AGÊNCIA DE REPORTAGEM E JORNALISMO INVESTIGATIVO

O “chanceler” brasileiro do Cartel de Sinaloa

Investigações de agências americanas ligam o brasileiro Daniel Fernandes Rojo Filho ao cartel mexicano; em Orlando, ele oferece investimentos no Brasil e se apresenta como chanceler

Um empresário brasileiro foi identificado por órgãos de segurança americanos como uma importante conexão do Cartel de Sinaloa – a poderosa organização criminosa mexicana – na busca para estender seus tentáculos no Brasil.

A partir da Flórida (EUA), onde vive, Daniel Fernandes Rojo Filho opera uma rede de empresas fantasmas descoberta em 2008 por uma investigação da agência antidrogas americana (DEA), a Receita (IRS – International Revenue Service) e o Serviço de Controle de Imigração e Alfândega (ICE – Immigration and Customs Enforcement).

Documentos oficiais desclassificados pelo governo americano mostram que Rojo Filho foi identificado em um informe enviado ao Departamento do Estado em 2012 como um dos “componentes financeiros do Cartel de Sinaloa” junto com seu cúmplice, o empresário português Pedro Benevides – acusado pela DEA de conspirar para traficar e distribuir drogas nos Estados Unidos.

Os Estados Unidos consideram o Cartel de Sinaloa como o mais poderoso do mundo. Seu líder, Joaquín Guzmán Loera, o “El Chapo”, é um dos homens mais procurados pela Justiça americana.

O “chanceler”

Apesar das acusações que pesam contra ele, aos 45 anos de idade Daniel Fernandes Rojo Filho é um homem com sorte e cara de pau suficiente para vender-se como “chanceler do Brasil nos Estados Unidos”, atuando com desenvoltura a partir de sua base em Boca Ratón, Orlando, na Flórida, onde promove cerimônias pseudo-oficiais com direito à farta exibição das cores da bandeira nacional. Através de uma página de internet, Rojo Filho apresenta aos americanos oportunidades de investimento em infraestrutura, desde a Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016 até projetos da Petrobrás.

Esta é a história do “chanceler” do Cartel de Sinaloa e de suas conexões com o Brasil. A investigação dos repórteres foi baseada em documentos e procedimentos judiciais públicos nos Estados Unidos e na Bélgica, na declaração juramentada de um agente do governo americano e de testemunhas.

O Operador do Cartel na Flórida

No seu mural no Facebook, Daniel Fernandes Rojo Filho parece ser somente um milionário brasileiro na Flórida posando em seu jato particular e em carrões das marcas Ferrari e Lamborghini – em três delas, é acompanhado pelo “amigo Emmo”, como ele diz, referindo-se ao ex-piloto de fórmula I Emerson Fittipaldi. Desde 2008, porém, o escritório da DEA em Phoenix, Arizona, acredita que este homem é o cabeça de uma complexa rede de narcotráfico e lavagem de dinheiro operada por ele a partir da Flórida, nos Estados Unidos.

De acordo com uma análise feita diretamente nos registros da Divisão de Corporações do Departamento de Estado da Flórida a partir de 2002, Rojo Filho – como o identifica o governo americano – começou a criar junto com Pedro Benevides, Germán Cardona, um empresário de origem espanhola, e Heriberto Pérez Valdés, entre outros, um grupo de empresas de fachada cujas operações reais nunca puderam ser provadas diante do governo dos EUA.

Dentro desse esquema, de 2002 a 2008 foram criadas pelo menos 34 companhias: uma no Panamá, duas na Bélgica e as demais na Flórida. Muitas delas compartilham um mesmo endereço virtual, e outras têm como sede um suspeito motel na zona turística International Drive, em Orlando, propriedade de Benevides.

Através das empresas de fachada foram abertas várias contas bancárias utilizadas para administrar recursos procedentes do tráfico de drogas, segundo os documentos.

