Buscar
Nota

Rio: 80% dos feminicídios no primeiro trimestre foram cometidos por agentes de segurança

8 de abril de 2025
04:00
Este artigo tem mais de 1 ano
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

Bruna Meireles Corrêa, 32 anos, foi morta com um tiro na cabeça pelo companheiro, um policial militar, identificado como Wladson Luan Monteiro Borges. O crime aconteceu em Belém (PA), em março deste ano, após um suposto desentendimento entre eles. O agente de segurança foi preso em flagrante pelo crime de feminicídio. No mesmo mês, um casal de policiais civis foi encontrado morto a tiros no Rio de Janeiro. Luciano do Nascimento Costa teria matado Gabriele Ferreira Santos, de 26 anos, e em seguida tirado a própria vida. 

Os dois casos ilustram bem os significativos percentuais de feminicídios praticados por agentes de segurança pública, que foram registrados em um levantamento inédito do Instituto Fogo Cruzado. Entre 1º de janeiro e 20 de março deste ano, o número de mulheres assassinadas ou que sofreram tentativa de feminicídio por policiais militares ou guardas municipais cresceu nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, de Salvador e de Belém, áreas de atuação da iniciativa.

O Rio de Janeiro teve a maior alta – quatro dos cinco casos monitorados  foram praticados por agentes de segurança pública. Em 2024, apenas um dos nove casos de feminicídio ou tentativa de feminicídios registrados pelo Fogo Cruzado na capital carioca tinha sido praticado por policiais ou guardas municipais.

Na região metropolitana de Salvador, um dos três feminicídios ou tentativas registrados no mesmo período foi praticado por um agente de segurança pública. Na região metropolitana de Belém, um único foi caso monitorado. 

Se considerarmos a quantidade total de feminicídios ou tentativa de feminicídios, independente da autoria, as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e do Recife (PE) registraram a maior quantidade de casos entre as localidades monitoradas pelo Fogo Cruzado, entre os anos de 2023, 2024 e 2025 (até 20 de janeiro). Foram 38 no Rio de Janeiro e 31 no Recife. 

De 2023 a 2024, Pernambuco foi o estado do Nordeste com maior quantidade de feminicídios, 69 casos, de acordo com o relatório Elas Vivem, divulgado pela Rede de Observatórios em março deste ano. O mesmo levantamento mostrou que, no Brasil, a cada 24 horas, ao menos 13 mulheres foram vítimas de violência no ano passado, nos nove estados monitorados pela Rede de Observatórios da Segurança (MA, BA, CE, MA, PA, PE, PI, RJ, SP). 

O Fogo Cruzado também registrou 18 casos de feminicídios ou tentativas no período na região metropolitana de Salvador e 6 em Belém. 

Marianna Araújo, uma das diretoras do Instituto Fogo Cruzado, diz que embora não existam levantamentos nacionais sobre o tema, “os dados mostram a expressiva participação de agentes de segurança em feminicídios ou tentativas de feminicídios”. Ela explica que o levantamento foi feito de modo colaborativo, com base em notícias divulgadas pela imprensa; informações de fontes oficiais e do público em geral, que são checadas. Os resultados apontam para um padrão dos casos, segundo Araújo. “É muito comum que a companheira também trabalhe nas forças de segurança e, com frequência, acontece em casa ou dentro do próprio quartel.”

Ela diz que a quantidade de casos pode ser muito maior, “pela carência de dados e pela subnotificações das situações muitas vezes não denunciadas”. “Até quando vamos naturalizar que os profissionais de segurança pública não sejam responsabilizados pelas mortes ou tentativas de violência que cometem?”, questiona.

Edição:
Matheus Pigozzi/Agência Pública
Matheus Pigozzi/Agência Pública

Notas mais recentes

Instituto de André Mendonça é alvo de representações para investigar irregularidades


Com despesas pagas pelos EUA, ida de procurador a evento sobre Irã é cancelada pela PGR


Semana tem presidenciáveis no 7 de setembro e STF na apuração sobre denúncias de ministros


PEC da Segurança Pública: votação fica para depois do 1° turno com aval de relator do PT


Fim da Escala 6×1 será votado no Senado em esforço concentrado antes do recesso eleitoral


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Na urna com o ex: Rivais históricos se unem por espaço e poder nas eleições 2026

|

Antigos adversários superam críticas, ideologias e até acusações de crimes para disputar voto do eleitor em outubro

Espionado por Mendonça em 2020, professor vê “natureza golpista” em atuação de ministro

|

Luiz Eduardo Soares conta como foi monitorado por ordem do atual ministro do STF e critica instrumentalização da Corte
Deputado federal Mário Frias durante sessão na Câmara dos Deputados

Como Mário Frias chegou ao centro da máquina de propaganda da família Bolsonaro

|

Ex-ator foi colocado na política por Jair para juntar cultura e armas em estratégia olavista de guerra ideológica
Foto mostra modelo atual de urna eletrônica usada nas eleições brasileiras

Ministério Público Eleitoral impugna 15 candidatos em SP ligados a crimes, dois ao PCC

|

Órgão contesta 557 registros e utiliza nova regra do TSE para afastar crime organizado da política
Flávio Bolsonaro (PL) participou no sábado 29 de agosto de um ato de campanha à Presidência em Angra dos Reis (RJ) ao lado do candidato a deputado federal, o empresário Renato Araújo, também do PL

O amigo do Flávio Bolsonaro em Angra dos Reis

|

Quem é Renato Araújo, candidato a deputado que cresce no círculo dos Bolsonaro assim como os problemas ao seu redor

Congresso travou regulação de câmeras corporais enquanto letalidade policial batia recorde

|

Câmeras corporais de policiais se tornaram campo de disputa política que vai muito além da responsabilização por abusos

Prevenção a violências contra crianças passa batida em propostas de presidenciáveis

|

Maior parte dos programas ignora prevenção a mortes ou violência sexual de crianças e sequer menciona primeira infância

Lula e Flávio, mais cautelosos que o usual, deixam público dar recados no 7 de setembro

|

Em SP, ato da direita levou menos gente às ruas que no ano passado; em BSB, Lula seguiu protocolo “seguro”

André Mendonça mobiliza orações e se torna ícone do 7 de setembro bolsonarista

|

Crise no STF se torna “guerra santa” entre evangélicos e coloca o ministro como “mártir” em oposição a Moraes