Buscar
Nota

Exército decide tirar Operações Psicológicas do comando dos “kids pretos”

25 de abril de 2025
17:57
Este artigo tem mais de 1 ano
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

Depois de anunciar a transferência do curso de operações psicológicas em dezembro de 2024, como reportado pela Agência Pública, o comando do Exército agora decidiu tirar todo o Batalhão de Operações Psicológicas das instalações do Comando de Operações Especiais (COpEsp) em Goiânia, o reduto dos “kids pretos”. A partir de 1º de janeiro de 2026, o batalhão e o efetivo funcionarão integrados à comunicação militar em Brasília, sob influência direta do comandante do Exército, o general Tomás Ribeiro Paiva. A decisão foi publicada nesta sexta-feira (25) no boletim da Força.

Ao fim de julho de 2025, o Centro de Comunicação Social do Exército deverá “integrar” as Operações Psicológicas à chamada “comunicação estratégica” da Força – criada para organizar a distribuição de conteúdos “para todos os públicos de interesse” dos militares, sem detalhes. Antes disso, o centro vai atualizar seu manual de comunicação estratégica, até o fim de maio, já abrigando as operações psicológicas.

O Exército ordenou ainda que seja apresentada uma proposta para o novo ‘tamanho’ da unidade de Operações Psicológicas. A quantidade de cargos previstos para a transferência para Brasília deverá ser apresentada à cúpula militar até setembro.

Forças Especiais do Exército terão estrutura e formação revistas até este mês de março

“Kids pretos” perdem força e terão “avaliação psicológica”

No conjunto de mudanças ordenadas pelo comando militar, o setor de Inteligência dos “kids pretos” será desidratado. O Centro de Inteligência do Exército (CIE) trabalhará, em coordenação com o Comando de Operações Especiais nessa “reestruturação”, sob a batuta do Comando Militar do Planalto. A cúpula militar espera que parte da estrutura disponível ao comando dos “kids pretos” seja desmobilizada, em especial a de “busca e coleta” de informações, segundo apurado pela Pública. Em outras palavras, o Exército quer impedir que o Comando de Operações Especiais faça operações invasivas de inteligência, independentes do controle do Centro de Inteligência militar.

Há ainda outras mudanças no Comando de Operações Especiais e na formação de seus oficiais. Até julho, o Departamento de Educação e Cultura terá de apresentar à cúpula do Exército uma “proposta de aplicação de avaliação psicológica” dos militares, que deverá ser realizada tão logo eles terminem os cursos de formação de Forças Especiais (CFEsp) e de Ações e Comandos (CAC) – que definem, afinal, quem serão os futuros “kids pretos”.

O Exército determinou que o Comando de Operações Terrestres (Coter) elabore, até julho, uma “proposta de reestruturação da capacidade de Operações Psicológicas” da Força, para sua integração ao setor de comunicação e transferência para a capital. A “capacidade” de qualquer unidade militar engloba estrutura, organização interna, treinamento, armamento e tamanho do efetivo, entre outros pontos.

Forças Especiais do Exército terão estrutura e formação revistas até este mês de março

Exército quer nova formação até agosto

A futura saída das operações psicológicas do comando dos “kids pretos” faz parte de um processo iniciado pelo Exército ainda em dezembro de 2024, logo após a Polícia Federal entregar seu relatório sobre o caso do golpe. À época, a cúpula militar anunciou as primeiras mudanças no Comando de Operações Especiais em mais de 15 anos.

Até agosto, o Departamento de Educação e Cultura do Exército terá de sugerir propostas para reduzir o número de vagas e “otimizar o conteúdo dos cursos de Operações Psicológicas e de Comunicação Social”. Por fim, o comando ordenou que o Departamento-Geral de Pessoal mude “o processo de seleção e designação” dos cursos formadores dos “kids pretos”, de Operações Psicológicas e do Curso de Avançado de Operações Psicológicas (Caop) até outubro.

Conforme apurado pela Pública, um dos fatores para a escolha de novos alunos será um “tempo mínimo de serviço” na caserna, ainda indefinido. Para o comando do Exército, o objetivo é evitar que militares inexperientes tenham acesso a conhecimentos e técnicas sensíveis.

