Buscar
Nota

Taxa de desmatamento da Amazônia bate o menor nível desde 2015; no Cerrado também cai

6 de novembro de 2024
18:59
Este artigo tem mais de 1 ano
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

A taxa de desmatamento da Amazônia Legal entre agosto de 2023 e julho de 2024 atingiu a menor área desde 2015, uma queda de 30,6% em relação aos 12 meses anteriores. É a terceira queda consecutiva e um avanço do Brasil no combate à principal fonte de emissão de gases de efeito estufa do país.

Foram derrubados no período 6.288 km2 ante os 9.064 km2 registrados entre agosto de 2022 e julho de 2023 – que já representaram uma queda de 21,8% em relação ao ano anterior. Os dados do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram divulgados no fim da tarde desta quarta-feira, 6 de outubro, em cerimônia no Palácio do Planalto. 

A perda anual do Cerrado também diminuiu, após quatro altas consecutivas. Entre agosto de 2023 e julho de 2024, foram desmatados 8.174 km2, uma queda de 25,7% em relação ao período anterior.

Estava previsto que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) faria o anúncio, mas ele acabou cancelando a participação quando o evento já estava atrasado por mais de duas horas.

O Prodes, que monitora o desmatamento por satélite, fornece a taxa oficial no período de um ano, que vai sempre entre 1º de agosto de um ano a 31 de julho do ano seguinte. Ele leva em conta somente o chamado corte raso, quando toda a vegetação é removida e o solo é exposto. Não inclui, portanto, a degradação sofrida pela floresta com incêndios, que afetaram fortemente a região neste ano.

O dado anunciado hoje é uma estimativa da taxa, que deve ser fechada em alguns meses.

Logo no início do governo Lula, foi retomado o Programa de Combate ao Desmatamento da Amazônia (PPCDAm), que tinha sido suspenso no governo de Jair Bolsonaro (PL). Nos quatro anos do governo anterior, com o abandono das políticas ambientais, o desmatamento subiu cerca de 54% (na comparação da taxa de 2022 com a de 2018). Nos dois anos de Lula, a queda já é de 45,7%, na comparação com 2022.

A última vez que a redução tinha sido tão expressiva em apenas um ano tinha sido de 2008 para 2009, quando o desmatamento caiu 42%.

De acordo com o pesquisador Cláudio Almeida, do Inpe, que apresentou os dados, isso significa que 790 mil hectares deixaram de ser desmatados no período. A queda no último ano ocorreu em quase todos os estados. No Mato Grosso foi de 45,1%, no Amazonas, de 29%, no Pará, de 28,4%, e em Rondônia, de 62,5%.

Somente em Roraima houve alta de 53,5%, que teve muitos incêndios no começo do ano e isso acabou resultando em desmatamento mesmo depois.

O resultado teve impacto também nas emissões de gases de efeito estufa do Brasil. Segundo André Lima, secretário extraordinário de Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente, a redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado pode ter evitado o envio de 400 milhões de toneladas de CO2 para a atmosfera.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, comemorou os dados brincando que eles trazem “um pouco mais de sossego no coração do ministro de Relações Exteriores e embaixadores, porque se tem um tema tenso dentro e fora do país é desmatamento”.

De fato, essa foi a principal cobrança internacional que se fez ao Brasil nos anos Bolsonaro e voltou a aparecer um pouco neste ano com as queimadas que bateram os piores índices dos últimos anos. Segundo Marina, o resultado reforça a meta de zerar o desmatamento até 2030 e ir além, com medidas econômicas de desenvolvimento da região e regularização fundiária, que permitam uma queda estruturante do desmatamento.

A ministra reforçou também a contribuição da queda do desmatamento com o cumprimento das metas nacionais de redução de emissões do Brasil. “O Brasil tem compromisso com redução de CO2 até 2025, e pode ter certeza que com esses esforços o Brasil está muito perto de, mesmo com o apagão de política ambiental que aconteceu no governo anterior, de a gente conseguir [cumprir] a meta”, afirmou.

“Não existe nenhum setor, nem mesmo nenhum país, que consegue fazer essa redução nessa magnitude num período tão curto de tempo”, disse em referência aos 400 milhões de toneladas de CO2 evitados.

