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Exclusivo: Foragido da Justiça brasileira, Alexandre Ramagem abriu empresa nos EUA

Negócio foi registrado no dia 6 de janeiro na Flórida, quatro meses depois de o ex-deputado fugir do Brasil

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23 de junho de 2026
04:00

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Lula Marques/Agência Brasil

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL/RJ) abriu uma empresa nos Estados Unidos (EUA) quatro meses depois de fugir do Brasil, após ter sido condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. O registro do negócio, obtido pela Agência Pública e ICL Notícias, foi feito em 6 de janeiro de 2026, no estado da Flórida.

A empresa, chamada ARBN Villa Corporation, foi constituída em Kissimmee, no mesmo endereço de uma escola de jiu-jitsu da rede brasileira à Gracie Barra. Em 20 de março, Ramagem mudou o endereço da firma para uma caixa postal que fica em uma loja da UPS, empresa de logística e entregas, no município de Saint Cloud, na Flórida.

Documentos de registro da ARBN Villa Corporation não detalham seu ramo de atuação e nem suas atividades. Conta apenas como finalidade declarada realizar “todo e qualquer negócio legal”.

Rebeca Ramagem, esposa do ex-deputado, publicou nas redes sociais, em dezembro do ano passado, que o marido planejava vender cursos online “de altíssimo nível, com conteúdo sério, relevante e transformador, e com um valor acessível, pensado para caber na renda de todos”. Alexandre Ramagem, no entanto, ainda não divulgou os cursos oficialmente.

A cidade onde a ARBN Villa Corporation está sediada, Saint Cloud, fica a cerca de 45 quilômetros de Orlando, onde Ramagem estaria morando com a família, segundo informações da Polícia Federal (PF).

Em abril, o ex-deputado foi detido em Orlando pelo Serviço de Imigração dos EUA (ICE, na sigla em inglês) por questões migratórias, conforme informações da PF. Ele ficou sob custódia durante dois dias e depois foi solto.

Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ramagem fugiu para os EUA no mês em que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos, um mês e 15 dias em regime fechado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Ele foi acusado de ter usado a estrutura da Abin, durante o governo de Jair Bolsonaro, para monitorar e perseguir opositores e desacreditar as urnas eletrônicas, na chamada “Abin paralela”. Foi indiciado pela PF, mas o inquérito segue parado na PGR há um ano. Em 2022, ele foi eleito deputado federal, mas teve o mandato cassado em dezembro do ano passado, após sua condenação no STF.

Ramagem foi alvo de um pedido de extradição encaminhado em dezembro pelo governo brasileiro às autoridades dos EUA. O ex-deputado entrou com pedido de asilo político, que está sendo analisado pelo governo norte-americano, e pode abrir empresas.

A reportagem tentou contato com Ramagem por telefone, e-mail e pelas redes sociais, mas não obteve retorno.

Vida boa em Orlando

Ramagem saiu clandestinamente do Brasil, em setembro do ano passado, pela fronteira com a Guiana e usou passaporte diplomático para entrar nos EUA, segundo a PF.

Embora não receba mais o salário de deputado e não tenha declarado bens à Justiça eleitoral nas eleições de 2022, Ramagem tem mantido uma vida de alto padrão no país. Segundo revelou reportagem do G1, a casa em Orlando onde ele estaria morando com a esposa e as duas filhas tem 5 quartos e mede 329 m².

  • Foto mostra a casa onde Alexandre Ramagem vive com a esposa e as duas filhas
  • Foto mostra a casa onde Alexandre Ramagem vive com a esposa e as duas filhas
  • Foto mostra a casa onde Alexandre Ramagem vive com a esposa e as duas filhas
  • Foto mostra a casa onde Alexandre Ramagem vive com a esposa e as duas filhas
  • Foto mostra a casa onde Alexandre Ramagem vive com a esposa e as duas filhas

Além de um vasto terreno ajardinado, a casa tem vista para um lago e valor estimado em cerca de R$ 4,5 milhões (US$ 899 mil).

Ramagem pediu asilo político nos EUA e enquanto aguarda a resposta, a família tem aproveitado a temporada em Miami. Pelo Instagram, Rebeca Ramagem tem se tornado uma influenciadora para o ecossistema de direita, e publica fotos do casal sorridente e da família em tardes ensolaradas em Miami.

No dia dos namorados norte-americano, 14 de fevereiro, o casal saiu para um jantar romântico, vestido com roupas de gala, e Rebeca Ramagem se declarou: “meu valentine”, usando o termo em inglês para “namorado”.

Em 7 de março, a família toda foi torcer pelo time de futebol feminino Orlando Pride no Campo Beyond Bancard, em Fort Lauderdale. O time venceu por 2×1 e Rebeca Ramagem comemorou pelas redes sociais: “Go, Orlado Pride!” – ela escreveu assim mesmo, sem ”n”.

Na semana passada, o casal esteve no Fifa Fan Fest em Miami, uma enorme estrutura montada com telões e foodtrucks às margens da baía, no Bayfront Park, para assitsir ao jogo da seleção com o Haiti, ambos usando a camisa do Brasil. Já no último final de semana, Rebeca postou fotos com o marido e as filhas em Nashville, no Tennessee.

Rebeca também faz postagens com desinformação a respeito da condenação do marido no Brasil e sobre a tentativa de golpe. “Eu não estou aqui por vontade própria. Se estivéssemos no Brasil meu marido estaria preso em uma condenação arbitrária, resultado de uma perseguição política absurda”, postou em suas redes. Ramagem, por sua vez, tem participado de programas de extrema direita, como a revista Timeline, de Allan dos Santos, que também é foragido da justiça brasileira e teve seu pedido de extradição negado pelo governo Trump. Ramagem também celebrou a designação do PCC e CV como terroristas pelo governo americano, o que reproduz um projeto de lei que ele apresentou como deputado.

Em fevereiro, os dois participaram da campanha “família em conserva” lançada por influenciadores digitais da direita para criticar a alegoria escolhida pela escola de samba Acadêmicos do Niterói, no desfile em homenagem a Lula.

Divulgação
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Instagram/reprodução
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