Buscar
Agência de jornalismo investigativo
Reportagem

Os americanos vão ao Piauí

Em documento de 2 de fevereiro de 2010, embaixada viu oportunidades e afirmou que ia se engajar mais com o segundo estado mais pobre do nordeste

Reportagem
9 de julho de 2011
19:00
Este artigo tem mais de 15 anos
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

Na avaliação americfana, o Nordeste brasileiro é rico em matérias primas e ecológicas, mas não tem suporte estrutural para explorar tais riquezas, segundo um documento diplomático vazado pelo WikiLeaks. No entanto, a embaixada enviou um representante especialmente ao empobrecido Piauí  para participar de uma conferência organizada pelo governador do Piauí, Wellington Dias (PT), na capital Teresina no começo de 2010.

Um assessor econômico americano participou da conferência, e apresentou em parceria com o governo dos Estados Unidos propostas de oportunidades a serem avaliadas pelo do Serviço do Comercio Estrangeiro, da Agência de Desenvolvimento dos Estados Unidos, e do Banco de Importação e Exportação dos Estados Unidos.

Enquanto estavam incluídos na audiência funcionários, líderes empresariais, e estudantes de relações internacionais, os organizadores esperavam que tivesse uma forte presença de empresas privadas com capacidade de estabelecer parcerias internacionais.

O documento nota que o Piauí tem a renda per capita mais baixa do Nordeste, com menos de R$ 5,00, o resto do Nordeste tem uma renda de apenas R$ 7,00 – Enquanto nos estados do Sul a renda chega a ser maior que R$ 19,50, essa gritante diferença faz com que investidores internacionais nem ao menos cogitem a hipótese de levar seus projetos para o Piauí.

A falta de infra-estrutura é seguida por outros desafios como a falta de material humano qualificado, e a total falta de conhecimento de investidores sobre o estado. Investidores internacionais que atuam nos estados sulinos de São Paulo e Rio de Janeiro não sabem o que é o Piauí.

EUA vêem “oportunidades”

Segundo o documento, o desenvolvimento da infra-estrutura teria maior impacto para atrair mais investimentos para o Piauí. Melhorar a infra-estrutura, principalmente o transporte nas estradas de ferro conectando as cidades do Piauí aos portos, também iria melhorar o crescimento orgânico no interior do estado.

O documento aponta como solução a introdução de livre comércio ou Zonas de Processo de Exportação (ZPE), como as que operam hoje em dia nas cidades de Parnaíba e Pavussu. A introdução das ZPEs “pode baixar o custo de comercio no Piauí e acrescentar uma nível de comercio nacional e internacional fluindo através do estado”, diz o documento.

O documento também cita outros projetos econômicos promissores, na visão dos EUA, que seriam beneficiados pela melhora de infra-estrutura: exploração de rochas ornamentais, opalas, e matéria-prima mineral.

Mais engajamento

“Se o Brasil quer alcançar o cada vez mais impressionante nível de properidade do sul e sudeste como um todo, as regiões tradicionalmente mais pobres como o nordeste tem que atingir as metas de crescimento”, diz o documento.

No entanto, o documento enumera os desafios a serem superados pelo estado: estrutura ruim, falta de conhecimento de oportunidades internacionais, e falta de competência entre governo e parceiros locais.

“A missão no Brasil vai buscar engajamento positive com o Piauí e vai buscar suprir especificamente a necessidade de capital humano através da promoção de oportunidades para visitantes internacionais, e vai buscar suprir necessidades sociais e econômicas através de fundos do Departamento de Estado”.

Os documentos são parte de 2.500 relatórios diplomáticos referentes ao Brasil ainda inéditos, que foram analisados por 15 jornalistas independentes e estão sendo publicados nesta seamana pela agência Pública.

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Se você chegou até aqui é porque realmente valoriza nosso jornalismo. Conheça e apoie o Programa dos Aliados, onde se reúnem os leitores mais fiéis da Pública, fundamentais para a gente continuar existindo e fazendo o jornalismo valente que você conhece. Se preferir, envie um pix de qualquer valor para contato@apublica.org.

Vale a pena ouvir

EP 229 Quem está falando de política com a Gen Z? – com Lau Schultz

Criadora de conteúdo, Lau Schultz, fala sobre desafios para comunicar sobre política com o eleitorado jovem brasileiro

0:00

Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Investigados por desinformação e tentativa de golpe seguem ativos nas redes em 2026

|

Ao menos dez alvos de inquéritos no STF e TSE em eleições passadas continuam publicando sobre o pleito deste ano

Tingir o chão de sangue: propostas de Renan Santos para segurança vão contra Constituição

|

Candidato do MBL defende prisão, mortes e vingança em discurso emocional contra a violência

Partido da farda: número de candidatos policiais ou militares passa de 1,2 mil

|

Bancada de policiais no Legislativo direciona recursos para a Polícia Militar, enquanto resolução de crimes segue baixa

Quase quatro a cada dez indígenas em terras na Amazônia não têm acesso adequado a água

|

Ao todo, 38% não tem água tratada ou fontes como poços e nascentes, dependendo de rios e lagos, muitos contaminados

Sob Lula, assassinatos de indígenas sobem 22% em 2025 e superam média da era Bolsonaro

|

Após queda em 2023, número de mortos volta a subir e chega a 258; Marco Temporal é parte do problema, diz Cimi

Corrida por Data Centers gera denúncias de violações trabalhistas em São Paulo

|

Trabalhadores relatam assédio, acidentes e adoecimento. Empresas alegam cumprir lei trabalhista e normas de segurança

Fazer falar os ossos: a rotina de quem procura os desaparecidos da ditadura

|

Mostra no Centro MariAntonia (USP), em São Paulo, expõe o trabalho de peritos na identificação dos mortos na ditadura

“Onde tem malária, tem garimpo”: cinta larga aguardam decisão do STF sobre mineração

|

Julgamento nesta quinta-feira, 13, pode abrir caminho para mineração em terras indígenas entre Rondônia e Mato Grosso

Banco do Nordeste e Itaú financiam R$ 44 milhões para soja em área de conflito no Maranhão

|

Investidora paulista consegue autorizações de desmatamento e sinal verde na Justiça em disputa contra extrativistas

Governador de Goiás Ronaldo Caiado no escritório do Google em Nova York

Candidato à Presidência, Caiado transformou Goiás em laboratório de leis para Big Techs

|

Projetos que interessam ao Google e Amazon avançam em Goiás sem debate, cada um aprovado em menos de 48 horas