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Dark Horse: Frias viajou durante gravação de filme de Bolsonaro, mas falta comprovação

Município onde deputado faria vistorias técnicas informou não ter registros da presença dele em eventos

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17 de julho de 2026
12:00
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Mário Frias deputado federal por São Paulo
Divulgação/Câmara dos Deputados

Em 21 de outubro de 2025, aconteceu uma das gravações do filme Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro. A locação foi o Hospital Indianópolis, em São Paulo, para cenas no corredor da UTI. Segundo o documento com informações da diária, obtido pela Agência Pública, contendo todos os integrantes da equipe no dia, o deputado federal Mário Luís Frias (PL-SP) aparece como “produtor executivo”. 

Neste mesmo dia, 21 de outubro, Frias informou à Câmara dos Deputados que estaria mesmo em São Paulo, mas com outro objetivo que não o filme: iria começar uma viagem oficial para “participar em debates sobre implantação de escolas cívico-militares”. 

A missão teria duração de três dias, entre 21 e 23 de outubro, enquanto ocorriam as gravações de Dark Horse. No entanto, não há registro nas redes sociais do deputado e nem fontes abertas que ele tenha participado de debates sobre o tema naqueles dias.

Durante o período das filmagens, entre outubro e dezembro de 2025, Frias foi autorizado pela Câmara a realizar três viagens oficiais, segundo informações obtidas pela Agência Pública via Lei de Acesso à Informação. 

Entre 29 e 31 de outubro, ele informou que viajaria à Itirapina, no estado de São Paulo, para “vistorias técnicas em equipamentos esportivos”. No entanto, a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer do município informou, em nota, que “não possui registros ou relatório oficial contendo informações sobre eventual vistoria, inspeção ou agenda realizada pelo deputado federal Mário Frias no período mencionado”. 

Outra missão informada à Câmara pelo deputado teria sido à São Caetano do Sul, também em São Paulo, para realizar “vistorias técnicas nas Unidades Culturais do Município” entre 3 e 6 de novembro do mesmo ano. A prefeitura de São Caetano do Sul não respondeu se o deputado cumpriu a visita. Não encontramos registros dela nas páginas e redes oficiais do município.

Apesar de Frias ser bastante ativo nas redes sociais, também não identificamos nenhum registro dessas atividades em suas páginas. 

As viagens oficiais se concentraram em um intervalo de 17 dias, todas dentro do estado de São Paulo, onde ocorreram boa parte das gravações do filme. Segundo a Câmara, elas não tiveram custos aos cofres públicos.

Nos dias 22, 29 e 30 de outubro e 3 e 4 de novembro houve sessões de votação na Câmara. A ausência de Frias foi justificada por ele estar em missão autorizada.

Uma pessoa que participou da gravação de Dark Horse disse à Pública que costumava ver Frias no set, mas não lembra exatamente das datas. Segundo a Folha de S.Paulo, fontes que trabalharam no longa afirmaram que ele esteve presente “praticamente todo dia” durante a produção. Ainda de acordo com a reportagem, em pelo menos uma ocasião, em 25 de novembro, ele foi escalado como ator no longa no mesmo dia em que registrou presença no plenário da Câmara, em Brasília.

Frias foi procurado para falar sobre as missões oficiais e a presença nas gravações do filme, mas não retornou até a publicação desta reportagem.

Mário Frias é o autor da história original que deu origem ao filme. A Pública já mostrou que os laços do político com Karina da Gama, sócia da Go Up Entertainment, que produziu o filme, remontam a 2022. Ela e o então marido participaram de reuniões com Frias enquanto ele era secretário da Cultura da gestão Bolsonaro em quatro ocasiões naquele ano. 

Em 2023, já como deputado federal, Frias manteve contrato de prestação de serviço com uma empresa do ex-marido de Gama. Ele também foi responsável por dois convênios com entidades ligadas à Gama via emenda parlamentar assinados em 2024: o Instituto Conhecer Brasil recebeu R$ 1 milhão via Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação para uma ação de letramento digital e R$ 1 milhão para implantar o Projeto Lutando Pela Vida, de artes marciais, no estado de São Paulo. Os contratos seguem vigentes.

Em maio deste ano, outra missão oficial comunicada por Frias à Câmara chamou a atenção do Supremo Tribunal Federal (STF). Oficiais de Justiça tentaram notificar o deputado sobre uma ação que apura o repasse de emendas parlamentares a organizações ligadas à produção de Dark Horse, mas descobriram que ele estava fora do Brasil. 

Segundo ofício apresentado à Câmara, Frias passou pelo Bahrein, para discutir oportunidades de investimento, e em Dallas, nos Estados Unidos, a convite do grupo bolsonarista Yes Brazil USA, como a Pública mostrou. Na época, a Câmara informou que o deputado fez as viagens antes de receber autorização.

Edição:
Mario Frias/Reprodução

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