Buscar
Nota

Instituto de Física da USP ameaça jubilar ‘calouros’ que estão em greve

26 de maio de 2026
16:00
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

Alunos do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IFUSP) receberam na última sexta-feira, 22 de maio, um comunicado, via WhatsApp, onde eram informados que poderiam ter suas matrículas canceladas caso não voltassem às aulas nesta segunda-feira, 25.  

“A Diretoria do IFUSP manifesta que com a continuidade da paralisação das aulas de graduação e a falta de perspectiva ou sinalização de mudança do calendário escolar, haverá a perda do semestre letivo e com isto os calouros terão suas matrículas canceladas, perdendo o vínculo com a USP”, diz o informe. 

Após cinco semanas em greve, a IFUSP convocou tanto alunos como docentes para voltarem a dar continuidade ao ano letivo. “Desta forma, considerando a grande perda para a formação dos alunos, a diretoria convoca todos os alunos e professores para o retorno às aulas na próxima segunda-feira, dia 25/05″, orienta o comunicado.

Com medo de retaliação, cerca de 20 alunos foram assistir uma primeira aula, que durou, segundo presentes, aproximadamente 20 minutos, nesta segunda-feira.  

Arak, presidente do Centro Acadêmico do Instituto de Física (Cefisma), conta que a ação da IFUSP foi uma tentativa de coagir os alunos com uma “ameaça vazia”. “[O Instituto] faz isso, inclusive, numa semana em que a gente se articula e a mesa de negociação consegue tirar uma postura positiva, inclusive da reitoria. Eles [afirmaram que] vão flexibilizar o calendário [escolar]”, diz Arak, lembrando que em nenhuma outra vez houve alunos jubilados por causa de paralisações na Universidade de São Paulo (USP). 

  • Comunicado recebido pelos estudantes do Instituto de Física da USP em seus celulares
  • Comunicado recebido pelos estudantes do Instituto de Física da USP em seus celulares

À Agência Pública,  o diretor do DCE Livre da USP, Flávio Fávero, relata que alunos que foram aos prédios da USP para garantir que as aulas não ocorram, como votado na última Assembleia, se depararam “com violência por parte de professores, [com] assédio moral, [coisas] que ficam absurdas e não cabem ao ambiente universitário”, avalia.

O comunicado da IFUSP saiu um dia depois da primeira reunião do reitor com o movimento estudantil, que ocorreu na quinta-feira, 21. Outra reunião ocorreu nesta segunda-feira, para, além das reivindicações já cobradas durante a greve, pautar o calendário letivo, que será debatido no Conselho de Graduação, após o fim da paralisação, e a garantia de não retaliação aos alunos. 

Fávero, que estava presente na mesa de negociação, comentou que o pedido de não retaliação aos estudantes foi tratado “com cautela pela reitoria”. Segundo o representante dos universitários, a gestão da Universidade afirma que “não cabe diretamente a eles [essa definição] e que não podem definir nada sobre isso de primeira”, relata. 

Arak entende que intimidar alunos para voltar às aulas, especificamente os calouros, surge como ameaça  à legitimidade da greve. Na visão do presidente do Cefisma, utilizar um possível cancelamento de matrícula, principalmente quando se trata de um calouro, é coagir o aluno diante de um “sentimento da sua conquista que demorou muito tempo para conseguir”. O estudante de Física ainda destaca que a paralisação é legítima e deve continuar mesmo com tentativas da diretoria do Instituto. 

A Pública entrou em contato com reitoria da USP, mas foi informada que deveria conversar diretamente com o IFUSP. Mesmo após várias mensagens, o Instituto de Física não respondeu à reportagem. O espaço continua aberto para manifestação tanto do Instituto como da universidade.

Edição:
Reprodução WhatsApp
Reprodução WhatsApp

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Se você chegou até aqui é porque realmente valoriza nosso jornalismo. Conheça e apoie o Programa dos Aliados, onde se reúnem os leitores mais fiéis da Pública, fundamentais para a gente continuar existindo e fazendo o jornalismo valente que você conhece. Se preferir, envie um pix de qualquer valor para contato@apublica.org.

Vale a pena ouvir

EP 226 Michelle Bolsonaro e o voto das mulheres conservadoras – com Jacqueline Teixeira

Antropóloga Jacqueline Teixeira analisa a atuação das mulheres conservadoras na política

0:00

Notas mais recentes

Estudantes brasileiros são ameaçados de morte após Argentina perder a Copa


Corrida eleitoral: partidos já podem oficializar candidaturas; vice de Flávio é incógnita


Caso Rafael: Após morte, MPF instaura investigação criminal contra plataformas de bets


MP do Pará apura denúncias de perseguição de delegado contra casal de policiais lésbicas


Proposta sobre Big Techs será tema na Câmara e governo corre para negociar 6×1 no Senado


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Flávio Bolsonaro chora em conveção do PL

As lágrimas de Flávio Bolsonaro e o aceno eleitoral do filho de Jair às mulheres

|

Com menos apoio no eleitorado feminino que Lula, Flávio destaca esposa em meio a tensões com Michelle

Letalidade policial na Baixada Fluminense dispara em 2025, mesmo com queda nas operações

|

Região com 13 municípios foi alvo de 5.298 operações policiais em cinco anos, segundo pesquisa; 282 pessoas foram mortas
Viatura da Polícia Militar da Bahia está parada em via pública.

As duas faces das mortes violentas no Brasil: feminicídios e ações policiais

|

Uma em cada seis mortes violentas foram causadas por policiais; Nordeste concentra as 10 cidades com maiores índices

Tarifaço: Como a medida de Trump divide trabalhadores e empresários do setor de calçados

|

Sindicatos contestam pessimismo de entidades patronais, mas dados mostram desafios que ultrapassam Estados Unidos

Jornalistas e imprensa sofreram 204 ataques em 2025, aponta relatório da Abraji

|

Tipo mais comum de ataques foram insultos verbais, escritos e digitais, seguidos por agressões físicas
Ex-presidente Jair Bolsonaro durante missa em homenagem à padroeira do Brasil

Por que a imagem de Jair Bolsonaro com evangélicos não cola em Flávio

|

Católico, Jair conseguiu ser visto como enviado de Deus, mas o filho sofre resistência dos evangélicos

Ludopatia: O longo caminho da ajuda na visão de quem lida profissionalmente com as bets

|

Como saber quando o jogo é um problema, o desafio do tratamento e o influenciador que divulgou (e se viciou) em bets