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(Quase) tudo o que você precisa saber sobre o Copom e a Taxa Selic

O que significam estas siglas, por que elas são importantes e como afetam nosso dia a dia

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11 de agosto de 2026
12:00
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Na quarta-feira passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reuniu para definir a taxa Selic e aprovou sua quarta redução consecutiva. Com menos 0,25 pontos percentuais, o novo valor é de 14% ao ano. 

Você provavelmente já viu essa notícia em algum lugar, mas sabe o que ela significa? 

O Copom é um órgão do Banco Central do Brasil (ou Bacen), composto de um presidente e oito membros, diretores de diferentes áreas do Banco. Os membros, assim como o presidente, são nomeados pelo Presidente da República e possuem mandatos de quatro anos, descasados entre si e do calendário de eleições presidenciais, para evitar interferências diretas do poder Executivo no andamento do Comitê. Atualmente, quem preside o Copom é o economista Gabriel Galípolo, com seis cadeiras do conselho ocupadas. 

Dentre elas, apenas uma mulher: Izabela Moreira Corrêa, e um homem negro: Ailton de Aquino Santos, a primeira pessoa negra a integrar a diretoria do Banco. 

A cada 45 dias, o Comitê se reúne para decidir a meta da taxa Selic para o próximo período. Ela é a taxa de juros referenciada pelo Banco Central, principalmente em suas operações de empréstimos para os bancos comerciais. Esses empréstimos são fundamentais para que os bancos que conhecemos no dia a dia, como o Itaú ou o Bradesco, consigam resolver buracos no seu saldo diário, que às vezes ocorrem pela diferença na quantidade de dinheiro que entra e sai do banco no mesmo dia. 

Selic significa Sistema Especial de Liquidação e Custódia, e o nome tem bastante a ver com o mecanismo que o Bacen utiliza. A taxa não é definida por um decreto, mas pela compra e venda dos títulos do governo. Funciona assim: quando o Copom decide baixar os juros, o Banco Central compra os títulos do mercado, o que reduz o número de títulos, e aumenta a quantidade de reais em circulação. Esses reais, a moeda, são o que os economistas chamam do ativo mais líquido, que recebe esse nome porque pode ser convertido em essencialmente qualquer coisa a qualquer momento. É como um líquido mesmo, que flui com facilidade de um lugar para outro. Diferente de um carro, por exemplo, que é um bem que precisa de algum tempo e algum custo para se transformar em outra coisa. 

Então, quando o Bacen troca títulos por moeda, dizemos que ele injeta “liquidez” na economia. Acontece que a taxa de juros funciona basicamente como um “preço” do dinheiro: é a recompensa que se paga por seu empréstimo. Por isso, mais dinheiro na economia induz a uma taxa de juros mais baixa. 

É a lei da oferta e demanda, pensando no dinheiro como um bem cujo preço depende de sua abundância ou escassez.

Quando o Copom aumenta a Selic, ocorre o inverso, e o Bacen vende os títulos, tirando dinheiro de circulação e aumentando seu preço. Assim, a taxa Selic efetiva sobe novamente.

A Selic é tão importante porque ela define os juros do empréstimo mais seguro que existe, aquele feito ao próprio governo. Quanto maior o risco de uma operação financeira, maiores os juros. Como a Selic precifica a operação financeira mais segura, ela serve como base para o nível dos juros aplicados nas demais operações, que serão sempre maiores, pois são invariavelmente mais arriscados. 

Mas, que diferença isso faz para alguém que não está lidando com grandes operações financeiras? Toda, porque os efeitos da taxa básica de juros reverberam por toda a economia.

Em primeiro lugar, porque quanto maior a taxa básica, maiores serão as outras taxas de juros: os juros pagos no cartão de crédito, no cheque especial, nos empréstimos e consignados e nos financiamentos, por exemplo. 

Com uma taxa básica de juros alta, todo tipo de empréstimo fica mais caro. Fica mais caro comprar nas Casas Bahia. Fica mais caro pagar a hipoteca da casa. Fica mais caro para o comerciante comprar um estoque de mercadorias através de um empréstimo. 

Em segundo, porque os juros vão influenciar o nível de atividade econômica como um todo. 

Juros mais altos desestimulam o consumo das pessoas, mas também o investimento das empresas. Você não vai trocar de carro ou financiar um imóvel porque o valor final está alto demais. Um investidor também não vai comprar uma nova planta industrial nessas condições. 

E mais: para quem tem grandes quantidades de dinheiro para aplicar, os investimentos financeiros – como a poupança ou os títulos do governo – se tornam mais atrativos do que o investimento produtivo. Com um retorno tão alto garantido, ninguém vai querer se arriscar começando um novo negócio; vale mais a pena deixar o dinheiro rendendo.

É daí que vem a relação entre a taxa de juros, o controle da inflação, e o crescimento da economia. Em momentos de economia mais aquecida, que pressionam para cima a inflação, um aumento de juros pode desestimular novos investimentos e esfriar as coisas. É como puxar um freio. Da mesma maneira, uma queda nos juros tem o efeito contrário, acelerando a economia novamente. 

É por isso que empresários do varejo, por exemplo a Luiza Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luíza, vivem reclamando das altas taxas de juros. 

Juros maiores podem, em alguns casos, controlar a inflação. Especificamente, se ela vem de um superaquecimento da economia, o que os economistas chamam de inflação de demanda. Se há muitas pessoas querendo comprar um carro, por exemplo, o preço desse carro sobe, inflaciona. Mas, com juros maiores, menos pessoas estão dispostas a financiar o veículo, e seu preço, por isso, para de subir. 

Mas, no caminho, a alta dos juros também desestimula o investimento, o que rebate no aumento do desemprego, por exemplo. Deixamo crédito mais caro, o que eleva o endividamento das famílias e do governo. 

Hoje, a Selic é a maior taxa de juros reais do mundo. Ou seja, descontada a inflação, é a que mais remunera o dinheiro parado – nesse caso, o dinheiro aplicado em investimentos financeiros e não produtivos. 

Os motivos para uma taxa tão alta são complexos e debatíveis, e merecem uma coluna por si só. Mas adianto que é bom pensar no jogo de interesses por trás desse debate: quem tem muito dinheiro para investir, sempre vai preferir uma taxa de juros maior, porque expande ainda mais seu poder de enriquecimento. Para quem não tem, e recorre com frequência ao crédito, o jogo é outro. 

Considero a decisão pela redução acertada, mas seguimos em um patamar bastante elevado, com todas as consequências que já conhecemos, do sonho da casa própria aos juros do cheque especial. 

A autora agradece ao economista Cyro Faccin pelas contribuições e revisões. 

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