Alessandro Vieira (MDB-SE) rejeitou a criação da categoria “organizações ultraviolentas” e incluiu o crime de facção na Lei de Organizações Criminosas, prevendo penas somadas de até 120 anos.

Ainda no Congresso, a Câmara recebe nesta terça a nova versão do relatório da PEC da Segurança Pública, após adiamento pedido pelo presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) para ampliar negociações com líderes partidários. A proposta enfrenta resistência de governadores e de parte do parlamento, especialmente por prever que a União formule diretrizes obrigatórias para estados e Distrito Federal, o que é visto como ingerência federal.

No Supremo, o julgamento presencial do Marco Temporal está marcado para a quarta. O tema foi retirado da pauta virtual para atender à demanda de organizações indígenas por uma discussão aberta no plenário físico. Para a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a mudança é apenas um primeiro passo e ainda é necessário garantir participação ampla e efetiva dos povos indígenas em todas as etapas do processo.

Estão na agenda da semana de 8 a 12 de dezembro:

DIREITOS HUMANOS

  • Câmara
    • Falta de energia elétrica (CDU, 9/12, 16h): Parlamentares vão debater sobre os impactos da falta de energia elétrica em municípios brasileiros, que afetam a inclusão social, serviços essenciais e atividades econômicas em todo o país.
    • Violência contra a população em situação de rua (CDHMIR, 9/12, 16h30): Audiência discutirá sobre o crescimento da violência contra pessoas em situação de rua e a grave crise humanitária enfrentada por essa população. Segundo o requerimento, o objetivo é dar visibilidade às violações e debater políticas de proteção, acolhimento e garantia de direitos.

MEIO AMBIENTE

  • Câmara
    • Saúde Pública na bacia do Rio Doce (CEXMABRU, 9/12, 14h): A comissão vai discutir os impactos à saúde das populações afetadas pelos rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho, como contaminações persistentes, perdas econômicas e problemas crônicos de saúde anos após as tragédias. 

POLÍTICA

  • Senado
    • CPMI Crime (9/12, 9h): O colegiado vai receber o ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e outras autoridades para discutir o enfrentamento ao crime organizado no país. A comissão investiga estrutura, financiamento e atuação transnacional de facções. 
  • STF
    • Núcleo 2 da trama golpista (9 e 10/12, 9h): Ministros irão julgar seis réus acusados de integrar o “Núcleo 2” da tentativa de golpe de Estado, responsável por elaborar a “minuta do golpe” e coordenar ações violentas e antidemocráticas. 

EDUCAÇÃO

  • Câmara
    • Papel Universidades no Brasil (CE, 9/12, 16h): Audiência irá debater o papel das universidades estaduais e municipais no fortalecimento da educação superior. O foco da reunião será a assistência estudantil e os efeitos da descontinuação do Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaest). 

SAÚDE

  • Câmara
    • Falta de medicamento psiquiátricos (CDHMIR, 9/12, 10h): Audiência discutirá a falta de medicamentos para tratamento de transtornos mentais, descontinuados após transferência de registro entre empresas farmacêuticas. Segundo o requerimento, a escassez tem agravado crises, sobrecarregado os serviços públicos e violado o direito constitucional à saúde. 

Agenda da semana da Pública é um serviço apresentado aos leitores aos domingos e segundas, concebido com base nas informações dos portais da Câmara, Senado e STF.

Edição:

Notas mais recentes

Últimas pesquisas e fim da propaganda eleitoral marcam semana antes do primeiro turno


Paulo Gonet segue no caso Master após decisão do Conselho do Ministério Público Federal


Nossa Senhora Aparecida: boato sobre padroeira domina redes e chega ao TSE


Deputadas de Minas pedem suspensão de decreto de Zema que beneficiou mineradora Cedro


Lula discursa na ONU e Conselho do Ministério Público avalia ações de Gonet no caso Master


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Investigação e processos criminais: o rastro legal dos deputados da Comissão de Segurança

|

CSPCCO: 12 deputados ligados a forças de segurança foram parte em procedimentos criminais, que vão de calúnia a agressão
Rio de Janeiro (RJ), 08/03/2023 - Ato denúncia em frente à Câmara Municipal, organizado pelo campanha Levante Feminista contra o Feminicídio

Na Amazônia Legal, 9 em cada 10 vítimas de feminicídio em 2025 não tinham medida protetiva

|

Levantamento em oito estados mostra que mulheres morrem desprotegidas; recurso jurídico é alternativa para evitar crime

Nossa Senhora Aparecida vira evento eleitoral e aprofunda crise entre ministros do STF

|

Monitoramento mostra que debate nas redes ultrapassou boato inicial e passa de 12 milhões de interações em poucos dias
Fachada do Congresso Nacional, em Brasília.

Os candidatos das Big Techs nas eleições 2026

|

Levantamento mostra quais políticos brasileiros têm atuado a favor dos interesses das grandes corporações de tecnologia
Antonio Cezar Correia Freire, conhecido como Cezinha de Madureira, é um jornalista, radialista e político brasileiro, filiado ao Partido Liberal. Deputado federal por São Paulo desde 2019

Valéria Linhares nega relação com Cezinha de Madureira mas foi sócia de seu filho em rádio

|

Deputado do PL e advogada são investigados por tráfico de influência em tribunais superiores e ligados a André Mendonça

Quilombolas lutam por território ancestral contra imobiliária no interior de São Paulo

|

Descendentes de escravizados disputam título de terra contra empresa e denunciam ação da polícia

Lula proíbe bets e cita relato de mãe que perdeu o filho para apostas ao assinar Medida

|

Vânia Borges, que perdeu o filho para as apostas online, esteve com o presidente após matéria da Pública com seu relato

Análise da Abin aponta extrema-direita no Brasil como “facilitadora” de ofensiva de Trump

|

Desde novembro de 2025 análises sobre risco “crítico” de interferência vem sendo produzidos pela agência de inteligência
Garimpo na Terra Indígena Baú em 2026.

Indígenas Kayapó se colocam em risco para bloquear garimpo ilegal na Terra Indígena Baú

|

Dois meses após operação da PF, número de invasores quadruplicou, dizem órgãos; há suspeita de participação de facções