“Os números são um trunfo do país e uma vitória para Lula e sua ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, no dia em que o resultado da eleição americana põe o regime climático multilateral em xeque e às vésperas da COP29, a conferência do clima de Baku – ao fim da qual o Brasil receberá do Azerbaijão o bastão de próxima presidência da conferência do clima da ONU e precisa mostrar liderança”, comentou, por meio de nota, o Observatório do Clima.

A rede de organizações ambientais do país se refere à vitória de Donald Trump, um notório negacionista climático, que já disse que vai tirar novamente os Estados Unidos do Acordo de Paris, o que põe em risco os esforços globais para o combate às mudanças climáticas. Na próxima segunda-feira (11), tem início a 29ª Conferência do Clima da ONU, na cidade de Baku, no Azerbaijão, que tem o objetivo principal de definir um novo mecanismo financeiro para mobilizar recursos para o combate ao aquecimento global.

O posicionamento do Brasil é importante para dar um exemplo, já que será a sede da COP do ano que vem, em Belém. Os dados divulgados nesta quarta, na visão do OC, mostram “que o Brasil tem plenas condições de fazer mais no clima: de fato, o país pode e deve zerar o desmatamento, legal e ilegal, em 2030, como prometeu o atual Presidente da República”.

“O mundo precisa de um líder na agenda de clima, e o governo Lula tem todas as chances de assumir esse papel. Compromissos pelo fim do desmatamento e a eliminação do uso de combustíveis fósseis são o passaporte para essa liderança”, disse Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, em comunicado à imprensa. “Os números de desmatamento de 2024 são uma enorme credencial para o Brasil, mas é preciso ir além. Precisamos de ambição e ousadia.”

Edição:
Reprodução

Notas mais recentes

Corrida Eleitoral: sabatinas eleitorais continuam enquanto Congresso volta de recesso


Senado dos EUA aprova Daniel Perez antes de aval do Brasil para vaga de embaixador


Indústria de ultraprocessados tenta impedir combate à obesidade, diz diretor-geral da OMS


Escala 6×1, PEC da Segurança, minerais raros: o que o Congresso pode votar durante eleição


Corrida eleitoral: registro de candidaturas termina nesta semana


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Quase quatro a cada dez indígenas em terras na Amazônia não têm acesso adequado a água

|

Ao todo, 38% não tem água tratada ou fontes como poços e nascentes, dependendo de rios e lagos, muitos contaminados

Sob Lula, assassinatos de indígenas sobem 22% em 2025 e superam média da era Bolsonaro

|

Após queda em 2023, número de mortos volta a subir e chega a 258; Marco Temporal é parte do problema, diz Cimi

Corrida por Data Centers gera denúncias de violações trabalhistas em São Paulo

|

Trabalhadores relatam assédio, acidentes e adoecimento. Empresas alegam cumprir lei trabalhista e normas de segurança

Fazer falar os ossos: a rotina de quem procura os desaparecidos da ditadura

|

Mostra no Centro MariAntonia (USP), em São Paulo, expõe o trabalho de peritos na identificação dos mortos na ditadura

“Onde tem malária, tem garimpo”: cinta larga aguardam decisão do STF sobre mineração

|

Julgamento nesta quinta-feira, 13, pode abrir caminho para mineração em terras indígenas entre Rondônia e Mato Grosso

Banco do Nordeste e Itaú financiam R$ 44 milhões para soja em área de conflito no Maranhão

|

Investidora paulista consegue autorizações de desmatamento e sinal verde na Justiça em disputa contra extrativistas
Governador de Goiás Ronaldo Caiado no escritório do Google em Nova York

Candidato à Presidência, Caiado transformou Goiás em laboratório de leis para Big Techs

|

Projetos que interessam ao Google e Amazon avançam em Goiás sem debate, cada um aprovado em menos de 48 horas
Deputado Alfredo Gaspar e senador Flávio Bolsonaro durante evento do PL

Após pressão por uma vice mulher, PL fecha chapa apenas com homens

|

‘Michele está fazendo comida para o marido’, responde Damares Alves sobre ausência de ex-primeira dama

Eleições: legislação não é o suficiente para barrar conteúdos de IA nas redes sociais

|

Decisões do TRE-BA determinam que Meta retire vídeos com IA do Instagram, mas cópias seguem na rede