Buscar
Nota

Bolsonaro poderia reduzir pena em até 3 anos se lesse mais de 300 livros

8 de janeiro de 2026
17:53
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

Condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a um mecanismo legal para reduzir seu tempo de reclusão: a remição pela leitura. O pedido foi realizado nesta quinta-feira, 8 de janeiro, ao ministro Alexandre de Moraes, para que Bolsonaro seja incluído no programa de leitura previsto na Lei de Execução Penal e na Resolução CNJ nº 391/2021, que permite o abatimento de quatro dias da pena para cada livro lido e resenhado, com um limite de 12 obras anuais.

Bolsonaro cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde está preso desde novembro de 2025. Caso o benefício seja concedido, Bolsonaro pode ler e resenhar até 12 obras anuais, o que significa uma remição máxima anual de pena de 48 dias.

Numa estimativa e considerando que a legislação penal brasileira prevê múltiplas condições que podem aumentar ou diminuir significativamente esse período — mudando o cálculo da pena —, o mecanismo poderia subtrair 1.308 dias da pena de Bolsonaro, o equivalente a 3 anos e 7 meses. Isso representa uma redução de 13,15% da pena total de 9.945 dias, ou 27 anos e 3 meses. Para aproveitar o benefício em sua totalidade, o cálculo realizado pela Agência Pública estima que seria necessária a leitura e resenha de 327 livros para um eventual abatimento de pena, que passaria a ser de 23 anos e 8 meses.

Esse cálculo, contudo, depende da progressão de pena. Caso Bolsonaro vá para regime aberto, o “desconto” de anos de pena por leitura deixa de ser aplicado, assim como a possibilidade de remição com leitura de mais obras.

Mas para a remição, Bolsonaro deve ter acesso a livros autorizados pela administração prisional, produzir resenhas e relatórios sobre cada obra e ter essas leituras avaliadas por comissão competente. Entre os títulos disponíveis no sistema prisional do Distrito Federal, encontram-se obras cujos temas contrastam diretamente com o histórico público e a base da condenação do ex-presidente. Um exemplo é Democracia, de Philip Bunting, que aborda os fundamentos do sistema político que, segundo a decisão do STF, Bolsonaro tentou subverter. Outro título é Ainda Estou Aqui, de Marcelo Rubens Paiva, um relato sobre a violência da ditadura militar, regime que o ex-presidente elogiou em diversas ocasiões.

Além de ler os livros, Bolsonaro precisará fazer uma resenha das obras, que deve ser avaliada por uma comissão.

Benefício foi concedido a Almir Garnier

O ministro Alexandre de Moraes (STF) já havia autorizado no final do ano passado o ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier Santos, também condenado na trama golpista, a ler livros, trabalhar internamente, realizar cursos superiores a distância e fazer videoconferências com familiares durante o cumprimento de sua pena de 24 anos de prisão por participação em plano de golpe de Estado.

Garnier está preso na Estação Rádio da Marinha, em Brasília, desde novembro de 2025. A defesa do almirante solicitou as autorizações alegando ressocialização e aproveitamento do tempo de custódia.

Edição:

Notas mais recentes

Morta por PMs, juíza Patrícia Acioli “humilhava policiais”, disse Flávio Bolsonaro em 2011


iFood passa R$ 3 milhões para pesquisa científica após acordo para encerrar inquéritos


Últimas pesquisas e fim da propaganda eleitoral marcam semana antes do primeiro turno


Paulo Gonet segue no caso Master após decisão do Conselho do Ministério Público Federal


Nossa Senhora Aparecida: boato sobre padroeira domina redes e chega ao TSE


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Assine nossas newsletters
Fique por dentro

Artigos mais recentes

Imagem feita com auxílio de IA mostra o senador Flávio Bolsonaro, o banqueiro Daniel Vorcaro (Banco Master) e o cartaz do Filme Dark Horse

Why a Bolsonaro biopic is at the center of Brazil’s presidential election

|

A Hollywood-style film about Jair Bolsonaro is wrapped up in Brazil’s biggest bank fraud probe

Quase mil anúncios sobre Lula e Flávio na Meta foram pagos em dólar

|

Impulsionados por US$120 mil, conteúdos circularam sem rótulo de conteúdo político

Processos sobre desinformação e propaganda digital triplicam nas eleições de 2026

|

Até agora são mais de 9,5 mil processos na Justiça Eleitoral no 1º turno, contra 3,4 mil durante mesmo período em 2022

A “bancada” anti-indígena que vai às urnas neste domingo

|

Levantamento mostra que 370 parlamentares fizeram propostas negativas para indígenas; 270 deles disputam reeleição
O ex-senador Eduardo Suplicy é detido em reintegração de posse próximo a Cohab Educandário

Levantamento aponta um caso de violência política a cada 37 horas durante campanha de 2026

|

Monitoramento exclusivo da Pública por 17 dias chegou a 11 casos cujos agressores são, na maioria, agentes de segurança

Dos clubes de tiro ao poder: segmento de armas injeta mais de R$ 1,2 milhão nas eleições

|

Empresários do setor doaram para 96 candidatos – PL, Republicanos e Novo lideram recebimento de recursos
Visita à Heritage Foundation de Sérgio Sant'Ana e Eduardo Bolsonaro

Empresário que fundou Instituto com Eduardo Bolsonaro presta serviço para campanhas

|

Empresa de Sérgio Sant’Anna recebeu R$340 mil; empresário diz que ICL está “inativo” e que se afastou do ex-deputado
O senador Flávio Bolsonaro, durante sessão da Comissão de Desenvolvimento Regional do Senado

Flávio Bolsonaro, os hospitais federais e a pandemia de Covid no Rio de Janeiro

|

Contratos superfaturados, demissões e hospitais sucateados: como Flávio influenciou a saúde do Rio no governo do pai
Ex-jogador da seleção brasileira de basquete dos anos 1980 Nilo Guimarães. Ele foi secretário de esportes de Mogi da Cruzes, na região metropolitana de São Paulo, por 12 anos (2009-2020).

Empresa de ex-secretário de Esportes de Mogi recebeu dinheiro de emenda Pix de Mario Frias

|

Sócio de Nilo Guimarães na Pulsa Uniformes diz que material foi entregue, mas não envia comprovação

A execução de Davi Sebba e a teia de policiais que Goiás levou 14 anos para julgar

|

Letalidade policial quase triplicou em 2012, ano do crime; governador era Marconi Perillo, candidato ao cargo em 2026