Estudante que morou na Casa Pública conta como foi a sua experiência.

Estudante que morou na Casa Pública conta como foi a sua experiência.

31 de agosto de 2016
18:41
Este texto foi publicado há mais de 6 anos.

Na primeira semana de julho fui recebida de braços abertos na Casa Pública. Estudante norte-americana da Universidade de Princeton, no noroeste dos Estados Unidos, vim passar dois meses no Rio como estagiária no centro cultural da Agência Pública.

Durante o tempo que passei no Brasil, quase todo carioca que eu conhecia sempre me fazia a mesma pergunta: você veio ao Rio para a Olimpíada? A pergunta era sempre difícil de responder porque, apesar de ter vindo para cobrir a Olimpíada, eu não vim para curtir os Jogos.

Eu colaborei na elaboração do Projeto 100 da Agência Pública, uma maratona jornalística que conta a história de cem pessoas que foram removidas por conta das obras construídas para o megaevento. Quando cheguei, a Pública já tinha publicado 60 entrevistas e eu fiz parte da equipe de jornalistas que foi à procura das últimas 40 histórias. Lara

Ao longo dessa jornada, transitei pela cidade procurando famílias que foram removidas. Essas famílias me contaram histórias de remoção, mostraram fotos do lugar onde moravam antes e explicaram como foi o processo da demolição de suas casas. Eu fui presenteada com várias xícaras de cafezinho, doces e fortes, preparadas de um jeito bem brasileiro.

Durante o processe de edição dos vídeos e áudios das entrevistas, procurei manter a essência da carga sentimental de cada narrativa. A cada vídeo que eu compilava, procurava montar uma história coerente me guiando apenas pela voz do entrevistado.

Enquanto trabalhava nesse projeto, fiquei morando na Casa Pública com os jornalistas estrangeiros participantes das Residências Publicas, programa da Agência Pública que garantiu bolsas para 6 jornalistas escreverem matérias sobre direitos humanos e a Olimpíada. Assisti os meus colegas desenvolverem reportagens de qualidade e assim pude aprender com eles. A experiência permitiu que eu vivenciasse na pele como é produzir jornalismo independente.

Senti que a minha experiência foi diferente da maioria dos estrangeiros e turistas que vieram ao Rio curtir a Olimpíada.

Enquanto muitos vinham conhecer o Parque Olímpico, eu conheci a Vila Autódromo. Muitos foram ao Maracanã para assistir partidas de futebol, mas eu fui para os condomínios da Minha Casa Minha Vida que ficam do outro lado da pista. Usei o transporte público para ir até as comunidades e não para ir até os estádios.

Para mim, o mais importante foi poder ajudar a elaborar um site interativo. Este modelo de reportagem permite que o usuário entre virtualmente dentro das mesmas casas que tive o prazer de conhecer pessoalmente. Consegui não só entender a complexidade por trás da forma como o Rio de Janeiro e os Jogos Olímpicos são administrados, mas também estudar uma forma de tornar esta complexa realidade em um história acessível para todos.

Precisamos te contar uma coisa: Investigar uma reportagem como essa dá muito trabalho e custa caro. Temos que contratar repórteres, editores, fotógrafos, ilustradores, profissionais de redes sociais, advogados… e muitas vezes nossa equipe passa meses mergulhada em uma mesma história para documentar crimes ou abusos de poder e te informar sobre eles. 

Agora, pense bem: quanto vale saber as coisas que a Pública revela? Alguma reportagem nossa já te revoltou? É fundamental que a gente continue denunciando o que está errado em nosso país? 

Assim como você, milhares de leitores da Pública acreditam no valor do nosso trabalho e, por isso, doam mensalmente para fortalecer nossas investigações.

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