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Donald Trump está acuado

Presidente dobra aposta enquanto começa a perder apoio entre os Republicanos

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4 de agosto de 2026
16:20

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Como um rato acuado, Donald Trump tem lutado desesperadamente pela sua própria sobrevivência. O presidente não tem medido esforços na alegação sem provas de que qualquer derrota eleitoral nas eleições de novembro, nos EUA, será resultado de uma fraude. Ao mesmo tempo em que ela emprega todos os meios necessários para influenciar o resultado das eleições legislativas nos EUA – o que poderia levar à transferência do controle da Câmara dos Representantes e, talvez, até do Senado, para os Democratas -, Trump deve intensificar as tentativas da Casa Branca de interferir nas eleições brasileiras. A sensação de estar encurralado e a possibilidade de enfrentar um terceiro processo de impeachment provavelmente desencadeará um ataque feroz contra seus oponentes, tanto no cenário interno quanto no internacional.

E uma dessas reações coléricas aconteceu nesta terça-feira, 4 de agosto. O governo Trump anunciou ter revogado o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi anunciada como uma resposta à demora do Brasil para dar o aval diplomático a Daniel Perez, apontado por Trump como novo embaixador dos EUA no Brasil — embora os trâmites no Congresso dos EUA não estejam completamente concluídos.

Embora Trump tenha feito campanha agressiva nos últimos dois meses para que o Congresso dos EUA aprovasse a “Lei para Salvar a América” (Save America Act) — concebida para restringir a participação de eleitores propensos a apoiar candidatos democratas —, um pequeno grupo de senadores republicanos reticentes sinalizou que o presidente não dispõe dos votos necessários para aprovar a legislação, apesar da ira que despejou sobre membros de seu próprio partido.

Na semana passada, ele enfrentou oposição adicional de senadores republicanos que havia derrotado nas primárias do partido (o processo interno de seleção do candidato para disputar as eleições de novembro contra os democratas). Após perderem para os candidatos apoiados por Trump, os senadores republicanos Bill Cassidy (do Estado da Louisiana) e John Cornyn (do Texas) — que deixarão a câmara alta do Legislativo no final do ano — agora estão desafiando timidamente o presidente, assim como Thom Tillis (da Carolina do Norte), que desistiu de concorrer a um novo mandato porque Trump declarou que se oporia à sua candidatura.

Capataz de Trump gera rachas entre os Republicanos

Em foto, presidente Donald Trump em coletiva com Todd Blanche, novo procurador-geral interino dos EUA.
O procurador-geral Todd Blanche e Donald Trump em uma coletiva de imprensa no Salão Oval

A fonte mais visível de dissidência entre os republicanos é a tentativa fracassada do presidente de nomear Todd Blanche como novo Procurador-Geral. Blanche atua como Procurador-Geral interino desde que Trump demitiu sua antecessora, Pam Bondi, devido às falhas dela em alcançar alguns de seus principais objetivos — especificamente, o uso da poderosa máquina governamental para perseguir (e processar) democratas considerados inimigos do presidente.

Anteriormente, Blanche servia como segundo a cargo sob a gestão de Bondi. No último ano e meio, ele dedicou seu tempo à implementação das políticas mais polêmicas do Departamento de Justiça, desde a violenta campanha de deportação em massa de imigrantes até uma entrevista de dois dias com Ghislaine Maxwell, colaboradora de Jeffrey Epstein no tráfico de jovens e adolescentes para fins de exploração sexual. Concebida para limpar o nome de Trump de qualquer irregularidade, a declaração de Maxwell — que afirmava desconhecer qualquer envolvimento do atual presidente com menores de idade — visava convencer os apoiadores de Trump de que não havia nada nos 3 milhões de documentos retidos que pudesse incriminá-lo. Como recompensa por afirmar que Trump nada sabia sobre as transgressões de Epstein e jamais se envolvera em atividades sexuais ilícitas, uma semana após a entrevista com Blanche, o governo transferiu Maxwell para uma prisão de segurança mínima, onde ela tem desfrutado de considerável liberdade.

No entanto, para um pequeno grupo de republicanos, a gota d’água foi o fato de Todd Blanche ter firmado um acordo extremamente vantajoso com a família Trump, depois que o presidente processou o Departamento de Justiça, pedindo 10 bilhões de dólares, porque um funcionário contratado havia divulgado suas declarações de imposto de renda. Nesse caso bizarro, Trump, na prática, processou a si mesmo.

