Buscar
Nota

Escala 6×1, PEC da Segurança, minerais raros: o que o Congresso pode votar durante eleição

3 de agosto de 2026
13:48
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

No primeiro semestre deste ano, várias pautas que mobilizaram a população e o governo ficaram pendentes de votação no Congresso brasileiro. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1, a PEC da Segurança Pública e a Lei da Misoginia  – que criminaliza a prática, equiparando-a ao racismo -, são exemplos de projetos que têm impacto na sociedade, mas ficaram travados nas articulações do Congresso. 

Agora, com as eleições de outubro, os presidentes das duas casas legislativas, Davi Alcolumbre (União-AP), do Senado, e Hugo Motta (Republicanos-PB), da Câmara, decidiram que os parlamentares vão trabalhar em duas semanas antes das eleições para votar projetos antes das eleições: de 10 e 14 de agosto e de 31 de agosto a 3 de setembro. 

Para Marco Antônio Teixeira, coordenador do Mestrado e Doutorado em Gestão e Políticas Públicas da FGV EAESP, o momento eleitoral, na verdade,  ajuda a “ampliar o debate” sobre alguns assuntos”, mas “dificulta a votação de pautas que possam desgastar os próprios parlamentares”. Mais de 87% dos deputados federais estão concorrendo à reeleição e, no Senado, 35 das 54 vagas poderão ser renovadas no pleito deste ano.

“Tudo agora é agenda eleitoral, não tem como separar. Os projetos, sobretudo, que interessam ao governo, à bancada governista, vão do momento eleitoral para tentar acelerar o processo [de votação]”, explica.

Escala 6×1

Sobre a PEC 221/2019, que acaba com a escala 6×1 e reduz a carga horária de trabalho de 44 para 40 horas semanais, Davi Alcolumbre ainda não apresentou uma data para iniciar a sua tramitação. O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder no governo no Congresso, entretanto, afirma que a sua aprovação será prioridade na volta do recesso, mesmo com o período eleitoral chegando. 

A demora na tramitação da pauta gera críticas a Alcolumbre. Movimentos sociais, como o Movimento VAT (Vida Além do Trabalho), tem se manifestado contra a demora da aprovação, com o slogan “Davi Alcolumbre Inimigo do Povo”, parafraseando manifestações do “Congresso Inimigo do Povo”.

Mesmo não sendo afetado diretamente, pois não concorre à reeleição este ano, Davi Alcolumbre não está impermeável aos humores da opinião pública na avaliação de Teixeira. “Ele tem o grupo político dele no Amapá que terá candidato e pode sofrer [um impacto] com essa discussão”, diz o professor.

Teixeira explica que, por mais que a oposição segure pautas como o fim da escala 6×1, a manifestação pública, já inspirada pelo período eleitoral, junta-se à pressão do governo, interessado na aprovação da PEC.

Por outro lado, Teixeira ressalta que outros atores atuam na pressão política conforme a proposta legislativa. “Sempre tem, por trás, públicos que se beneficiam e públicos que se prejudicam. O fim da escala 6×1 interessa à maioria dos trabalhadores. Interessa ao setor de serviço? Alguns sim, outros não. Interessa ao agro[negócio]? A maioria diz que não. Então, é parte da democracia esse processo. […] A circunstância da eleição ajuda a dar mais holofotes para esse debate”.

PEC da Segurança Pública

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, proposta por Lula e aprovada na Câmara dos Deputados, está paralisada no Senado desde março. A PEC é uma iniciativa do governo federal para o enfrentamento do crime organizado e melhoria na segurança pública brasileira, a proposta cria o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e cria penas mais duras para chefes de facções criminosas e autores de crimes violentos.

Teixeira acredita que debates sobre misoginia  e segurança pública também se fortalecem durante o período eleitoral. Porém, ele pondera que o governo tem como alternativa, caso as votações não caminhem, tentar responsabilizar o legislativo.

 “Se, por exemplo, os dois principais projetos de interesse do governo, que são o fim da escala [6×1] e a lei da misoginia, não forem adiante, o governo vai dizer que a oposição não deixou. [Ou] morreu mais gente de feminicídio, mas a oposição não tem interesse em discutir regras que combatam melhor o feminicídio”, exemplifica Teixeira. 

