Buscar
Da Redação

"Não confio em nenhum candidato ou partido"

Quase 40 milhões de eleitores não escolheram ninguém para a presidência. Para saber o porquê, fizemos uma enquete. Veja o que descobrimos

Da Redação
7 de outubro de 2014
15:32
Este artigo tem mais de 11 anos
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

Foram 11 postulantes à presidência e mais de 100 milhões de reais gastos para tentar convencer o eleitor a votar neste ou naquele candidato. Ainda assim, 38.797.556 eleitores não votaram em ninguém para a presidência do Brasil, quase 3 milhões a mais do que os eleitores que votaram no segundo colocado, Aécio Neves, e apenas 4,4 milhões a menos dos votos obtidos pela primeira colocada, a presidente Dilma. Uma marca grande demais para atribuí-la simplesmente às pessoas que não puderam votar ou se confundiram na hora de marcar seu voto.

O fenômeno foi constatado pela mídia e abordado por especialistas e analistas que, de modo geral, atribuíram a abstenção pura e simples – responsável pela maior fatia dos que não escolheram ninguém (27,7 milhões de eleitores) – à indiferença ou recusa do voto obrigatório. Já os votos brancos (4,4 milhões), e principalmente os nulos (6,6 milhões), mereceram mais cuidado: eles seriam resultado de uma insatisfação com os concorrentes ao cargo ou mesmo de uma recusa do sistema eleitoral como forma de participação política.

Do ponto de vista prático, não comparecer as urnas, votar nulo ou branco tem exatamente o mesmo efeito – apenas os votos válidos são contabilizados no resultado do pleito. Mas do ponto de vista político, será que eles significam a mesma coisa?

A Pública acredita que não é possível ignorar a vontade de quase 40 milhões de eleitores que se recusaram a escolher candidatos nessas eleições, principalmente depois dos protestos que levaram milhões às ruas há pouco mais de um ano. Por isso, convidamos os leitores que não compareceram às urnas, votaram branco ou anularam seu voto a explicar qual a força política que o moveu nessas eleições. Para as duas últimas categorias, fizemos uma enquete que durou apenas um dia, a terça-feira 7 de outubro.

A participação foi intensa. Foram 207 respondentes, e o motivo mais apresentado como justificativa para a invalidação do voto foi “não confio em nenhum candidato/partido”, por 119 pessoas (57%). Os participantes podiam escolher mais de uma opção.

Veja abaixo o resultado final:

Imagem votação - 18-08

A discussão também tomou a página da Pública no Facebook, e aqueles que votaram em nulo ou branco defenderam suas posições.  Foram muitos testemunhos interessantes – vale a pena ouvir o que pensam esses eleitores! Selecionamos alguns deles:

Paulo Selega Cardinali: “Desde 2002 não votava, sempre me abstive pois esse sistema representativo com quociente partidário, voto obrigatório, financiamento privado, impossibilidade do recall político, reeleições sem limite, geram campanhas exclusivamente midiáticas. A legislação eleitoral não valoriza o debate e sim o ataque entre os candidatos com regras em excesso, bem ao gosto do aparelho estatal. Nessa eleição votei nulo para dep estadual, senador e governador. Nenhum candidato valia o meu voto”.

Pedro Fontana: “Nesse segundo turno meu voto será nulo. A explicação é baseada que o voto elege qual será a liderança da sociedade, deve ser estipulada para a pessoa que representa os interesses de quem está votando. Nenhum dos dois candidatos representa meus interesses”.

Taís Peyneau: “Não é meu caso, mas meu voto foi “de protesto” mais q de afinidade. Outro indício forte da falta de representatividade interessante de investigar, sobretuto neste segundo turno: pq tanta gente vai votar pra que o outro candidato a presidência não se eleja, mais que por afinidade com aquele em que está votando. É o meu caso e o de praticamente todo mundo com quem tenho conversado”.

Márcio Gadoti Cardoso Borracha: “A inexistência de propostas reais de mudança. Não existe vontade de mudar, pricipalmente da elite brasileira, pois a política é comandadda pelo dinheiro e quem tem poder econômico quer que tudo fique como está, o rico na casa grande e o pobre na senzala. O pior de tudo é que milhões de brasileiros possuem a Síndrome de Estocolmo gravada em seu DNA, não sabe ter vida autônoma, precisa das migalhas ofericidas pelos sinhozinhos!”

Toni Francis Simples: “A atual conjuntura do sistema político não me agrada… tinha até um ou dois candidatos que me indentifiquei… mas anulei meu voto por protesto… quero mudanças reais em favor do país e não de classe, raças ou credos….”

