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Ataque na Venezuela pegou Brasil de surpresa, diz Celso Amorim

3 de janeiro de 2026
12:28
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Celso Amorim, o assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República do Brasil, falou esta manhã à Agência Pública sobre o ataque dos Estados Unidos (EUA) à Venezuela. Do litoral da Bahia, ele afirmou que está “longe de um aeroporto”, mas que estava se preparando para voltar a Brasília. 

Para ele, o principal posicionamento do governo brasileiro já foi dado através da nota oficial publicada no X/Twitter pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e que agora o importante é “esperar o desenrolar dos acontecimentos”.   

No entanto, Amorim assumiu que o governo brasileiro foi pego de surpresa. “Achava muito difícil que houvesse bombardeio mesmo”, comentou. “O que ocorreu nesse momento, nós não tínhamos nenhuma informação”.

Amorim se refere a nota publicada às 09:59 por Lula no X/Twitter, onde condenou os ataques que “ultrapassam uma linha inaceitável”. A nota afirma ainda que “esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e é mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional. Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”. 

A nota diz ainda que “a ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz” e que a ONU “precisa responder de forma vigorosa a esse episódio” e que o Brasil “segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação.”

À seguir a íntegra da conversa com Celso Amorim. 

Qual a posição do governo brasileiro?  

Já saiu a nota do presidente, é o que podíamos fazer no momento, o resto agora vai depender dos acontecimentos.

Houve uma reunião do Itamaraty, né?

A reunião do Itamaraty é importante, claro que é importante. Mas não é pra decidir, assim, nada de linha política fundamental. É porque tem coisas práticas também, a gente tem lá aquela Operação Acolhida, tem brasileiros morando na Venezuela…

Eu estou fora, estou na Bahia, longe do aeroporto. Ainda estou vendo como voltar para essa reunião. Voltarei assim que possível. 

Mas a linha política, que era o mais importante de fazer, é essa que está na nota do presidente. 

Mas isso era esperado pelo governo brasileiro?

Digamos assim, da forma como ocorreu nesse momento, nós não tínhamos nenhuma informação. Agora, dentro das hipóteses, isso já foi ventilado várias vezes, né? Coisas não idênticas… 

Eu achava muito difícil que houvesse bombardeio mesmo. Também não sei, não vi notícias sobre vítimas, se houve…

Mas qual é a sua opinião sobre isso?

Eu não vou dar minha opinião, opinião é o que está na nota do presidente Lula. Nesse momento é isso.

E o governo brasileiro não vai articular uma reação mais ampla ou ainda está em compasso de espera?

Ali [na nota] tem várias coisas que estão ditas. Não vamos sair correndo. As reações terão que vir de forma pensada, refletida, coordenada. O importante era não deixar dúvidas sobre a nossa condenação a “atos de força”. 

Eu não vou ficar repetindo que se eu digo uma coisa e não digo outra eu tenho a impressão que eu não estou dando importância a alguma coisa. No momento é isso. 

Edição:
Fábio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

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