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| De olho | Cunha tenta escapar dos holofotes

Presidente da Câmara pode usar pedidos de impeachment contra a presidente Dilma para desviar a atenção sobre denúncias de que tem contas na Suíça

A semana se inicia sob a expectativa de o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), analisar todos os pedidos de impeachment que tramitam contra a presidente Dilma Rousseff. A retomada dos pedidos do afastamento da presidente parecem ainda mais próximos de serem resgatados agora, como estratégia de desvio de atenção sobre denúncias que recaem nas costas de Cunha.

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Na semana passada, o peemedebista foi alvo de sucessivas acusações de possuir contas bancárias no banco suíço Julius Baer. Segundo inquérito do Ministério Público da Suíça, já encaminhado à Procuradoria Geral da República (PGR), Cunha é o beneficiário final de duas contas na entidade financeira, abertas por meio de offshores – empresas em paraísos fiscais utilizadas para lavagem de dinheiro. A desconfiança sobre possível origem ilícita dos cerca de US$ 2,4 milhões depositados nas contas foi o estopim da investigação europeia.

Para desviar o foco da denúncia e evitar ter que falar sobre o assunto, Cunha poderá passar a bola para Dilma e usar o pedido impeachment do ex-petista Hélio Bicudo como uma cortina de fumaça. Enquanto isso, o parlamentar mantém a estratégia de dizer que está sendo ‘execrado’ por colegas parlamentares e que sofre perseguição política do PT. Em cenário político em que a presidente possui baixíssima aprovação popular (10% consideram seu governo ótimo/bom, segundo última pesquisa do Ibope), o deputado fluminense tenta aproveitar essa rejeição para tentar se manter no cargo.

Fora dos cômodos subjacentes da Casa legislativa, o plenário deverá se ocupar com a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 395/14, que versa sobre a gratuidade do ensino público superior. A proposta estabelece que só cursos regulares de graduação, mestrado e doutorado em instituições públicas serão gratuitos. Se aprovada, cursos de extensão e especialização serão excluídos do princípio constitucional de gratuidade.

Na terça-feira (13), chega ao Senado texto que tornou mais profunda a divisão entre deputados ligados aos direitos humanos e movimentos sociais e os de linha mais conservadora. O projeto de lei da Câmara 101/15 pretende tipificar o que é crime de terrorismo. Com os deputados, ficou definido que terrorismo é ato praticado por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia ou religião que oferece perigo a pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública.

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