Em maio de 2006, Rojo Filho criou a empresa AGFC Capital Management, mudando o nome pouco depois para DWB Holding Company, que oferecia investimentos no mercado de commodities: grãos, sementes, cristal, metais preciosos, petróleo, minério, açúcar. Em fevereiro daquele mesmo ano, Pedro Benevides havia criado a companhia Sky View Aviation, cujo vice-presidente era Rojo Filho. As duas companhias e os dois empresários são o epicentro da operação de narcotráfico e lavagem de dinheiro descoberta pela DEA.

“A DWB Holding Company atua a partir de uma posição financeira de grande alcance que faz com que os negócios aconteçam. Seja no comércio mundial ou na negociação de complexas transações financeiras internacionais, a DWB Holding Company opera com habilidade a partir de uma das redes financeiras mais influentes do mundo”, anuncia a companhia de Rojo Filho na internet. A empresa encerrou suas operações na Flórida em 2012. Mas a investigação do governo americano sobre ela continua.

Em agosto e setembro de 2008 a agência antidrogas e a Receita americana (IRS) solicitaram à Corte do Distrito de Arizona o confisco de três contas bancárias em nome da DWB Holding Company por estarem relacionadas a uma investigação em andamento sobre tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, como afirmam os documentos relacionados ao processo 08-mb-3393, mantido sob sigilo de Justiça para não colocar as apurações em risco.

O juiz Lawrence I Anderson considerou que havia elementos suficientes para bloquear o dinheiro de forma preventiva. Bloqueou US$ 24,3 milhões no M&I Bank; US$ 200 mil no Whitney National Bank; e R$ 100 mil no Regions Bank Account. Depois, a investigação da DEA e do IRS comprovaria que milhões de dólares circularam através dessas contas em um curto período de tempo.

“…A análise dos registros bancários confirmou que lucros obtidos com drogas foram depositados nesta conta (M&I Bank) e que esses fundos estavam sendo aplicados”, afirma Noel F Martínez, agente do grupo de trabalho de delitos financeiros do IRS em depoimento concedido sob juramento em uma corte da Flórida.

A DWB Holding ainda tentou recuperar o dinheiro, entrando com recursos (de número 6:08-cv-1881 na Florida e 2:09-cv-00102 no Arizona) contra o Governo dos EUA, a DEA e o IRS. Não conseguiu. Em 2013 o dinheiro foi confiscado pela Justiça.

Em 30 de outubro de 2009, à investigação criminal se somou uma suspeita de fraude financeira aberta na Corte de Distrito Centro da Florida. Através da demanda (de número 6:09-cv-01852), o governo americano conseguiu confiscar outras 56 contas bancárias abertas pela rede de Rojo Filho, Pedro Benevides e familiares, e ainda 294 barras de ouro e 9 veículos de luxo, como o Lamborghini Murciélago azul modelo 2008 comprado por Rojo Filho e colocado no nome da Skyview Aviation, uma das companhias de Benevides. Os bens bloqueados superam o valor de US$ 200 milhões.

Agentes financeiros do cartel de Sinaloa

Quatro anos depois do início das investigações do governo americano contra Rojo Filho e Pedro Benevides, o Instituto para Análises de Defesa (IDA é a sigla em inglês), “think tank” do Pentágono e da Casa Branca, publicou o informe “Investigação de ameaças financeiras: modelo de componentes financeiros da organização criminosa transnacional de Sinaloa”, encomendado pelo Comando do Norte do Departamento de Defesa dos EUA.

“As organizações criminosas transnacionais mexicanas movimentam suas finanças através de canais formais e informais, a maioria dos recursos procedentes da venda de narcóticos é internalizada através de pequenas transferências bancárias. Também utilizam redes sofisticadas, tais como esquemas de lavagem de dinheiro baseados no comércio, para disfarçar a origem. Em geral, têm muitas empresas legítimas ou ilegítimas, incluindo empresas de fachada ou sociedades fictícias que facilitam a movimentação de dinheiro, gente, e drogas, diz o informe da IDA.

De acordo com o documento da IDA de abril de 2012 o empresário brasileiro Rojo Filho, seu sócio Benevides e as empresas criadas e operadas por ambos são “agentes financeiros” do Cartel de Sinaloa, a organização encabeçada por “El Chapo”, classificado pela revista Forbes como um dos homens mais ricos do mundo. O cartel de Sinaloa é o mais poderoso entre os que guerreiam no México por disputa de território e rotas de tráfico de papoula e maconha para os Estados Unidos. Essa disputa já provocou a morte de mais de 90 mil pessoas.

