Buscar
Agência de jornalismo investigativo
Da Redação

Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro voltam a atacar Agência Pública

Mensagem misógina e difamatória foi postada pelo influenciador e repostada pelo ex-deputado neste fim de semana

Da Redação
31 de agosto de 2026
14:30
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

A Agência Pública de Jornalismo Investigativo, agência de notícias mais premiada do Brasil, está sob novo ataque por parte do influenciador Paulo Figueiredo. Nos últimos 10 dias, ele fez pelo menos quatro postagens na rede social X atacando a reputação da organização e da sua diretora executiva, Natalia Viana, além de ter lhe enviado mensagens irônicas e agressivas. 

As postagens foram realizadas pouco depois da Agência Pública solicitar a ambos as suas versões sobre os fatos apurados  em duas reportagens. Na primeira, a Pública noticiou que Paulo doou US$ 10 mil dólares, o máximo permitido, à deputada republicana Elvira Salazar um mês antes dela propor um projeto de lei para penalizar Alexandre de Moraes; a segunda reportagem, feita em parceria com o ICL Notícias, traz um levantamento sobre o estilo e padrão de vida do influenciador e seu aliado Eduardo Bolsonaro nos EUA. 

Em ambos os casos, Figueiredo chamou a Agência Pública de “agência puta” e fez diversos ataques misóginos à equipe e à diretora executiva. Segundo Paulo, é assim “como jornalista que se prostitui tem que ser tratado(a)”. Eduardo Bolsonaro, irmão do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) e ex-deputado, retuitou uma das postagens no X, ampliando seu alcance.  

Estes não são os primeiros ataques misóginos da dupla às jornalistas da Agência Pública, uma organização sem fins lucrativos que é referência internacional em jornalismo investigativo contando no seu portfólio com mais de 90 prêmios, como o prêmio Gabo da Fundação Gabriel García Márquez, o Prêmio de Excelência Jornalística da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), o Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos e o Prêmio Maria Moors Cabot da Universidade de Columbia, nos EUA. 

Em abril de 2024, Eduardo e aliados lançaram uma campanha de desinformação contra a Agência e sua repórter. 

Dias antes, a Agência Pública fora o primeiro veículo brasileiro a noticiar a campanha liderada por Eduardo Bolsonaro para pedir retaliações ao Brasil por conta do processo judicial contra Jair Bolsonaro e outros cúmplices por tentativa de Golpe de Estado – muito antes da articulação render sanções reais contra empresas brasileiras e membros do Judiciário, no ano passado. 

Após a publicação, Eduardo Bolsonaro e Figueiredo passaram a acusar a Pública de ser “a mídia de George Soros”. Passaram ainda a expor nossa repórter, citando seu nome, e incitando seu público online. Paulo Figueiredo ofendeu nossa repórter. 

Há mais de quatro anos investigamos e documentamos as articulações e relações internacionais de Eduardo Bolsonaro, por se tratar de tema de absoluto interesse público que afeta a maioria da população. O tipo de jornalismo realizado pela Agência Pública, técnico e aprofundado, colabora com a qualidade do debate público acerca de alguns dos mais relevantes episódios recentes da história brasileira. 

Estes ataques, entretanto, não são isolados a um veículo. Eles se inserem em um contexto maior de violência e misoginia do grupo bolsonarista voltado às mulheres jornalistas. 

De acordo com relatório da Abraji, no ano de 2024, 31% dos registros de ataques contra jornalistas foram motivados por gênero, um salto em relação ao ano anterior. Durante o governo Bolsonaro, Jair e seus filhos realizavam em média um ataque a jornalista por dia, segundo a mesma organização. A organização internacional Repórteres Sem Fronteiras chegou a declarar que os ataques à imprensa eram um método do governo de Jair Bolsonaro.

Os ataques recentes são ainda mais graves porque suscitam violência contra profissionais mulheres em um momento de aumento de casos de feminicídio que tem sido, inclusive, pauta durante esta campanha eleitoral. 

Com as postagens de Paulo e o retuite de Eduardo, nossa diretora e a própria Agência têm recebido diversas mensagens agressivas e ameaçadoras, que estão sendo devidamente documentadas para ação posterior. 

Repudiamos essas tentativas de intimidação e ataque à nossa reputação e nossa equipe, formada majoritariamente por mulheres. Eles são ainda mais chocantes quando vindos de figuras centrais a uma campanha para a presidência da República que promete agir contra a violência de gênero. 

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Se você chegou até aqui é porque realmente valoriza nosso jornalismo. Conheça e apoie o Programa dos Aliados, onde se reúnem os leitores mais fiéis da Pública, fundamentais para a gente continuar existindo e fazendo o jornalismo valente que você conhece. Se preferir, envie um pix de qualquer valor para contato@apublica.org.

Vale a pena ouvir

EP 233 A fábrica de radicais do Discord – com João Victor Ferreira

Cientista político explica como os discursos extremos rompem as fronteiras virtuais e incentivam uma sociedade violenta

0:00

Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Na urna com o ex: Rivais históricos se unem por espaço e poder nas eleições 2026

|

Antigos adversários superam críticas, ideologias e até acusações de crimes para disputar voto do eleitor em outubro

Espionado por Mendonça em 2020, professor vê “natureza golpista” em atuação de ministro

|

Luiz Eduardo Soares conta como foi monitorado por ordem do atual ministro do STF e critica instrumentalização da Corte

Deputado federal Mário Frias durante sessão na Câmara dos Deputados

Como Mário Frias chegou ao centro da máquina de propaganda da família Bolsonaro

|

Ex-ator foi colocado na política por Jair para juntar cultura e armas em estratégia olavista de guerra ideológica

Foto mostra modelo atual de urna eletrônica usada nas eleições brasileiras

Ministério Público Eleitoral impugna 15 candidatos em SP ligados a crimes, dois ao PCC

|

Órgão contesta 557 registros e utiliza nova regra do TSE para afastar crime organizado da política

Flávio Bolsonaro (PL) participou no sábado 29 de agosto de um ato de campanha à Presidência em Angra dos Reis (RJ) ao lado do candidato a deputado federal, o empresário Renato Araújo, também do PL

O amigo do Flávio Bolsonaro em Angra dos Reis

|

Quem é Renato Araújo, candidato a deputado que cresce no círculo dos Bolsonaro assim como os problemas ao seu redor

Congresso travou regulação de câmeras corporais enquanto letalidade policial batia recorde

|

Câmeras corporais de policiais se tornaram campo de disputa política que vai muito além da responsabilização por abusos

Prevenção a violências contra crianças passa batida em propostas de presidenciáveis

|

Maior parte dos programas ignora prevenção a mortes ou violência sexual de crianças e sequer menciona primeira infância