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Paulo Figueiredo comprou mansão de R$ 6,1 milhões nos EUA, mas deve R$ 4,9 milhões à União

Influenciador tem propriedades na Flórida no total de R$ 11,6 milhões; segundo ele, ambas são financiadas

Reportagem
21 de julho de 2026
15:00

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Mansão de Paulo Figueiredo nos EUA
Reprodução internet

O influenciador Paulo Figueiredo comprou, em novembro do ano passado, uma mansão de 1,2 milhão de dólares — o equivalente a cerca de R$ 6,1 milhões — em Clermont, na Flórida (EUA). 

Esta é uma de duas propriedades do influenciador localizadas no estado da Flórida pela Agência Pública e ICL Notícias, no valor total de R$ 11,6 milhões. Segundo o influenciador, ambas são financiadas e não fazem parte de seu patrimônio.  

Além da mansão em Clermont, a reportagem descobriu que Figueiredo possui também uma casa em Weston, anunciada para venda em junho deste ano por 1,09 milhão de dólares, ou R$ 5,5 milhões, segundo sites imobiliários americanos. A propriedade estava registrada, desde 2016, em nome da empresa Olive-Fig Tree Real Properties LLC, que também pertence ao influenciador. 

Em outubro de 2025, porém, o imóvel foi transferido para o nome de Figueiredo, de acordo com documentos do estado da Flórida. Um mês depois, ele comprou a casa em Clermont.  

Paulo Figueiredo deve R$ 4,9 milhões à União por fraudes relacionadas a um esquema para blindar empresas de fiscalizações da Receita Federal, revelado pela Lava Jato durante a Operação Armadeira 2. A informação foi publicada pelo Estadão com base em dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Ao jornal, ele afirmou que foi autuado indevidamente.  

Por isso, ele foi inscrito na Dívida Ativa da União.  

O influenciador também foi condenado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a pagar uma multa de R$ 102 milhões, por supostas fraudes financeiras na construção de um hotel no Rio de Janeiro, em parceria com Donald Trump, conforme revelou o Fiquem Sabendo pela Lei de Acesso à Informação. 

Procurado pela reportagem, Figueiredo afirmou que é um cidadão privado e empresário. “não devo satisfação sobre meu patrimônio a veículo de imprensa algum. Nenhuma das minhas viagens foi custeada com recursos públicos, portanto tampouco devo satisfação ao público sobre elas. Um fato, porém, precisa ficar registrado desde já: ambos os imóveis são financiados”. 

Segundo ele, isso significa que o seu patrimônio “não corresponde nem de longe aos valores que vocês pretendem me atribuir”.

Paulo Figueiredo ainda ameaçou a reportagem com base na lei da Flórida. “Como os fatos estão sendo formalmente aqui comunicados a vocês antes da publicação, eventual publicação de afirmações falsas será tratada no judiciário americano”, afirmou.

Seis quartos, jacuzzi e piscina 

A mansão em Clermont adquirida em novembro de 2025 é luxuosa e demonstra que o aliado de Eduardo Bolsonaro tem passado bem enquanto pede ao governo de Donald Trump retaliações ao Brasil. 

Ela ocupa um terreno de 17,5 mil metros quadrados, equivalente a cerca de dois campos e meio de futebol, e tem 515 metros quadrados de área construída. 

A propriedade possui dois andares, seis quartos e cinco banheiros, além de salas de estar e jantar, cozinha gourmet e sala de jogos. Na área externa, conta com piscina de água salgada, jacuzzi para 12 pessoas, varanda, lareira e casa na árvore. 

A compra foi concluída um mês depois de Figueiredo informar à Justiça dos Estados Unidos que não tinha recursos para contratar um advogado para representar sua empresa, a International Treasure Group, após ela ter sido condenada à revelia. A ação contra a firma de Figueiredo faz parte de um processo de falência que busca recuperar transferências supostamente ligadas ao esquema de fraude liderado pelo magnata chinês Miles Guo. 

