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Família Bolsonaro movimentou mais de 1 milhão nos EUA após derrota nas eleições

28 de março de 2025
13:22
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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu por tentativa de golpe, e o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), movimentaram pelo menos R$ 1,6 milhão nos Estados Unidos (EUA), após as eleições de 2022. É o que mostram documentos oficiais do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e do governo do estado norte-americano do Texas, aos quais a Agência Pública teve acesso. 

Jair Bolsonaro enviou R$ 800 mil para uma conta no país em dezembro daquele ano, e Eduardo Bolsonaro também movimentou cerca de R$ 800 mil (na cotação atual) por meio de uma empresa nos EUA, em julho de 2023. Já o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no pleito do ano passado ter R$ 287,5 mil aplicados em dois bancos no país: R$ 176,3 mil no Bank Revolut e R$ 111,2 mil no Truist Bank USA – não há informações da data da abertura das contas. 

Para a Polícia Federal (PF), Bolsonaro viajou aos EUA após a derrota nas urnas “para evitar uma possível prisão e aguardar o desfecho dos atos golpistas do dia 8 de janeiro de 2023”. A informação consta no relatório que embasou a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente, recebida nesta quarta-feira (26/3) por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Agora, a Corte, junto com a PF, estariam monitorando a possibilidade de Jair Bolsonaro repetir o feito, caso seja condenado à prisão, conforme revelou ontem a jornalista Andréia Sadi. 

Três dias antes de embarcar para Orlando, na Flórida, em 31 de dezembro de 2022, o ex-mandatário transferiu R$ 800 mil para um banco dos EUA. A movimentação financeira consta em relatório do Coaf enviado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Atos Golpistas do Congresso Nacional, em julho de 2023. 

Em vídeo gravado em fevereiro de 2024, o ex-presidente admitiu a movimentação: “A imprensa vem noticiando que, segundo a Polícia Federal, eu enviei em dezembro de 2022 para os Estados Unidos R$ 800 mil à espera de um golpe. Enviei, sim, da minha poupança do Banco do Brasil para o Banco do Brasil América, ou seja, continuou em banco brasileiro”, declarou. “Em 2023, os brasileiros enviaram 2,3 bilhões de dólares [ao exterior], isso não é crime. Assim como eu, tinham dúvidas sobre a economia do atual mandatário de esquerda”, justificou.

Filho “03” de Jair Bolsonaro, Eduardo, que recentemente se licenciou do mandato de deputado federal para morar nos EUA, movimentou também cerca de R$ 800 mil (140 mil dólares), por meio de uma empresa que mantinha com Paulo Generoso, empresário que apoiou os atos golpistas, e com o ex-secretário nacional de Fomento e Incentivo à Cultura no governo Bolsonaro, André Porciúncula. Os dados estão em documento público do Texas trazidos à tona nesta quinta-feira (27/3) pela revista Fórum e pela coluna do jornalista Jamil Chade no portal UOL. A Pública também teve acesso ao documento na última terça-feira.  

Os negócios de Eduardo nos EUA

A sociedade na Braz Global Holding foi revelada pela Pública, em parceria com o UOL e o Centro Latino-Americano de Jornalismo Investigativo (Clip), em maio de 2023. À época, também mostramos que no mesmo endereço da holding, em Arlington (Texas), foram abertas outras duas empresas que tinham Generoso e Porciúncula na sociedade – além de Raquel Brugnera, que trabalhou no governo Bolsonaro: a Liber Group Brasil e o Instituto Liberdade. Nos registros oficiais não há a descrição da atividade das empresas. A Braz Global e a Liber Group, fundadas em 18 de março e 13 de janeiro de 2023, respectivamente, foram encerradas em 18 de abril de 2024. 

De acordo com documento do governo do Texas, em 28 de julho de 2023 a Braz Global Holding assinou um contrato de 140 mil dólares (aproximadamente R$ 800 mil na cotação atual) com a VentureXSpannsion LLC, referentes a lotes na cidade de Fort Worth, também no Texas. A movimentação foi registrada em 6 de fevereiro de 2024 (menos de dois meses antes do encerramento da holding).  

Na mesma época dessa transação – mais especificamente entre 31 de março a 27 de julho –, a holding de Eduardo Bolsonaro administrou uma empresa que se descreve como importadora e exportadora de carnes e commodities, a Omni World Trades, conforme mostrou também com exclusividade a Pública. 

“Se vocês são bons repórteres investigativos, vocês vão lá, investiguem e façam”, respondeu Eduardo Bolsonaro, ao ser questionado sobre os negócios da Braz Holding, em maio de 2023. A reportagem tentou contato com o parlamentar hoje, mas não obteve retorno até a publicação. 

Edição: | Colaboração:

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