Buscar
Agência de jornalismo investigativo
Da Redação

Jornalistas lançam canal online sobre Segurança Pública, Justiça e Direitos Humanos

Com apoio da Agência Pública, jornalistas como Andre Caramante, Bruno Paes Manso e Laura Capriglione lançam o site Ponte

Da Redação
17 de junho de 2014
10:56
Este artigo tem mais de 12 anos
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

Na próxima semana entra no ar o site Ponte (www.ponte.org), uma iniciativa de jornalismo independente com foco em Segurança Pública, Justiça e Direitos Humanos.

O novo site é produzido por 20 jornalistas, entre eles Andre Caramante e Laura Capriglione, ex-repórteres da Folha de S Paulo, e Bruno Paes Manso, que mantém um blog sobre o tema no Estadão. O projeto tem apoio institucional da Agência Pública de Jornalismo Investigativo.

“A questão da segurança pública é o passaporte do futuro do Brasil”, explica Laura Capriglione. “É ela quem definirá, conforme sua resolução, se evoluiremos para uma sociedade de vingadores e linchadores, ou de garantia dos direitos essenciais para todos. Com a Ponte nós reafirmamos nossa aposta na democracia e no Estado Democrático de Direito”.

André Caramante explica o diferencial do jornalismo feito pelo site: “Partimos do princípio de que a voz de um cidadão comum deve ter a mesma importância do que a de um governo, qualquer governo”.

“O jornalismo precisa cobrar a atenção e a correção permanente dos desvios cotidianos das nossas instituições, o que acaba inevitavelmente contrariando interesses. A rede de mais de 60 apoiadores será fundamental para dar respaldo social e político à Ponte”, diz Bruno Paes Manso.

A iniciativa segue um modelo de produção jornalística baseado na formação de um coletivo de profissionais, unidos em torno de um projeto sem fins lucrativos e independente, sem nenhum tipo de filiação partidária. “A proposta de um coletivo está essencialmente ligada às novas tecnologias, é um modelo filho do ‘agregar e compartilhar’”, diz Claudia Belfort, ex-editora-chefe de digitais do Estadão.

O site, com atualização diária, trará reportagens, vídeos e denúncias sobre o tema, que norteia as carreiras de todos os jornalistas envolvidos. Também fazem parte da Ponte: Caio Palazzo, Fausto Salvadori Filho, Gabriel Uchida, Joana Brasileiro, Maria Carolina Trevisan, Marina Amaral, Milton Bellintani, Natalia Viana, Paulo Eduardo Dias, Rafael Bonifácio, Tatiana Merlino e William Cardoso.

Institucionalmente, a Ponte nasce aliada à Agência Pública de Jornalismo Investigativo (www.apublica.org), uma organização sem fins lucrativos pioneira no Brasil cuja missão é produzir e promover o jornalismo investigativo. A Pública oferece apoio institucional e estrutura, como incubadora inicial do projeto. “O lançamento da Ponte acontece num momento em que o modelo comercial do jornalismo tem dado mostras de desgaste, e os próprios jornalistas têm liderado a criação de novos modelos”, diz Natalia Viana, diretora de estratégia da Pública.

Além disso, mais de 60 organizações e pessoas ligadas à área de Direitos Humanos apoiam o lançamento da Ponte.

Leias também: Por que construir a Ponte?, por Marina Amaral e Natalia Viana

Leia a seguir o manifesto de lançamento da iniciativa:

Existirmos – A Que Será Que se Destina?

A sociedade brasileira está sob ataque cerrado de grupos de pressão que advogam um Estado crescentemente violento e coercitivo como forma de encobrir as mazelas de um país ainda tão desigual.

Prova disso são os assassinatos de tantos Amarildos todos os dias nas favelas. Mortos pela polícia.

Tais crimes encontram sua origem nos quase 400 anos da escravidão que infelicitou, prendeu, torturou e matou indígenas, africanos e seus descendentes.

Alijada do direito à educação, à terra, à propriedade, à saúde e à moradia digna, a carne negra permanece a mais barata do mercado.

Para manter essa situação, concorreu e concorre fortemente o aparato repressivo do Estado, aí incluídos a Justiça, o exército, as guardas e polícias, até chegar ao mecanismo punitivo e prisional.

É bem verdade que, durante o período de luta pela redemocratização, depois de 21 anos de ditadura civil-militar, a opinião pública pareceu convencida da necessidade de Justiça Social, Racial e de Gênero, Direitos Humanos, Redução da Desigualdade Econômica, Igualdade de Oportunidades. E Paz para todos.

Nesses anos combativos, corações e mentes foram chacoalhados por corajosos e imprescindíveis repórteres, que expuseram ao escrutínio do país a barbárie da violência praticada nas quebradas e delegacias, revelaram a crueldade e corrupção dos grupos de extermínio e esquadrões da morte, denunciaram a miséria do recurso à tortura como “técnica de investigação”.

