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Como fugir do Google?

Dicas práticas para fugir da Big Tech que quer controlar o futuro da informação e tirar o jornalismo da equação

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22 de junho de 2026
17:00

Nos adicione como fonte preferencial no Google.

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Há alguns dias enviei um email para todos os nossos assinantes pedindo para quem usa o Google, por favor incluir a Agência Pública como fonte preferencial, pois o buscador tem reduzido a visibilidade do nosso jornalismo (pra fazer isso, basta clicar aqui e adicionar a Pública no campo de fontes). 

Pois o leitor Pierre me respondeu dizendo o que muita gente pensou: por que a gente não foge do Google de uma vez? E por que eu não ajudo as pessoas a encontrar alternativas? 

Bem, prometi ao Pierre que faria isso, mas já aviso que fugir do Google não é tão fácil assim. A empresa trilionária simplesmente tem mais recursos do que qualquer outra empresa do universo para fazer produtos fáceis de usar, rápidos, com uma usabilidade impressionante, e sem cobrar nada. É assim mesmo que o Google e as demais Big Techs nos mantém presas neste ciclo vicioso em que entregamos a elas nossos dados e o conteúdo produzido por nós de graça, em troca de produtos que encantam (como um “espelhinho” dos velhos colonizadores, né?). 

Mas sempre é muito importante mantermos isso na cabeça e muito louvável adotar alternativas. Então vamos lá.       

Para substituir a busca, é fácil. A busca do Google tem piorado muito significativamente nos últimos anos, e o Google AI Overview torna tudo mais fácil e mais raso, dificultando ainda mais conseguir clicar na fonte original (o que significou uma quebra brusca nas visitas a sites de jornalismo sério). 

Então, ó: troque de ferramenta de busca. O Pierre usa o Ecosia como buscador e como navegador, e diz que funciona muito bem. Desenvolvido pela empresa Ecosia GmbH, sediada em Berlim (e portanto tendo que atuar segundo a regulamentação de privacidade da União Europeia). A Ecosia usa uma mistura de respostas de uma base própria, do Google e do Bing (Microsoft), mas não entrega seus dados a essas empresas e preserva a privacidade – e a empresa ainda planta árvores com o lucro que obtém. 

Como navegador, além do Ecosia, eu sugiro sempre o Firefox, que é gerido pela Fundação Mozilla, organização que defende há décadas a privacidade, liberdade de expressão e uma internet melhor para todos.  

Voltando à busca, ferramenta essencial na internet. Aqui na Pública usamos Duck Duck Go como ferramenta de busca, inclusive no nosso site (se você clica no ícone de busca, vai ser redirecionado a essa ferramenta). É provavelmente a mais robusta dentre as ferramentas não-Big-Tech, com ótimos resultados e cuidado com a sua privacidade.  

Agora, se você seguir usando o Google, além de adicionar a Pública no Google News (clique aqui e depois aperte em seguir), eu recomendo fortemente que você mude suas configurações na conta. Entre na sua conta Google, vá até o campo “minha atividade no Google” e clique em desativar “atividade na Web e de apps”, “linha do tempo” e “histórico do Youtube”. Assim, o Google não vai rastrear o que você faz nestes ambientes. 

Outra coisa da maior importância se você usa Gmail. Desde o final de 2025 o Gmail permite que o Gemini acesse todas as suas mensagens de emails e anexos para elaborar serviços como filtro de spam, categorização, filtros, e resumos de emails. O Google garante que o seu conteúdo jamais seria usado na ferramenta que é aberta, mas é muito difícil entender onde fica a linha divisória. Uma coisa é certa: as mensagens que você envia para sua família, para amigos ou no trabalho estão sendo lidas pela IA do Google (e desde alguns dias atrás, todas as imagens que você subir no Google Lente ou na busca por imagens, também). 

Para fugir disso, é preciso desativar manualmente os “Recursos Inteligentes”, uma opção que fica dentro de configurações gerais do Gmail e do Google Workspace. Você vai perder os “espelhinhos” que o Gmail está te dando em troca, mas deixa de ser escravo de uma empresa que apenas no primeiro trimestre de 2026 faturou 100 bilhões de dólares com o seu trabalho. 

Claro, o ideal é abandonar o Gmail por um serviço de email que se preocupe com sua privacidade, e neste aspecto o Protonmail, criado por uma empresa Suíça, é imbatível. Criar uma conta de email criptografada é gratuito, mas a empresa também oferece outros serviços que te ajudam a fugir de ferramentas cotidianas do Google, como o Google Docs, Sheets, o calendário e o Google Drive. A assinatura permite também usar um VPN, tecnologia que estabelece uma conexão segura e criptografada entre o seu dispositivo e a internet, sem espionagem nem cookies.

Outra boa alternativa para email é o Tutanota, ou Tuta, empresa liderada por pessoas que lutam “pela privacidade e pela liberdade de expressão on-line”. É um serviço baseado na Alemanha, criptografado e também gratuito. E tem até site em português. 

Já que estamos falando de Google, tenho aqui duas dicas para fugir do Google IA Overview, aquela porcaria de resumo feito por IA que aparece agora antes de qualquer resultado de busca e que alucina, chegando até a inventar pessoas que não existem, como contei nesta coluna. 

Para fugir da IA na busca do Google, um caminho fácil é adicionar uma extensão no seu navegador, como a Bye Bye, Google AI ou AI Blocker ou ainda o No AI Search. Tem ainda um jeito bem mais fácil de evitar as respostas geradas por IA. Adicione ao lado dos termos da sua busca a fase “-noai” ou “-AI” e você vai receber a busca Google no padrão antigo, com os links para clicar e sites feitos por seres humanos para você descobrir. 

Finalmente, é muito difícil fugir do YouTube, porque de fato não existem outros serviços como este canal. No entanto, deixo uma dica muito bacana pra você ver filmes e vídeos de extrema qualidade, feitos no Brasil, e de graça: o Itaú Cultural tem o seu próprio serviço de Streaming gratuito com centenas de filmes nacionais.    

É isso. Qualquer grande mudança começa com um passo. Dê o seu primeiro e conte para mim!

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