Buscar
Entrevista

Adolescência: Por que o ódio às mulheres viraliza entre os jovens?

Feminista mais perseguida da atualidade, Lola Aronovich fala sobre como as plataformas lucram com o ódio na internet

Entrevista
9 de maio de 2025
14:00
Este artigo tem mais de 1 ano
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.
Card de divulgação da live da Agência Pública com o tema "Adolescência: Por que o ódio às mulheres viraliza entre os jovens?", com participação de Amanda Audi e Lola Aronovich. O evento será transmitido no dia 07/05 às 19h30 no YouTube da Pública.

“Todo Natal falam que vai ser meu último Natal”, diz Lola Aronovich, docente da Universidade Federal do Ceará, blogueira, pedagoga e ativista feminista que convive com ameaças há mais de 15 anos. A Agência Pública recebeu a pesquisadora para um bate-papo ao vivo com a repórter Amanda Audi, transmitido pelo canal de YouTube da Pública. O tema “Adolescência: por que o ódio às mulheres viraliza entre os jovens?” foi escolhido por uma votação dos Aliados da Pública, que também indicaram a participação de Lola. 

Lola Aronovich é considerada a feminista mais perseguida da atualidade. Em 2008, ela criou um dos primeiros blogs feministas do país, e, desde então, vem sofrendo ameaças que se intensificam ano após ano. Por causa do ativismo em seus textos, ela se tornou alvo de grupos masculinistas – supostos defensores dos “direitos dos homens” que se consideram vítimas de um sistema com privilégio feminino. 

Em conversa com a repórter, Lola contou como os ataques evoluíram de “trolls da internet” – pessoas que publicam mensagens para provocar, incitar e perturbar outros usuários – para grupos de homens que se organizam e formam um movimento em crescimento. Esse avanço, segundo ela, tem sido impulsionado pelas próprias plataformas, que não apenas valorizam como lucram com esse tipo de conteúdo.

“As plataformas têm poder demais e não querem cumprir as leis do país que elas estão hospedadas. [A internet] não pode ser uma terra sem lei e as plataformas deveriam ter suas responsabilidades, não só em discursos de ódio, mas, em geral, como em golpes”, defende Lola, ao falar sobre a importância da regulamentação das plataformas.

Para ela, a misoginia é “a porta de entrada para drogas mais pesadas na internet”. Segundo a pesquisadora, o ódio às mulheres é o denominador comum que une e atrai os grupos masculinistas, movimentos que têm ganhado força e legitimidade com o avanço da extrema-direita no mundo. 

Enquanto canais que disseminam discursos de ódio seguem monetizando vídeos e lucrando em plataformas como o YouTube, Aronovich teve seu canal banido da rede e não consegue mais acessá-lo. “É uma tristeza. Infelizmente, a gente acaba tendo que se acostumar com esse tipo de ação, porque não há muito o que fazer. A gente vai sobrevivendo. […] É terrível, mas a gente se acostuma com isso”, relata.

Em 2018, foi sancionada a Lei nº 13.642/2018 – conhecida como Lei Lola, em homenagem à pesquisadora – que atribuiu à Polícia Federal a responsabilidade de investigar crimes de misoginia praticados na internet, como a disseminação de conteúdos que promovam ódio ou aversão às mulheres. Desde então, Lola percebe uma leve melhora na atuação das autoridades. Antes da lei, não havia integração entre as polícias civis e federais e nem o monitoramento sistemático deste tipo de crime. “Mas isso não quer dizer que os ataques tenham parado”, ressalta. “São essas mudanças que a gente vê, mas ainda falta muita coisa”, destaca.

Assista à entrevista completa:

O tema da live foi escolhido pelos nossos Aliados. Apoie a Pública e faça parte de uma comunidade que ajuda a construir e a manter o jornalismo independente. Clique aqui e junte-se a nós!

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Se você chegou até aqui é porque realmente valoriza nosso jornalismo. Conheça e apoie o Programa dos Aliados, onde se reúnem os leitores mais fiéis da Pública, fundamentais para a gente continuar existindo e fazendo o jornalismo valente que você conhece. Se preferir, envie um pix de qualquer valor para contato@apublica.org.

Vale a pena ouvir

EP 228 O fracasso do Estado em proteger mulheres – com Juliana Brandão

Coordenadora de gênero e raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública analisa as falhas de crimes contra a mulher

0:00

Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Deputado Alfredo Gaspar e senador Flávio Bolsonaro durante evento do PL

Após pressão por uma vice mulher, PL fecha chapa apenas com homens

|

‘Michele está fazendo comida para o marido’, responde Damares Alves sobre ausência de ex-primeira dama

Eleições: legislação não é o suficiente para barrar conteúdos de IA nas redes sociais

|

Decisões do TRE-BA determinam que Meta retire vídeos com IA do Instagram, mas cópias seguem na rede

Foto mostra plataforma de trem da Estação Luz, no centro de SP. Estação integra a linha 12 da CPTM.

As denúncias por trás dos acidentes e da greve de trens em São Paulo

|

Funcionários apontam problemas elétricos em linha que pegou fogo, falta de treinamento e de pessoal

Terras raras brasileiras estão no radar do Departamento de Defesa dos EUA

|

BNDES incentiva produção para transição energética, mas empresas firmam laços com a indústria militar norte-americana

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT), discursou na convenção partidária e oficializou sua candidatura.

Lula aposta no combate ao feminicídio para fortalecer apoio entre eleitoras em 2026

|

Apesar de acenar para as mulheres, nenhuma mulher, nem mesmo Janja, havia sido escalada para discursar no evento

Estudo denuncia como contribuinte brasileiro subsidia Coca-Cola em “mágica tributária”

|

Big Food inflacionaria preço de xarope da Zona Franca de Manaus e faria uso de royalties fantasmas para evitar impostos

Partido Missão: o projeto de poder de Renan Santos e do MBL

|

Como o grupo estrutura a formação militante defendendo pautas que flertam com a ruptura democrática

Meta, Telegram e X fecham acordo com TSE sobre desinformação sem punição caso não cumpram

|

Termos mostram plataformas tentando se blindar de responsabilidades sobre conteúdo desinformativo nas eleições de 2026