Buscar
Crônica

Seleção tóxica

O hexa era para ser amor, mas virou cilada

Crônica
11 de julho de 2026
04:00
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

Quando me atacaram, ele, tal qual um Alisson, foi incapaz de me defender.

Desculpou-se com belas e sábias palavras, tipo um Danilo — puro gaslighting, e eu acreditei.

Ele nunca chegou junto, parecia um Gabriel Magalhães. Mesmo assim, dei-lhe a condição de capitão — que ele, a la Marquinhos, nem bem exerceu, nem bem abriu mão.

E quando eu já não esperava mais nada, ele, como um Douglas Santos, começou a me surpreender, com um desempenho nota 6 — com tanta coisa pior por aí, seria chatice minha não agarrar, pensei.

Ele mudou — mas, feito um Casemiro, só na aparência, para disfarçar limites que eu, no fundo, sabia serem intransponíveis. Era até divertidinho, mas insosso, feito Paquetá. Eu me deixava iludir com lampejos de brilhantismo, mas, como um Bruno Guimarães, na hora do vamos ver, ele não correspondia.

Talvez eu tenha esperado demais, como de um Raphinha — ao ponto de começar a desejar com todas as forças que ele fosse embora. Ele foi, e eu — burrice suprema! — voltei a acreditar, como se um Rayan caído do nada pudesse mudar tudo. A verdade é que eu sempre soube que ele não passaria de um esforçado, no máximo um Matheus Cunha. Mas me consolava pensando: “Bem, pelo menos não é tão grosso quanto um Igor Thiago.”

Eu devia ter me limitado a curtir aqueles momentos fugazes de fogo de palha, feito um Vinícius Júnior. Devia ter dito no espelho: isso não é coisa séria, é só um Martinelli a mais. Mas insisti: onde eu estava com a cabeça ao pretender que um moleque, feito um Endrick, seria capaz de levar aquela história adiante?

E de confusão em confusão, ele prometia mudar, largar o poker e as bets da vida, e eu acreditava, alimentava a esperança vã de que o tempo pudesse voltar — como jamais se deve esperar de nenhum Neymar.

Agora, só me resta alertar: não caia no conto do Ancelotti. No final, ele dará o ghosting, e você se verá triste e só, à mercê do primeiro Haaland que aparecer.

Edição:

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Se você chegou até aqui é porque realmente valoriza nosso jornalismo. Conheça e apoie o Programa dos Aliados, onde se reúnem os leitores mais fiéis da Pública, fundamentais para a gente continuar existindo e fazendo o jornalismo valente que você conhece. Se preferir, envie um pix de qualquer valor para contato@apublica.org.

Vale a pena ouvir

EP 230 O que é o Partido Digital Bolsonarista? – com Marcos Nobre

Professor e pesquisador, Marcos Nobre, fala sobre as mudanças estruturais na forma de fazer política no Brasil

0:00

Aviso

Este é um conteúdo exclusivo da Agência Pública e não pode ser republicado.

Quer escrever uma crônica para esta coluna? Mande um email para cronicadesabado@apublica.org e coloque no assunto Crônica para Avaliação e seu nome completo.

Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Investigados por desinformação e tentativa de golpe seguem ativos nas redes em 2026

|

Ao menos dez alvos de inquéritos no STF e TSE em eleições passadas continuam publicando sobre o pleito deste ano

Tingir o chão de sangue: propostas de Renan Santos para segurança vão contra Constituição

|

Candidato do MBL defende prisão, mortes e vingança em discurso emocional contra a violência

Partido da farda: número de candidatos policiais ou militares passa de 1,2 mil

|

Bancada de policiais no Legislativo direciona recursos para a Polícia Militar, enquanto resolução de crimes segue baixa

Quase quatro a cada dez indígenas em terras na Amazônia não têm acesso adequado a água

|

Ao todo, 38% não tem água tratada ou fontes como poços e nascentes, dependendo de rios e lagos, muitos contaminados

Sob Lula, assassinatos de indígenas sobem 22% em 2025 e superam média da era Bolsonaro

|

Após queda em 2023, número de mortos volta a subir e chega a 258; Marco Temporal é parte do problema, diz Cimi

Corrida por Data Centers gera denúncias de violações trabalhistas em São Paulo

|

Trabalhadores relatam assédio, acidentes e adoecimento. Empresas alegam cumprir lei trabalhista e normas de segurança

Fazer falar os ossos: a rotina de quem procura os desaparecidos da ditadura

|

Mostra no Centro MariAntonia (USP), em São Paulo, expõe o trabalho de peritos na identificação dos mortos na ditadura

“Onde tem malária, tem garimpo”: cinta larga aguardam decisão do STF sobre mineração

|

Julgamento nesta quinta-feira, 13, pode abrir caminho para mineração em terras indígenas entre Rondônia e Mato Grosso

Banco do Nordeste e Itaú financiam R$ 44 milhões para soja em área de conflito no Maranhão

|

Investidora paulista consegue autorizações de desmatamento e sinal verde na Justiça em disputa contra extrativistas