Buscar
Nota

Câmara avalia pedidos de punições mais rigorosas em casos de trabalho escravo

23 de novembro de 2023
18:33
Este artigo tem mais de 2 anos
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

Representantes de órgãos públicos e entidades trabalhistas cobraram a aprovação de legislações mais rigorosas contra o trabalho escravo, durante seminário na Câmara dos Deputados nesta quinta-feira (23). O objetivo do evento foi debater políticas públicas para o enfrentamento do problema, como a PEC 14/2017, que torna o crime imprescritível e ganha força após os recentes resgates de trabalhadores em condições análogas à escravidão.

O diretor do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (SINAIT), Lucas Reis da Silva, afirmou que apesar de normas já estabelecidas pelo Estado brasileiro ajudarem no combate ao crime, ainda há “desafios” que precisam ser superados. Como exemplo, ele mencionou a regulamentação da Emenda Constitucional 81/2014, que trata da desapropriação de terras quando constatado trabalho escravo contemporâneo e a destinação da propriedade para a reforma agrária. 

É o que acredita também a juíza do trabalho Maria Ines Corrêa de Cerqueira, presente no seminário: “Nós precisamos tirar terra e regulamentar esta questão no Congresso Nacional, para que essas pessoas, para quem vale a pena o trabalho escravo, percam as suas propriedades. Quando doer no bolso, quando a Justiça do Trabalho fixar indenizações relevantes para o trabalho escravo, isto talvez pare de acontecer”, disse à Agência Pública

Para Luciana Leite, defensora da Biodiversidade e do Clima na Environmental Justice Foundation – Brasil (EJF), são necessários “esforços de fiscalização maiores” para resolver o problema. “Precisamos de investimentos, para a gente ter mais auditores, mais fiscais do trabalho, um efetivo maior em campo, um aparelhamento mesmo das instituições que são responsáveis por encontrar e resgatar esses brasileiros e brasileiras”, afirmou à Pública

Ela apresentou um relatório elaborado pela EJF sobre o trabalho escravo na pecuária nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde o setor é responsável por 44% dos casos identificados de trabalho escravo entre 1995 e 2022. A análise da entidade revela que, apesar de uma redução dos números de registros nos últimos anos, isso não está relacionado à erradicação do crime, mas à diminuição das inspeções. 

O seminário foi o primeiro organizado pela subcomissão “Casos de Trabalho Análogo à Escravidão no Brasil”, da Comissão de Trabalho da Câmara. O relator, deputado Bohn Gass (PT-RS), disse que um dos objetivos do colegiado é elencar todos os projetos que estão em tramitação na Casa que tenham proximidade com o tema, para que seja possível tentar dar celeridade às propostas. Também ressaltou a importância da “pressão e do diálogo que a sociedade precisa fazer sobre o parlamento”. 

Autor do requerimento de criação da subcomissão, o deputado Rogério Correia (PT-MG) afirma que o objetivo do colegiado é “dar força ao Ministério do Trabalho” que, em sua visão, retomou o combate “mais sistemático” ao trabalho escravo, em contraposição à gestão de Jair Bolsonaro (PL). 

“Essa comissão vai deixar um legado de um levantamento histórico sobre isso e um reforço às medidas necessárias de combate ao trabalho escravo. E o que é fundamental para isso é determinação política e, ao mesmo tempo, ter consequência. Aqueles que forem denunciados por trabalho escravo têm que ser punidos, e dar condições àqueles que foram submetidos a esse tipo de trabalho a ter um outro trabalho, para que eles não sejam de novo vítimas desse tipo de ação”, declarou Correia à Agência Pública.

Edição:

Notas mais recentes

Governos de 4 estados não aderem a esforço nacional de combate a roubos de celulares


Quem é Fernando Cerimedo, preso em investigação sobre ataque a tiros à ex-companheira


MPF move ação contra Renan e MBL por xingar indígenas do Pará no Instagram


Corrida eleitoral: Campanha começa com Lula em Minas Gerais, Flavio desmarca Juiz de Fora


Corrida Eleitoral: sabatinas eleitorais continuam enquanto Congresso volta de recesso


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Investigados por desinformação e tentativa de golpe seguem ativos nas redes em 2026

|

Ao menos dez alvos de inquéritos no STF e TSE em eleições passadas continuam publicando sobre o pleito deste ano

Tingir o chão de sangue: propostas de Renan Santos para segurança vão contra Constituição

|

Candidato do MBL defende prisão, mortes e vingança em discurso emocional contra a violência

Partido da farda: número de candidatos policiais ou militares passa de 1,2 mil

|

Bancada de policiais no Legislativo direciona recursos para a Polícia Militar, enquanto resolução de crimes segue baixa

Quase quatro a cada dez indígenas em terras na Amazônia não têm acesso adequado a água

|

Ao todo, 38% não tem água tratada ou fontes como poços e nascentes, dependendo de rios e lagos, muitos contaminados

Sob Lula, assassinatos de indígenas sobem 22% em 2025 e superam média da era Bolsonaro

|

Após queda em 2023, número de mortos volta a subir e chega a 258; Marco Temporal é parte do problema, diz Cimi

Corrida por Data Centers gera denúncias de violações trabalhistas em São Paulo

|

Trabalhadores relatam assédio, acidentes e adoecimento. Empresas alegam cumprir lei trabalhista e normas de segurança

Fazer falar os ossos: a rotina de quem procura os desaparecidos da ditadura

|

Mostra no Centro MariAntonia (USP), em São Paulo, expõe o trabalho de peritos na identificação dos mortos na ditadura

“Onde tem malária, tem garimpo”: cinta larga aguardam decisão do STF sobre mineração

|

Julgamento nesta quinta-feira, 13, pode abrir caminho para mineração em terras indígenas entre Rondônia e Mato Grosso

Banco do Nordeste e Itaú financiam R$ 44 milhões para soja em área de conflito no Maranhão

|

Investidora paulista consegue autorizações de desmatamento e sinal verde na Justiça em disputa contra extrativistas
Governador de Goiás Ronaldo Caiado no escritório do Google em Nova York

Candidato à Presidência, Caiado transformou Goiás em laboratório de leis para Big Techs

|

Projetos que interessam ao Google e Amazon avançam em Goiás sem debate, cada um aprovado em menos de 48 horas