Buscar
Nota

Tarcísio e Derrite não enxergam a vida como importante nas ações policiais, diz ouvidor

19 de setembro de 2025
16:53
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

O ouvidor das Polícias de São Paulo, Mauro Caseri, criticou a atuação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do secretário de Segurança Pública, o deputado federal Guilherme Derrite (PL). Segundo ele, essa não é uma gestão “que vê, nas ações policiais, a vida como algo de maior importância”.

A afirmação foi feita pelo ouvidor, à Agência Pública, durante o Seminário Internacional de Segurança Pública, Racismo e Interseccionalidade, que começou nesta sexta-feira, 19 de setembro, e segue até sábado, na sede do Sindicato dos Químicos, no Centro de São Paulo.

Caseri foi um dos convidados do painel de abertura do evento, que discutiu políticas públicas que devem ser debatidas e levadas aos parlamentares de todo país, com o intuito de promover a segurança pública, debatendo o racismo institucional.

A crítica veio após o ouvidor relembrar a Operação Verão, da PM, que foi uma das mais letais da história do estado de São Paulo. Na época, o governador Tarcísio disse estar “nem aí” e que podiam ir até à “Liga da Justiça”, após ser comunicado que organizações sociais brasileiras o denunciaram às cortes internacionais. “Eu acho que foi uma fala super infeliz e não é esse o caminho”, disse Caseri.

Ouvidor das polícias de SP fala em coletiva segurando microfone
Ouvidor das polícias de SP criticou postura do governador, que endossou violência policial durante a Operação Verão

A fala de Caseri ocorreu no momento em que o estado de São Paulo registra o aumento do número de mortes em decorrência de intervenções policiais. Em 2024, esse número cresceu 61% em relação à população, frente à 2023, fazendo com que o estado ficasse à frente dos números do Rio de Janeiro e da Bahia, segundo o 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho deste ano pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

As câmeras corporais foram amplamente defendidas pelo ouvidor tanto durante o painel, quanto em entrevista à Pública. Ele também sugeriu o aumento do uso de “armas não letais”, que podem ser uma forma de conter ações violentas, em caso de pessoas desarmadas.

Também presente no evento, o coronel Carlos César Albuquerque Pereira, da Polícia Militar da Bahia, apontada como uma das mais letais do país, justificou que o alto número de mortes em virtude dos conflitos armados entre facções rivais no estado.

“A tentativa de domínio de território acontece muito mais entre as facções então eles terminam matando um ao outro, cometendo homicídio e a polícia intervém nessas localidades onde está tendo esses confrontos entre eles e termina tendo um confronto também com a própria polícia”, disse o coronel.

No ano passado, a Polícia Militar da Bahia foi responsável por 1,5 mil mortes, segundo o 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Ainda dentro dos debates sobre violência policial durante o evento, Douglas Martins, ex-secretário adjunto de políticas de promoção da igualdade racial do governo federal, defendeu que organizações sociais, como o movimento das Mães de Maio, devem ser interlocutoras das discussões sobre políticas públicas de segurança.

“Toda vez que a letalidade policial, chega como uma ‘blitzkrieg’ [uma referência metafórica aos militares da Alemanha Nazista que usavam táticas rápidas de reação violenta], vão surgir as mães. Eu quero nesse encontro, que esses grupos façam parte das políticas públicas de segurança”, disse Martins.

Edição:
Silvio Martins Ferreira/Ocupação Cultural Jeholu

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Se você chegou até aqui é porque realmente valoriza nosso jornalismo. Conheça e apoie o Programa dos Aliados, onde se reúnem os leitores mais fiéis da Pública, fundamentais para a gente continuar existindo e fazendo o jornalismo valente que você conhece. Se preferir, envie um pix de qualquer valor para contato@apublica.org.

Vale a pena ouvir

EP 227 A cortina de fumaça das empresas de tecnologia – com Daniela da Silva

Ex-chefe de Políticas Públicas do WhatsApp aponta alternativas para o enfrentamento do monopólio e abusos das Big Techs

0:00

Notas mais recentes

Indústria de ultraprocessados tenta impedir combate à obesidade, diz diretor-geral da OMS


Escala 6×1, PEC da Segurança, minerais raros: o que o Congresso pode votar durante eleição


Corrida eleitoral: registro de candidaturas termina nesta semana


Embaixada dos EUA acionou líder do PL para visita que questionaria urnas no Brasil


Corrida eleitoral: Tarcísio de Freitas confirma candidatura e PT tem convenções estaduais


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Foto mostra plataforma de trem da Estação Luz, no centro de SP. Estação integra a linha 12 da CPTM.

As denúncias por trás dos acidentes e da greve de trens em São Paulo

|

Funcionários apontam problemas elétricos em linha que pegou fogo, falta de treinamento e de pessoal

Terras raras brasileiras estão no radar do Departamento de Defesa dos EUA

|

BNDES incentiva produção para transição energética, mas empresas firmam laços com a indústria militar norte-americana
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT), discursou na convenção partidária e oficializou sua candidatura.

Lula aposta no combate ao feminicídio para fortalecer apoio entre eleitoras em 2026

|

Apesar de acenar para as mulheres, nenhuma mulher, nem mesmo Janja, havia sido escalada para discursar no evento

Estudo denuncia como contribuinte brasileiro subsidia Coca-Cola em “mágica tributária”

|

Big Food inflacionaria preço de xarope da Zona Franca de Manaus e faria uso de royalties fantasmas para evitar impostos

Partido Missão: o projeto de poder de Renan Santos e do MBL

|

Como o grupo estrutura a formação militante defendendo pautas que flertam com a ruptura democrática

Meta, Telegram e X fecham acordo com TSE sobre desinformação sem punição caso não cumpram

|

Termos mostram plataformas tentando se blindar de responsabilidades sobre conteúdo desinformativo nas eleições de 2026

Ministério Público investiga flagrantes plantados por policiais no interior de São Paulo

|

Investigação resultou em mandados de busca e apreensão em endereços de dez PMs
Imagem aérea de fábrica da BYD em Camaçari

Os detalhes não esclarecidos de como BYD escapou da lista suja do trabalho escravo

|

Parceira da BYD, Engenova incorporou quadro da Jinjiang, banida na lista suja, e tem sócia sediada em paraíso fiscal
Flávio Bolsonaro chora em conveção do PL

As lágrimas de Flávio Bolsonaro e o aceno eleitoral do filho de Jair às mulheres

|

Com menos apoio no eleitorado feminino que Lula, Flávio destaca esposa em meio a tensões com Michelle