Em seguida, o Departamento de Justiça assinou um acordo com seu chefe nominal, Trump, no qual o governo criaria um fundo de 1,7 bilhão de dólares para conceder indenizações financeiras aos envolvidos na violenta invasão do Capitólio dos EUA em 6 de janeiro de 2021. Trump não apenas perdoou os insurgentes no dia de sua posse, como agora quer recompensá-los por suas ações rebeldes. O acordo também prevê a isenção de toda a família Trump de qualquer auditoria fiscal sobre suas finanças pessoais ou empresariais, o que poderia poupá-los do pagamento de 100 milhões de dólares em multas e impostos em atraso.

Durante a audiência no Senado, na semana passada, para confirmar a indicação de Blanche, o Procurador-Geral interino declarou que o fundo não estava mais operacional. Democratas, bem como os republicanos Cassidy e Tillis, insistiram que ele formalizasse sua promessa por escrito. No primeiro momento, Blanche recusou-se a fazê-lo. Isso levou os dois republicanos a adiar o voto favorável à recomendação de Blanche ao plenário do Senado para a confirmação final.

Observadores políticos notaram que a hesitação de Blanche em fornecer uma garantia por escrito decorria da relutância de Trump em desistir de distribuir recompensas financeiras aos seus apoiadores leais, de quem poderia precisar no futuro. Quando ficou claro que os republicanos do Comitê Judiciário não tinham votos suficientes para aprovar a indicação e encaminhá-la ao plenário do Senado, Trump suspendeu o processo de nomeação de Blanche. No entanto, após negociações com os dois senadores, Blanche concordou em revogar a ordem referente ao fundo, declarando que ela não tem mais “força ou efeito”. Isso abriu caminho para que o Comitê Judiciário desse prosseguimento à indicação.

Isso, no entanto, não significa que Trump desistirá da ideia de recompensar seus leais insurretos. O presidente revelou suas verdadeiras intenções, prometendo buscar outra forma de repassar recursos do governo federal para recompensar seus insurgentes leais — que se tornaram, em grande parte, uma milícia privada de Trump, pronta para atender a um chamado à ação, inclusive nas próximas eleições.

Trump insiste em mentiras repetidas

Apesar da dissidência entre os políticos que Trump afastou de seus cargos, a base de apoio principal de Trump permanece intacta. Há, no entanto, uma certa queda em seus índices de aprovação entre os republicanos. Enquanto há um mês 81% dos republicanos propensos a votar apoiavam o presidente, esse percentual caiu para 78% nas pesquisas mais recentes. Grande parte da insatisfação conservadora com Trump está ligada ao alto custo de vida e à guerra no Irã.

Entre os eleitores independentes, a situação de Trump é ainda pior, uma vez que estão se inclinando cada vez mais à esquerda. Uma pesquisa recente indica que 76% dos eleitores independentes estão insatisfeitos com a forma como o presidente está conduzindo a economia e seus esforços de guerra no Oriente Médio.

Ironicamente, em vez de apresentar medidas governamentais de grande repercussão para fortalecer a economia e encerrar a guerra com o Irã, Trump insiste em focar-se em outras questões. Além disso, como é de seu costume, ele nega qualquer responsabilidade por eventuais falhas de seu governo.

Isso ficou cristalino nesta semana, quando a comentarista de extrema-direita da Fox News, Jeanine Pirro — atualmente Procuradora-Geral dos EUA para o Distrito de Colúmbia —, desistiu do caso contra um atleta olímpico, três vezes participante dos Jogos, acusado de vandalismo contra propriedade governamental por supostamente danificar o espelho d’água do National Mall, em Washington. Ao perceber que não dispunha de provas para sustentar as acusações contra David Hearn — que poderiam ter resultado em uma pena de 10 anos de prisão —, Pirro retirou todas as acusações.

No entanto, Trump continua insistindo que vândalos danificaram seu projeto de 15 milhões de dólares para mudar a cor do fundo do espelho d’água para o “azul da bandeira americana”.

Aqueles que acompanham de perto o presidente observam que sua saúde mental e física parece estar se deteriorando rapidamente. Jornalistas relatam tornozelos inchados, manchas arroxeadas nas mãos e no pescoço — disfarçadas com maquiagem —, fala arrastada e frases confusas, como a referência à “República Islâmica do Japão”. Mas Trump é um mentiroso tão patológico que, mesmo quando todas as evidências provam que ele está errado, permanece irredutível e insiste na veracidade de suas mentiras.

Essa atitude de avestruz — de enfiar a cabeça na areia — pode ser uma das razões pelas quais Trump parece caminhar para um desastre em 3 de novembro, nove dias após o segundo turno das eleições no Brasil.

Edição:
The White House
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