Buscar
Nota

Adultização: Efeito Felca impulsiona na Câmara projeto para proteger crianças nas redes

14 de agosto de 2025
14:30
Este artigo tem mais de 1 ano
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

Desde que o vídeo do influenciador Felca ganhou tração nas redes sociais, pipocaram projetos que visam proteger crianças e adolescentes da “adultização” e sexualização nas plataformas. A comoção gerada pelas denúncias do youtuber levou à apresentação de dezenas de propostas no Congresso, mas um projeto já aprovado no Senado Federal desde o fim de 2024 despontou como a opção do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), para responder à demanda popular.

O futuro do PL 2.628/2022 estava, até então, indefinido. Na terça-feira (12), Motta disse que criaria um grupo de trabalho “para apresentar o mais avançado e efetivo projeto de lei para proteger as nossas crianças” e uma comissão geral para deixar claro o posicionamento da Casa. O governo também afirmou que apresentaria um projeto próprio para regular as redes na quarta-feira (13).

Entretanto, após reunião do presidente da Câmara com o deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI), relator do projeto na Comissão de Comunicação, e parlamentares da base do governo, como Maria do Rosário (PT-RS) e Sâmia Bomfim (PSOL-SP), além do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do projeto na Câmara, Motta afirmou que pedirá que o projeto seja destacado e votado com urgência já na próxima semana, de acordo com publicação de Alencar.

Especialistas ouvidos pela Agência Pública defendem que o PL 2.628/2022 é maduro e já estaria “mais avançado”, além de contemplar a maior parte da problemática levantada em 35 novos projetos recentes sobre o tema. “Ele traz uma série de avanços para a proteção de crianças e adolescentes”, explicou Emanuella Halfeld, analista de Relações Governamentais do Instituto Alana, organização que atua para garantir condições para o desenvolvimento integral da infância. 

A última versão do texto do projeto, publicada na terça-feira (12) por Jadyel Alencar estabelece que as plataformas devem “tomar medidas razoáveis para prevenir e mitigar o acesso e a exposição a conteúdos relacionados a exploração sexual, violência física, assédio e bullying virtual de crianças e adolescentes” e produzir relatórios semestrais que detalhem as denúncias recebidas e as medidas adotadas para a proteção dos usuários infantis. Um requerimento para que o projeto tramitasse em urgência chegou a ser pautado quatro vezes no plenário da Câmara entre 14 de julho e seis de agosto, mas não foi apreciado.

A falsa (e recorrente) narrativa de censura

“A nossa preocupação hoje é que o PL 2.628 seja mantido como a referência que até então estava sendo construída. Ele traz uma série de avanços para a proteção de crianças e adolescentes”, afirmou Alexandre Gonzales, coordenador do DiraCom, organização que atua na defesa e promoção de direitos ligados à comunicação. 

Gonzales avalia que o vídeo do influenciador Felca ajudou o tema a despontar no debate público, mas também fez com que os bolsonaristas começassem a associar o projeto à falsa narrativa de censura. Antes disso, “o projeto estava andando abaixo do radar do alardeamento sobre censura do conjunto do campo da extrema direita no Congresso”, explicou.

O PL e o Novo já sinalizaram que pretendem obstruir projetos contra a “adultização” se considerarem que existe risco de censura. Os partidos foram responsáveis por 10 das 15 emendas aceitas pelo relator Jadyel Alencar em seu último relatório. Para Gonzales, a denúncia de censura “é vazia”. “Eles não apontam em nenhum aspecto do texto onde é que isso vai se estabelecer”.

Nikolas Ferreira (PL-MG), por exemplo, apresentou um projeto para combater a sexualização infantil, e o defendeu nas redes. “A opção é essa. Os demais projetos estão desvirtuando a essência do debate para fins próprios, como a regulamentação da internet”, disse. Entretanto, o projeto de Nikolas também apresenta medidas não relacionadas ao tema: proíbe, por exemplo, que o Poder Executivo crie por meio de mecanismos infralegais, como decretos, “obrigações adicionais que restrinjam a liberdade de expressão nas redes sociais”.

“No primeiro momento, o tema ganhar a dimensão no debate público, seja na imprensa, no Congresso, entre outras organizações da sociedade, é muito positivo, porque coloca em evidência a necessidade e a urgência do tema. Por outro lado, as empresas do setor buscam se movimentar para aproveitar certas questões”, alerta Gonzales.

Edição:
Lula Marques/ Agência Brasil

Notas mais recentes

Com despesas pagas pelos EUA, ida de procurador a evento sobre Irã é cancelada pela PGR


Semana tem presidenciáveis no 7 de setembro e STF na apuração sobre denúncias de ministros


PEC da Segurança Pública: votação fica para depois do 1° turno com aval de relator do PT


Fim da Escala 6×1 será votado no Senado em esforço concentrado antes do recesso eleitoral


Departamento de Guerra dos EUA investe 750 milhões de dólares em terras raras brasileiras


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Foto mostra modelo atual de urna eletrônica usada nas eleições brasileiras

Ministério Público Eleitoral impugna 15 candidatos em SP ligados a crimes, dois ao PCC

|

Órgão contesta 557 registros e utiliza nova regra do TSE para afastar crime organizado da política
Flávio Bolsonaro (PL) participou no sábado 29 de agosto de um ato de campanha à Presidência em Angra dos Reis (RJ) ao lado do candidato a deputado federal, o empresário Renato Araújo, também do PL

O amigo do Flávio Bolsonaro em Angra dos Reis

|

Quem é Renato Araújo, candidato a deputado que cresce no círculo dos Bolsonaro assim como os problemas ao seu redor

Congresso travou regulação de câmeras corporais enquanto letalidade policial batia recorde

|

Câmeras corporais de policiais se tornaram campo de disputa política que vai muito além da responsabilização por abusos

Prevenção a violências contra crianças passa batida em propostas de presidenciáveis

|

Maior parte dos programas ignora prevenção a mortes ou violência sexual de crianças e sequer menciona primeira infância

Lula e Flávio, mais cautelosos que o usual, deixam público dar recados no 7 de setembro

|

Em SP, ato da direita levou menos gente às ruas que no ano passado; em BSB, Lula seguiu protocolo “seguro”

André Mendonça mobiliza orações e se torna ícone do 7 de setembro bolsonarista

|

Crise no STF se torna “guerra santa” entre evangélicos e coloca o ministro como “mártir” em oposição a Moraes

Contando com memória curta do eleitor, candidatos antes cassados voltam às urnas em 2026

|

Políticos cassados no passado tentam reconquistar votos beneficiados por leis, decisões da Justiça ou até pelo tempo

Crise no STF após divulgação de conversas entre Moraes e Vorcaro: como chegamos até aqui?

|

André Mendonça escancara divisões na Corte ao tirar sigilo de investigação citando colega e tema deve impactar eleições