O esquema de lavagem de dinheiro de Rojo Filho, Benevides, Cardona e Pérez Valdés foi esmiuçado pelas investigações do governo americano. Segundo as apurações, o esquema operava desde 2007 através de pirâmides financeiras, conhecidas como “esquema Ponzi”, e de falsos projetos de investimento em energia renovável. Milhares de pessoas nos EUA, Bélgica, Canadá, Áustría, Espanha, França, Panamá e Leste europeu foram lesadas.

Para o esquema Ponzi foi usada a empresa Evolution Market Group (EMG), criada no Panamá com o nome de Finanças Forex em setembro de 2007, por Germán Cardona. A fraude nos investimentos de energia renovável era operada pela empresa Green Power Systems, na Flórida, e pelas companhias belgas Rosalus Invest e Daro Invest. Essas companhias sempre estiveram ligadas a Rojo Filho e Benevides e às empresas DWB Holding Company e Sky View Aviation.

Foram pelo menos US$ 213 milhões movimentados no sistema bancário num período inferior a um ano, misturando o dinheiro dos investimentos na fraude com o do narcotráfico para dificultar o rastreamento dos recursos. Nessa operação foram usados pelo menos 14 bancos dos Estados Unidos, entre eles o Bank of America, Wells Fargo e Wachovia, todos com amplos antecedentes de lavagem de dinheiro dos cartéis mexicanos.

Há exemplos que ilustram claramente como se dava a lavagem. No dia 28 de julho de 2008, Rojo Filho abriu uma conta pessoal e sete contas de pessoas jurídicas no Regions Bank. Em um único dia, 4 de agosto de 2008, o empresário brasileiro fez sete depósitos nas contas das empresas e dois na sua conta pessoal, cujos valores somados atingiram US$ 1,12 milhão.

Em 2007 Heriberto Pérez Valdés criou a empresa Obbalube Investment Corporation, cujo diretor financeiro era Rojo Filho.

Agentes do ICE em Miami descobriram que em apenas uma semana em setembro de 2008 uma conta aberta no nome dessa companhia na sucursal do Wachovia Bank em Coral Gables, na Florida, recebeu US$ 13,8 milhões de diferentes lugares do mundo.

Outro exemplo é a conta número #46017675, aberta por Rojo Filho, como presidente de DWB Holding Company, no M&I Bank, em 4 de agosto de 2008. Em quatro dias foram feitas1249 transferências bancárias de diferentes indivíduos, empresas locais e estrangeiras para essa conta, somando 11,3 milhões de dólares. Quando o juiz mandou confiscar os recursos dessa conta, em 22 de agosto de 2008, o montante alcançava 24,3 milhões de dólares. A ordem judicial veio em decorrência das investigações sobre “tráfico de droga e lavagem internacional de dinheiro” feitas pela DEA, IRS e ICE no Arizona.

Tráfico de drogas

No decorrer das investigações contra Rojo Filho e Pedro Benevides um agente da DEA, Keith Humphreys, foi preso em Orlando no dia 16 de setembro de 2008, acusado de conspirar para obter, importar ilegalmente aos EUA e distribuir cinco ou mais quilos de cocaína, além de participar de lavagem de dinheiro, de acordo com o expediente 3:09-cr-00091, também aberto em uma corte federal na Flórida.

De acordo com os documentos da acusação, Benevides deu US$ 100 mil a dois pilotos da Sky View Aviation, Marvin Jackson e Kenneth Henderson, para comprar 10 quilos de cocaína na República Dominicana, trazer a droga aos EUA e vendê-la.

Dias depois de ser preso, Benevides negou envolvimento com as drogas ilegais e disse estar “preocupado” porque seu sócio, Rojo Filho, então vice-presidente da Sky View Aviation, tinha movimentado US$ 102 milhões através de suas contas bancarias sem que ele soubesse a origem do dinheiro. Pelo menos é o que consta no testemunho do agente Humphreys diante do juiz da Flórida central em 23 de setembro de 2009.

