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O futuro das novas gerações está em jogo nas eleições de 2026

Jovens tristes e adultos distraídos enfrentam marco decisivo para a vida e o direito de compartilhar o mundo

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17 de julho de 2026
12:00

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Os que olham para a concentração de carbono e metano na atmosfera e seus efeitos sobre a vida dos que habitam o planeta têm uma data gravada na cabeça: 2030, o marco para segurar o aumento da temperatura média na Terra abaixo de 2 graus – se possível, em no máximo 1,5 grau. Acima desse limite, estabelecido pelos cientistas, o aquecimento se torna irreversível com uma série de pontos de não retorno – do degelo das calotas polares ao colapso da floresta amazônica -, colocando em risco a habitabilidade do planeta, como explicou a colega Isabel Seta, no episódio mais recente do Bom Dia, Fim do Mundo.

Essa ameaça existencial para a humanidade uniu 195 países, há pouco mais de 15 anos, no celebrado Acordo de Paris, em que todos se comprometeram a reduzir as emissões de gases de efeito estufa provenientes sobretudo da queima de combustíveis fósseis nos países desenvolvidos, mas também do desmatamento – principal fonte das emissões do Brasil – e de atividades industriais e agropecuárias. Uma decisão que depende de cada um dos países membros para se concretizar, já que as contribuições são voluntárias. E até agora ficou bem abaixo do esperado.

Votado por aclamação, o consenso sofreu uma baixa importante já em 2017, com a retirada dos Estados Unidos, o país que é o maior emissor histórico do mundo, no primeiro mandato de Donald Trump. Eleito em 2024, Trump pôs mais lenha na crise planetária, não apenas a climática, mas também a da democracia, dos direitos humanos e do multilateralismo, fundamentais para a paz. Em vez de negociações e acordos, guerra, genocídio e destruição no Oriente Médio; em vez de fóruns internacionais, uma agressiva política unilateral – da invasão da Venezuela à tentativa de interferência na justiça e política internas de outros países, caso do Brasil, como vimos mais uma vez esta semana com o novo tarifaço.

Aderir a Trump, como fazem os Bolsonaro, é renunciar à soberania, aos interesses nacionais e à democracia, como mostra o paralelismo entre os eventos de 6 de janeiro de 2021 nos Estados Unidos e 8 de janeiro de 2023 no Brasil. Também significa impulsionar o uso dos combustíveis fósseis, liberar a destruição ambiental, aprofundar as desigualdades – em um mundo que precisa reduzir o consumo enquanto a riqueza se concentra e a pobreza se aprofunda – abandonar regulamentações financeiras, as compensações sociais, a igualdade entre gêneros.

É no reflexo desse espelho enfumaçado que os Bolsonaro vêem o Brasil, com a perspectiva de trazer de volta a boiada e o pico do desmatamento, a misoginia e o racismo, minando a força da sociedade civil, a ação coletiva e o respeito pelos direitos humanos, trocando fatos por versões, cindindo a sociedade e invadindo corações e mentes através das Big Techs, que na visão dos Bolsonaro – e de Trump – devem gozar de total liberdade para nos aprisionar. Felizmente não é essa a visão do governo Lula, como vimos na construção do ECA Digital e nas tentativas de regular as redes e submetê-las à lei. Mas sabemos que isso é pouco, sem um pacto social forte, capaz de proteger nossos filhos e netos.

Nesse verão escaldante e de incêndios florestais no hemisfério norte em que o prenúncio do El Niño já se faz sentir por aqui, com risco de tempestades no Rio Grande do Sul, também vemos adolescentes e jovens cada vez mais tristes, imersos nas telas e deprimidos por relações e estereótipos doentios nas redes sociais enquanto o mundo real se torna cada vez mais difícil, e nós, os adultos, parecemos simplesmente distraídos, imersos no cansaço das longas jornadas de trabalho por necessidade ou ambição, entretidos – também os mais velhos – com conteúdos superficiais em nossos celulares. Quem sabe apostando no tigrinho?

Quando o mandato do presidente, dos governadores, senadores e deputados que serão eleitos neste ano chegar ao fim, estaremos em 2030. Se a gente não acordar para firmar um consenso social que pressione pela democracia, liberdade e igualdade de direitos para enfrentar esse momento decisivo, controlando os excessos do poder público e privado, exigindo políticas de bem estar, proteção ambiental e respeito aos povos e culturas ancestrais, estaremos compactuando com o sacrifício de gerações de jovens, adolescentes e crianças que, no futuro, talvez não tenham mais nem razões para lutar.

Pense nisso, antes de se distrair com o espetáculo de fatos, imagens e fofocas das campanhas eleitorais – logo, logo na tela mais próxima de você.

Aviso: esta coluna estará de férias até o dia 6 de agosto. Obrigada pela leitura.

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