Carlos Alberto Cardoso: “Anulei o voto porque não aceito o “jogo de cartas marcadas” que aí está. Os planos de saúde bancam a campanha dos candidatos que estiverem entre os três primeiros lugares nas pesquisas de intenção de voto. Que dizer: quem vencer, já está comprometido”.

Jéssica Oliveira Pereira: “Minha vontade de anular se dá pela não identificação com a democracia representativa. O voto acaba sendo um fingimento de cidadania. Ir às urnas, fazer campanha no facebook e depois viver no seu comodismo não é política pra mim. Vejo muito mais opções de participações políticas no dia a dia do que no ato do voto”.

Laurimar Rosa de Lima: “Desilusão, desprazer, desgosto, desconfiança, falta de credibilidade, levaram o Cidadão a anular o voto. Anulação é demonstração de insatisfação; que não acredita mais no cenário político brasileiro. Em uma nação de 202 milhões; 40 milhões de votos desperdiçados, é uma situação muito séria. Isto prova que o cidadão não aceita mais, os atuais personagens políticos como representes”.

Gabriel Morganti Contini: “Acho que o voto nulo ou em branco é o verdadeiro voto de protesto. Eu uso para mostrar nas urnas que não acho nenhum dos candidatos adequado para o cargo e espero que surja alguém que realmente tenha ideias novas e que as ponha em prática, não reciclagem de ideias conhecidas, repetidas a cada quatro anos…”

Viviane Viana: “Pura desesperança. Não acredito no candidatos que existem, não acredito no modelo de política que temos hoje, não acredito no voto obrigatório. Não quero contribuir para um inchaço no número de representantes absurdos que nós temos, que são completamente despreparados ( principalmente em cargos como Deputados e vereadores) que possuem benefícios e renda vergonhosos de tão altos bancados com nossos impostos. Sou completamente desiludida com a possibilidade de qualquer mudança que seja, de origem popular ou vinda de algum governante”.

E você, o que tem a dizer sobre essa opção política?

 

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Se você chegou até aqui é porque realmente valoriza nosso jornalismo. Conheça e apoie o Programa dos Aliados, onde se reúnem os leitores mais fiéis da Pública, fundamentais para a gente continuar existindo e fazendo o jornalismo valente que você conhece. Se preferir, envie um pix de qualquer valor para contato@apublica.org.

Vale a pena ouvir

EP 232 A violência como promessa em ano eleitoral – com Bruno Paes Manso

Jornalista e pesquisador fala sobre o avanço do discurso de violência e seus efeitos no Brasil

0:00

Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Congresso travou regulação de câmeras corporais enquanto letalidade policial batia recorde

|

Câmeras corporais de policiais se tornaram campo de disputa política que vai muito além da responsabilização por abusos

Prevenção a violências contra crianças passa batida em propostas de presidenciáveis

|

Maior parte dos programas ignora prevenção a mortes ou violência sexual de crianças e sequer menciona primeira infância

Lula e Flávio, mais cautelosos que o usual, deixam público dar recados no 7 de setembro

|

Em SP, ato da direita levou menos gente às ruas que no ano passado; em BSB, Lula seguiu protocolo “seguro”

André Mendonça mobiliza orações e se torna ícone do 7 de setembro bolsonarista

|

Crise no STF se torna “guerra santa” entre evangélicos e coloca o ministro como “mártir” em oposição a Moraes

Contando com memória curta do eleitor, candidatos antes cassados voltam às urnas em 2026

|

Políticos cassados no passado tentam reconquistar votos beneficiados por leis, decisões da Justiça ou até pelo tempo

Crise no STF após divulgação de conversas entre Moraes e Vorcaro: como chegamos até aqui?

|

André Mendonça escancara divisões na Corte ao tirar sigilo de investigação citando colega e tema deve impactar eleições

Resgates de pessoas em condição de escravidão caem no Brasil, mas disparam em SP, diz CPT

|

Em 6 meses de 2026, o estado teve mais pessoas resgatadas em condições análogas à escravidão que em todo o ano passado

Fiesp defende modelo inconstitucional de Bukele na segurança e afaga candidatos da direita

|

Candidato ao governo do Paraná, Sergio Moro promete presídio “El Salvador” durante abertura de evento em São Paulo

Mansões, carros de luxo, viagens: a vida de Eduardo Bolsonaro e Figueiredo nos EUA

|

Levantamento revela que ex-deputado e influenciador mantêm vida de alto padrão nos EUA