A DEA descobriu que, antes de ser detido, Benevides pretendia fugir para o Brasil e assim evitar processos por narcotráfico. De acordo com os documentos sua mulher, Brittany Benevides, viajou a São Paulo, onde Rojo Filho tem amigos, para adquirir casas de veraneio através da Sotheby’s International Realty. Segundo os autos do processo, ela chegou visitar, junto com a corretora de imóveis, algumas propriedades em Ubatuba.

Benevides ficou um ano na prisão, mas acabou tendo o processo arquivado por inconsistências de uma das testemunhas. A investigação criminal do Arizona continua em andamento, embora Rojo Filho, livre e sem condenação, atualmente se apresente como presidente da empresa Platinum Bancorp, que supostamente opera na Nova Zelândia. Através dessa empresa, foram movimentados recursos de fundos de pensão do governo do estado de São Luis Potosí (México).

No final de novembro do ano passado, a Dirección Antidrogas de la Policía del Perú (Dirandro) revelou que uma filial do cartel mexicano de Sinaloa opera na Bolívia, enviando cargas de cocaína peruana para a Europa, via Brasil.  A revelação mais recente, feita nessa reportagem, mostra que o Cartel de Sinaloa também tem seu “chanceler” brasileiro, que oferece negócios e oportunidades até mesmo para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas de 2016.

 

A fábrica de comendas

Foto com FHC nos jardins da Alvorada- homenagem a JK 100 convidados Regino entre eles

Foto com FHC nos jardins da Alvorada- homenagem a JK 100 convidados Regino entre eles

O título de “chanceler” brasileiro que Rojo Filho ostenta nos Estados Unidos – completamente falso do ponto de vista oficial (o chanceler brasileiro, como todos sabem, é o Ministro de Relações Exteriores) – foi conferido a ele em 2010 pelo “comendador Regino Barros”, presidente do Centro de Integração Cultural e Empresarial de São Paulo, entidade tão desconhecida quanto generosa a julgar pelas centenas de comendas, medalhas e títulos que distribui a políticos, artistas, empresários, juízes, promotores, pastores, coronéis.

Aparentemente, a única função do tal Centro criado pelo “empresário” Regino Barros, é distribuir prêmios. Ninguém parece se importar com o fato de ele não ter nenhuma atividade clara no mundo dos negócios a não ser a de promover eventos, largamente republicados pela revista Caras (que faz parte dos “parceiros” anunciados no site do CICESP assim como a organização “Loucos por Tarô”) em locais oficiais ou semi-oficiais. Até as instalações da ONU em Nova York – alugadas – foram utilizadas em 2009 para a entrega do título “Guardião da Democracia e integração Brasil-EUA – Soberana Ordem da Fraterna Integração Brasil-EUA” pelo “Conselho Internacional de Honrarias e Méritos do Centro de Integração Cultural e Empresarial de São Paulo (Cicesp)”. Entre os agraciados: o grupo pop KLB e a atriz Juliana Paes.

Os prêmios destinados às celebridades são outorgados pela Soberana Ordem do Empreendedor JK (batizada em homenagem ao ex-presidente Juscelino Kubistcheck), de acordo com o site do Cicesp. Há duas modalidades – Cruz do Mérito Empreendedor JK e Jóia JK – e as medalhas vêm acompanhadas de títulos em grau de “comendador” ou “chanceler”, como aquele recebido por Rojo Filho em Orlando. Nesse caso, a “chancelaria” pode ser referente a um Estado, a um país, como os EUA (Rojo Filho é “US Chancellor” do Brasil), ou mesmo à “Chancelaria Honorária para o Estado do Rio de Janeiro da Ordem do Mérito das Artes e da Cultura” recebida pelo ator José Wilker em abril de 2010.