Minerais críticos

A votação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos também deve ser cobrada pelo governo. O Projeto de lei 2780/24 cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE) e fomenta a pesquisa e a extração de minerais críticos. Aprovado na Câmara dos Deputados em junho, ainda espera avaliação da Comissão de Infraestrutura do Senado. 

A tramitação da pauta divide governistas e setor privado. Para o segundo grupo, a proposta dá muito poder ao Executivo, atravancando as negociações. Já o governo argumenta que a política nacional é importante para garantir a soberania.

Os vetos de Lula

A oposição, por outro lado, também tem suas estratégias. Parlamentares podem, no retorno do recesso, rever vetos feitos pelo Governo Lula nas leis sancionadas. Entre eles, vetos sobre a mudança no número de deputados federais, na Lei Orçamentária deste ano e no Estatuto Pantanal, que permite uso de áreas desmatadas ilegalmente ou degradadas na implantação de novos empreendimentos. Atualmente, 97 vetos feitos pelo presidente Lula aguardam análise e podem  ser revistos pelo Congresso Nacional. 

Edição:

Notas mais recentes

Lula discursa na ONU e Conselho do Ministério Público avalia ações de Gonet no caso Master


Campanha de Flávio ignora relação com Vorcaro e tenta associar briga no STF a Lula


STF define rumo do embate Moraes x Mendonça, e TSE lida com prazos finais para as eleições


Instituto de André Mendonça é alvo de representações para investigar irregularidades


Com despesas pagas pelos EUA, ida de procurador a evento sobre Irã é cancelada pela PGR


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

O clã dos Cury

|

Apesar de Augusto Cury se dizer novo na política, o 3º colocado nas pesquisas vem de uma família há décadas no poder
Homem usando camiseta preta com estampa de uma caveira e os dizeres “Delegado Caveira Deputado Federal”, fazendo gestos com as mãos diante de um veículo

Segurança pública é foco de apenas 1 em cada 4 propostas da Bancada da Bala

|

Apesar de seus motes de campanha, deputados abordaram combate a violência em menos de um quarto de suas 2428 proposições
Lucas Kallas, da Cedro Participações

Exclusivo: Decreto de Romeu Zema beneficiou mineradora de Lucas Kallas, ligado a Vorcaro

|

Então governador autorizou uso minerário em fevereiro para expansão da Cedro; empresa alega que rito foi legal

Com pai, marido e irmão presos, Natália Vorcaro Zettel segue à frente de 54 empresas

|

Irmã de Daniel Vorcaro é alvo de representação no MPF por suspeita de lavagem de dinheiro

Recordar é votar: 13 investigados pela CPI da Covid disputam eleições neste ano

|

Apontados pelos senadores por diversos crimes durante a pandemia concorrem a cargos – de deputado estadual a presidente

Pessoas negras são alvo da maioria dos gastos com prisões em 25 estados e DF, diz estudo

|

Para advogada do Justa dado demonstra seletividade penal e políticas estaduais com lógica punitivista
Brasília (DF), 07/05/2025 - Reunião da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara para votar requerimento que pede a suspensão de ação penal contra o deputado Ramagem.Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Esposa de Ramagem usa verba de campanha para ex-assessora e irmã de Allan dos Santos

|

Candidata a deputada federal exilada nos EUA repassou R$80 mil a empresa de ex-assessora de Ramagem em agosto

Policiais candidatos fazem autopromoção no YouTube e podem lucrar com violência e machismo

|

Estudo estima monetização de 15 influenciadores; agente eleito não pode se apresentar como policial, diz governo de SP

Bolsonaristas capturam perfis nas redes para inflar apoio religioso a Mendonça

|

Contas no Instagram trocam de nome para enaltecer juiz e simular apoio popular — prática conhecida como ‘astroturfing’

Mãe que perdeu o filho para as bets pede proibição em encontro com Lula

|

Professora mineira foi ouvida pelo presidente após reportagem da Pública motivar projetos de lei e investigação no MPF
Câmeras Smart Sampa

Câmeras, IA e repressão unem candidatos dos estados com polícias mais letais do país

|

Esquerda, direita e extrema direita propõem mais tecnologia e inteligência na segurança, mas ignoram violência policial

Ministra Cármen Lúcia dá o tom do dia no STF: “não garantimos o rigor que deveríamos”

|

Sessão do Supremo para avaliar se Alexandre de Moraes seria investigado acaba com pedido de vista e troca de farpas