Como a Agência Pública e o ICL Notícias revelaram, a empresa de Paulo Figueiredo é parte no processo por, segundo sua defesa, ter prestado serviço para a rede social Gettr, fundada pelo ex-assessor de Trump, Jason Miller, entre agosto de 2021 e abril de 2022, tendo recebido 140 mil dólares (cerca de R$ 670 mil). Guo era financiador oculto da Gettr.       

Jason Miller é aliado dos Bolsonaros e chegou a vir ao Brasil algumas vezes durante o governo de Jair. A Gettr também financiou eventos na pré-campanha de 2022.    

“Desempregado”

Em 2024, quando já articulava nos EUA a possibilidade de retaliações contra o Brasil, Paulo Figueiredo chegou a reclamar em audiência no Congresso americano de ser vítima de perseguição do STF e ter ficado “desempregado” e com dificuldades financeiras. 

Em entrevista ao portal Metrópoles em agosto do ano passado, o influenciador afirmou ter gasto R$ 1 milhão no que chamou de “luta pela liberdade”. Questionado sobre o valor de seu patrimônio, porém, não respondeu.  

No final do ano, ele retomou a narrativa de ter sido afetado por questões políticas no Brasil, desta vez colocando o argumento em uma resposta formal à Justiça americana. 

Figueiredo alegou que sua empresa enfrentou “dificuldades financeiras significativas” ao longo de 2023 e 2024, em razão da interrupção de atividades comerciais, o que teria impedido a contratação de um advogado. Segundo ele, a situação foi agravada por “mudanças políticas no Brasil” e pela redução das oportunidades de consultoria.

A resposta faz parte de sua defesa no processo de falência de Miles Guo que tramita no Tribunal de Falências do Distrito de Connecticut, nos EUA. O pedido de apuração na Justiça americana afirma que o pagamento à  International Treasure Group foi uma transferência fraudulenta. “Esta transferência foi, na verdade, fraudulenta, porque o devedor [Guo Wengui] a efetuou como parte de seu ‘jogo de fachada’ e foi feita com a intenção de dificultar, atrasar e/ou fraudar os credores do devedor”, diz o processo.

Já Paulo Figueiredo argumenta que o pagamento foi parte do serviço prestado à  Gettr entre agosto de 2021 e abril de 2022, durante o lançamento da rede social no Brasil. As informações sobre os serviços prestados à plataforma foram dadas pelo próprio influenciador na ação.

Em 30 de outubro de 2025, após diversas tentativas frustradas de notificação, o tribunal proferiu sentença à revelia contra a empresa de Figueiredo. A decisão fixou a condenação no valor de 140 mil dólares, acrescida de juros pré-julgamento. O influenciador recorreu e o processo segue em aberto.   

Coação contra Justiça do Brasil em Washington 

Em setembro do ano passado, Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por coação no curso do processo, sob a acusação de terem articulado sanções contra ministros do STF, na tentativa de influenciar o julgamento de Jair Bolsonaro e seus cúmplices por golpe de Estado. Figueiredo também responde ao processo criminal na Corte pela trama golpista, mas foi o único denunciado que ainda não foi julgado porque o STF também não conseguiu intimá-lo nos EUA. 

Ao longo de 2025, Figueiredo e Eduardo Bolsonaro viajaram ao menos 6 vezes a Washington para articular, junto a integrantes do governo Donald Trump, a adoção de sanções contra o governo brasileiro e ministros do STF. 

Perguntado sobre quem paga suas viagens pela revista Piauí, Eduardo não respondeu e ironizou: “É um amigo do amigo do meu pai”, disse, em alusão ao ministro Dias Toffoli, do STF. A frase faz referência ao codinome pelo qual Toffoli aparecia nas planilhas da Odebrecht, reveladas pela Operação Lava Jato. 

Edição:
Reprodução Internet
Site Realtor/divulgação
Site Realtor/divulgação
Site Realtor/divulgação
Zillow/Reprodução
Reprodução Instagram Paulo Figueiredo

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