Buscar
Da Redação

As controvérsias de Omidyar

O novo megainvestidor da imprensa digital americana e as polêmicas nas quais ele está envolvido.

Da Redação
29 de abril de 2014
14:30
Este artigo tem mais de 12 anos

Nos adicione como fonte preferencial no Google.

omidyar

Em outubro de 2013, um anúncio deixou em polvorosa o meio jornalístico. Glenn Greenwald, jornalista responsável por divulgar os documentos vazados pelo ex-analista da CIA, Edward Snowden, recebeu um volumoso apoio para capitanear um novo empreendimento jornalístico. O aporte financeiro – US$ 250 milhões – veio do bilionário da tecnologia Pierre Omidyar, um dos fundadores do eBay. Além de Glenn, juntaram-se ao novo projeto jornalistas independentes de peso, como Laura Poitras e Jeremy Scahill. Para se ter ideia da magnitude do investimento, o ProPublica, um dos centros de jornalismo investigativos mais prestigiados dos EUA, gastou “apenas” US$ 43 milhões em cinco anos de atividade, em reportagens que já renderam dois prêmios Pulitzer e um Peabody ao centro.

Figura controversa, Pierre, cuja fortuna é estimada em 8,5 bilhões de dólares, é conhecido por apoiar startups em todo o mundo através de sua fundação filantrópica, a Omidyar Network (ON). Como o próprio site da fundação diz, a proposta é “subsidiar iniciativas que não visem ao lucro e investir em organizações inovadoras, que promovam mudança social e econômica”. A Omydiar foi apoiadora, por exemplo, da campanha de crowdfunding Reportagem Pública, dobrando o valor arrecadado junto aos 808 doadores para complementar os fundos do projeto.

Porém, ao anunciar sua nova empreitada jornalística – que será uma empresa, com fins lucrativos – Pierre recebeu diversas críticas de ativistas da liberdade na rede. O motivo remonta a 2010, ano em que um bloqueio financeiro comprometeu 95% da receita do WikiLeaks. À frente da manobra estavam grandes instituições financeiras, como as prestadoras de cartão de crédito VISA e MasterCard, os bancos Western Union e Bank of America, além do PayPal, sistema de pagamentos online que pertence ao eBay, cujo presidente é Omidyar.

Em represália, hackers ligado ao grupo Anonymous atacaram o site do PayPal, no que ficou conhecido como “Operation Payback” ,ou Operação Retaliação, em inglês. Os 14 envolvidos foram processados e acusados pelos advogados do eBay de ter causado, com o ataque, danos de US$ 5,5 milhões (O valor foi depois contestado por diversas fontes, inclusive pelo porta-voz do próprio PayPal).

A sentença do caso PayPal14 foi anunciada no final de 2013; as penas individuais variam de um a três anos de liberdade vigiada, além do pagamento de US$ 5.600 ao PayPal – um total de quase US$ 80 mil.

O papel da empresa de Pierre Omidyar no bloqueio ao WikiLeaks tem sido um dos principais argumentos dos críticos à sua nova empreitada jornalística. Eles apontam uma contradição: ao mesmo tempo em que o empreendedor subsidia com US$ 250 milhões um novo veículo pautado pela independência, ele também prejudica de maneira perigosa o WikiLeaks ao manter, junto com outras instituições financeiras, o bloqueio que compromete grande parte do orçamento da organização. “Como vocês podem levar alguma coisa a sério quando a pessoa por trás dessa plataforma está diretamente envolvida no boicote contra o WikiLeaks?”, perguntou, em entrevista à imprensa alemã, a jornalista do WikiLeaks Sarah Harrison – a mesma que ajudou Edward Snowden a fugir para a Rússia e obter asilo temporário.

Em resposta às críticas, Pierre Omidyar publicou um editorial no Huffington Post declarando seu engajamento na defesa da liberdade de imprensa. “Quando eu soube da decisão do PayPal, eu imediatamente expressei minhas preocupações à gerência da empresa”, escreveu ele. No mesmo editorial, ele critica a “natureza comercial” da internet, que “representa uma nova ameaça à liberdade de imprensa” pelo fato dessas empresas não terem como prioridade os direitos dos seus clientes. “Em contraste, nossa nova organização de mídia terá a Pirmeira Emenda no seu âmago, e tomará decisões muito diferentes quando sofrer pressão do governo para não publicar ou retaliações”.

Agora, é esperar para ver como Pierre e os jornalistas Greenwald, Poitras e Scahill vão investir o aporte milionário no site, que está sendo chamado de First Look Media. Ainda não há data prevista para o lançamento.

Vai lá:

http://www.omidyar.com/

The Extraordinary Pierre Omidyar

The extraordinary promise of the new Greenwald-Omidyar venture

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Assine nossas newsletters
Fique por dentro

Artigos mais recentes

Deputados federais mais votados da direita gastam o dobro com anúncios que os da esquerda

|

Os dez candidatos mais votados da direita gastaram R$ 5,3 milhões com anúncios na Meta; os da esquerda, R$ 2,6 milhões

Ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista em 2026. Manifestante segura poster contra o ministro do STF Alexandre de Moraes

STF pode ser enfraquecido por interesses políticos se Flávio for eleito, avaliam juristas

|

Para especialistas, Tribunal abusa de decisões monocráticas, mas usar crise como arma política prejudica democracia

Da sua mão para o crime organizado: o que acontece quando seu celular é roubado?

|

Quase cem celulares são subtraídos por hora no Brasil e então eles podem tomam 4 caminhos, inclusive sites de compras

Gestão Tarcísio exonera professoras com regra da ditadura

|

Três docentes contestam exonerações na justiça e uma delas morreu antes de reaver cargo

Processo da Advocacia da União contra bets tem 14 empresas que passaram impunes por CPI

|

Ação pede R$ 1 bilhão por danos coletivos; parte das empresas estava nos documentos da CPI, que “terminou em pizza”

Plataformas mantêm anúncios e recomendações políticas irregulares no dia da votação

|

Monitoramento encontrou golpes que imitavam o TSE e diziam que eleitor poderia votar pela internet

Pela 1ª vez desde redemocratização, Brasil terá 10 militares no Congresso e nos governos

|

Ex-Forças Armadas governarão dois estados e ocuparão oito cadeiras no Congresso, sendo quatro no Senado

Vânia Borges do Amaral e presidente Lula

O tempo das bets e a hora da luta: a perda familiar que não está em jogo no STF

|

Mãe que perdeu filho para bets fala de emoção por MP que proíbe apostas no Brasil na véspera da suspensão de plataformas

Brasília (DF), 04/10/2026 - Pessoas chegam para votação das Eleições 2026 na Unieuro

Escândalo Master pesa na urna para uns e passa batido para outros

|

O 1º turno puniu apenas parte dos políticos ligados a Vorcaro, poupou outros e deixou Flávio Bolsonaro para o 2º turno

Rio de Janeiro (RJ), 04/10/2026 – O candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) vota na Escola Municipal Barão Homem de Mello, em Vila Isabel.

Virada de Flávio no 1º turno: escândalos podem ter favorecido desejo antissistema

|

Para especialistas, campanha nas redes, voto útil e governo Lula sem apelo renovado também colaboraram para resultado

Quando o trabalho impede o voto

|

De longas jornadas a quem decide fazer hora extra, trabalhadores estão entre os milhões que ficam sem votar