Essas denúncias, aliadas ao avanço do movimento social, resultaram em importantes políticas públicas garantidoras de direitos aos mais fracos e humildes. Por exemplo, venceu-se a batalha para que fossem endereçados à Justiça comum os crimes de morte cometidos por policiais, surgiu o Estatuto da Criança e do Adolescente e montaram-se as defensorias públicas.

Mas foi só um começo. Muito mais precisa ser feito.

PONTE, novo canal de informação sobre Segurança Pública, Direitos Humanos, Justiça e Democracia, constitui-se neste momento com a convicção de que é inadmissível que a população tenha (com razão tantas vezes) pavor da tropa policial;

Que é inaceitável as cadeias e presídios consumirem orçamentos bilionários para somente impor aos apenados tortura, dor, sofrimento e morte;

Que é incompatível com uma sociedade moderna um Judiciário frequentemente tão injusto: vingativo contra os pobres e oprimidos; leniente com os privilegiados.

Queremos romper com a visão – presente tanto no jornalismo como nas políticas de segurança pública – que privilegia o centro sobre a periferia e o asfalto sobre o morro.

Contra as barreiras e preconceitos, escolhemos a travessia. Por isso, PONTE. Para jogar luz sobre as trevas do preconceito, da mentira, do sensacionalismo e da ignorância.

Não temos chefes. Em uma disputa, ouviremos todos os lados porque não aceitamos nenhuma ligação ou subordinação em relação a partidos, governos, corporações ou confissões religiosas.

Para produzir reportagens que honrem a verdade, nosso método é a independência absoluta, honestidade e autocrítica.

Estamos otimistas com nossa missão e acreditamos que poderemos cumpri-la porque, como nós, há milhões de brasileiros que não aceitam mais a injustiça como doença social crônica. E que anseiam por informação de qualidade para decidir como alcançar um destino melhor.

+ MAIS

http://ponte.org/

https://www.facebook.com/pontejornalismo

 

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Assine nossas newsletters
Fique por dentro

Artigos mais recentes

O ex-senador Eduardo Suplicy é detido em reintegração de posse próximo a Cohab Educandário

Levantamento aponta um caso de violência política a cada 37 horas durante campanha de 2026

|

Monitoramento exclusivo da Pública por 17 dias chegou a 11 casos cujos agressores são, na maioria, agentes de segurança

Dos clubes de tiro ao poder: segmento de armas injeta mais de R$ 1,2 milhão nas eleições

|

Empresários do setor doaram para 96 candidatos – PL, Republicanos e Novo lideram recebimento de recursos

Visita à Heritage Foundation de Sérgio Sant'Ana e Eduardo Bolsonaro

Empresário que fundou Instituto com Eduardo Bolsonaro presta serviço para campanhas

|

Empresa de Sérgio Sant’Anna recebeu R$340 mil; empresário diz que ICL está “inativo” e que se afastou do ex-deputado

O senador Flávio Bolsonaro, durante sessão da Comissão de Desenvolvimento Regional do Senado

Flávio Bolsonaro, os hospitais federais e a pandemia de Covid no Rio de Janeiro

|

Contratos superfaturados, demissões e hospitais sucateados: como Flávio influenciou a saúde do Rio no governo do pai

Ex-jogador da seleção brasileira de basquete dos anos 1980 Nilo Guimarães. Ele foi secretário de esportes de Mogi da Cruzes, na região metropolitana de São Paulo, por 12 anos (2009-2020).

Empresa de ex-secretário de Esportes de Mogi recebeu dinheiro de emenda Pix de Mario Frias

|

Sócio de Nilo Guimarães na Pulsa Uniformes diz que material foi entregue, mas não envia comprovação

A execução de Davi Sebba e a teia de policiais que Goiás levou 14 anos para julgar

|

Letalidade policial quase triplicou em 2012, ano do crime; governador era Marconi Perillo, candidato ao cargo em 2026

Investigação e processos criminais: o rastro legal dos deputados da Comissão de Segurança

|

CSPCCO: 12 deputados ligados a forças de segurança foram parte em procedimentos criminais, que vão de calúnia a agressão

Rio de Janeiro (RJ), 08/03/2023 - Ato denúncia em frente à Câmara Municipal, organizado pelo campanha Levante Feminista contra o Feminicídio

Na Amazônia Legal, 9 em cada 10 vítimas de feminicídio em 2025 não tinham medida protetiva

|

Levantamento em oito estados mostra que mulheres morrem desprotegidas; recurso jurídico é alternativa para evitar crime

Nossa Senhora Aparecida vira evento eleitoral e aprofunda crise entre ministros do STF

|

Monitoramento mostra que debate nas redes ultrapassou boato inicial e passa de 12 milhões de interações em poucos dias

Fachada do Congresso Nacional, em Brasília.

Os candidatos das Big Techs nas eleições 2026

|

Levantamento mostra quais políticos brasileiros têm atuado a favor dos interesses das grandes corporações de tecnologia