Operações Psicológicas na tentativa de golpe de 8/1

O 1º (e único) Batalhão de Operações Psicológicas do Exército ganhou notoriedade com a trama golpista graças ao suposto envolvimento do tenente-coronel Guilherme Marques Almeida. Colega do tenente-coronel Mauro Cid na turma de formandos do ano de 2000 da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), Almeida foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por participação em “operações estratégicas de desinformação”.

A acusação da PGR se baseia, entre outros elementos, em áudios atribuídos ao tenente-coronel Almeida – nos quais ele dizia atuar para “influenciar” grupos mobilizados no WhatsApp com desinformações sobre as urnas. Em um deles, Almeida fala em “direcionar o povo” para “a frente do Congresso” e em “explorar a dimensão informacional” disso – nas palavras dele, essa seria “a nossa parte”.

A defesa do tenente-coronel Almeida pede a rejeição da denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF), alegando “inépcia” e “falta de justa causa” em seu caso.

Edição:
EB/divulgação
EB/divulgação

Notas mais recentes

Lula discursa na ONU e Conselho do Ministério Público avalia ações de Gonet no caso Master


Campanha de Flávio ignora relação com Vorcaro e tenta associar briga no STF a Lula


STF define rumo do embate Moraes x Mendonça, e TSE lida com prazos finais para as eleições


Instituto de André Mendonça é alvo de representações para investigar irregularidades


Com despesas pagas pelos EUA, ida de procurador a evento sobre Irã é cancelada pela PGR


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Homem usando camiseta preta com estampa de uma caveira e os dizeres “Delegado Caveira Deputado Federal”, fazendo gestos com as mãos diante de um veículo

Segurança pública é foco de apenas 1 em cada 4 propostas da Bancada da Bala

|

Apesar de seus motes de campanha, deputados abordaram combate a violência em menos de um quarto de suas 2428 proposições
Lucas Kallas, da Cedro Participações

Exclusivo: Decreto de Romeu Zema beneficiou mineradora de Lucas Kallas, ligado a Vorcaro

|

Então governador autorizou uso minerário em fevereiro para expansão da Cedro; empresa alega que rito foi legal

Com pai, marido e irmão presos, Natália Vorcaro Zettel segue à frente de 54 empresas

|

Irmã de Daniel Vorcaro é alvo de representação no MPF por suspeita de lavagem de dinheiro

Recordar é votar: 13 investigados pela CPI da Covid disputam eleições neste ano

|

Apontados pelos senadores por diversos crimes durante a pandemia concorrem a cargos – de deputado estadual a presidente

Pessoas negras são alvo da maioria dos gastos com prisões em 25 estados e DF, diz estudo

|

Para advogada do Justa dado demonstra seletividade penal e políticas estaduais com lógica punitivista
Brasília (DF), 07/05/2025 - Reunião da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara para votar requerimento que pede a suspensão de ação penal contra o deputado Ramagem.Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Esposa de Ramagem usa verba de campanha para ex-assessora e irmã de Allan dos Santos

|

Candidata a deputada federal exilada nos EUA repassou R$80 mil a empresa de ex-assessora de Ramagem em agosto

Policiais candidatos fazem autopromoção no YouTube e podem lucrar com violência e machismo

|

Estudo estima monetização de 15 influenciadores; agente eleito não pode se apresentar como policial, diz governo de SP

Bolsonaristas capturam perfis nas redes para inflar apoio religioso a Mendonça

|

Contas no Instagram trocam de nome para enaltecer juiz e simular apoio popular — prática conhecida como ‘astroturfing’

Mãe que perdeu o filho para as bets pede proibição em encontro com Lula

|

Professora mineira foi ouvida pelo presidente após reportagem da Pública motivar projetos de lei e investigação no MPF
Câmeras Smart Sampa

Câmeras, IA e repressão unem candidatos dos estados com polícias mais letais do país

|

Esquerda, direita e extrema direita propõem mais tecnologia e inteligência na segurança, mas ignoram violência policial

Ministra Cármen Lúcia dá o tom do dia no STF: “não garantimos o rigor que deveríamos”

|

Sessão do Supremo para avaliar se Alexandre de Moraes seria investigado acaba com pedido de vista e troca de farpas