Na galeria dos comendadores exibida pelo site aparecem desde ilustres desconhecidos a  personalidades como Bibi Ferreira, Elza Soares, o técnico de futebol Carlos Alberto Parreira, figurões da Justiça como a ex-ministra do STJ Eliana Calmon e o cirurgião-plástico Ivo Pitanguy. Juízes e parlamentares – entre eles o deputado licenciado Walter Feldman (PSB-SP), o ex-senador Mão Santa (PI-PMDB), o senador Flexa Ribeiro (PSDB- PA) e o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) estão entre os premiados, não raramente em sessões solenes da Câmara dos Deputados e do Senado.

No dia 8 de novembro do ano passado o juiz do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios recebeu o título de comendador outorgado pela Cruz do Mérito do Empreendedor JK em sessão solene da Câmara dos Deputados com Regino Barros compondo a mesa a pedido do deputado Waldir Maranhão (PP-MA), autor do requerimento de convocação da sessão solene e presidente da Mesa durante o evento.

Na internet é possível encontrar mais dois eventos do mesmo gênero realizados em sessões solenes no auditório Petrônio Portela do Senado e no Salão Nobre do Congresso  – esse último para entrega do Prêmio Top Qualidade Brasil – conferido anualmente a 100 empresários, incluindo escritórios de advocacia

Esse talvez seja o segredo que compartilham Regino Barros e seu apadrinhado, Rojo Filho, acusado pela DEA de fazer parte do cartel de Sinaloa: no cenário adequado e com homenageados conhecidos, mesmo as figuras mais obscuras ganham aura de legitimidade. Inclusive internacional, como sabe o empresário brasileiro radicado na Flórida: em sua página ele se promove como se tivesse um cargo público, valendo-se da pouca familiaridade dos americanos com a organização política e social brasileira. No site de Rojo são publicadas as atividades da presidente Dilma Rousseff, do Ministério do Turismo brasileiro e até dos preparativos da Copa – além de um link para o site do Cicesp.

Já Regino aproximou-se de autoridades estrangeiras no Brasil. O embaixador da China, Li Jinzhang, e a embaixadora do Panamá, Gabriela García, também foram condecorados pela Soberana Ordem de Mérito JK.

Morador do condomínio Moradas do Ypê, no Capão Redondo, periferia de São Paulo, Regino conseguiu impor e legitimar suas honrarias às custas do nome dos próprios homenageados. Para ganhar o direito de indicar os premiados, como mostrou reportagem da Folha de S. Paulo de abril de 2010, há a possibilidade de se associar ao CICESP – em 2010, isso custava R$ 5.980,00.

Em 2002, no centenário de Juscelino Kubistcheck, Regino conseguiu convite para uma solenidade comemorativa da data nos jardins do Palácio da Alvorada. Ali, aproveitou para tirar uma foto com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. E desde então passou a usar a foto para anunciar aos quatro cantos que FHC foi o primeiro agraciado com o Cruz do Mérito JK. O Instituto Fernando Henrique, porém, não inclui a comenda na longa lista de medalhas, títulos e prêmios listados no currículo oficial do presidente.

Enquanto isso, Rojo Filho continua se promover como “chanceler” pronto a ajudar os que querem investir na Copa do Mundo 2014 e na Olimpíada 2016 ou em diversos setores de negócios no Brasil – de transporte aéreo a petróleo. O endereço da sede do US Chancellor (1420 Celebration BLVD, Suite 200, Celebration, FL. 34747) é de um prédio de escritórios virtuais onde ninguém atende o telefone.

A assessoria de imprensa do Itamaraty diz que o órgão brasileiro de Relações Exteriores nunca recebeu denúncias sobre a atuação falsamente oficial de Rojo Filho, mas que iria averiguá-las depois da comunicação da Pública. Seja como for, a desenvoltura de Rojo ao posar como US Chancellor parece combinar com a atual estratégia do cartel de Sinaloa de acordo com um estudo realizado pelo IDA, “think tank” do Pentágono e da Casa Branca. O informe sobre o cartel de Sinaloa encomendado pelo Departamento de Defesa Americano assinala que o Cartel de Sinaloa “optou por comprar sua influência. Ainda que seja capaz de uma grande violência, seu modus operandi preferido é o suborno. A organização criminal transnacional tem corrompido com êxito o governo do México, as forças de segurança, e a indústria privada em todos os lugares onde opera”.

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