Buscar
Agência de jornalismo investigativo
Reportagem

EUA comemoraram aposentadoria de presidente do STF

Telegrama de 5 de maio de 2004 analisa a saída de Maurício Corrêa, então presidente do STF que ocorreria dali a 4 dias.

Reportagem
8 de abril de 2011
13:18
Este artigo tem mais de 15 anos

Nos adicione como fonte preferencial no Google.

Maurício Correa foi ministro da Justiça de Itamar Franco e nomeado por este ministro do STF para ocupar a vaga deixada por Paulo Brossard em 1994. Escolhido como presidente da corte em 2003, Correa mostrou-se um grande oposicionista ao governo de Lula. O telegrama cita uma entrevista do magistrado à Veja em setembro de 2003 onde ele chamou Lula de desonesto e considerou a autoridade concedida a José Dirceu na Casa Civil como “stalinista”.

As reformas do judiciário e da previdência eram os alvos favoritos de Correa à época de sua saída de suprema corte. “O judiciário esclerosado do Brasil está em terrível necessidade de reforma, mas o provocável juiz Maurício Correa lutou com unhas e dentes contra qualquer tipo de mudança enquanto acusa apoiadores da reforma de infringir na independência do judiciário”, relata o telegrama. Segundo o texto ainda, Maurício Correa ameaçou declarar a reforma da previdência como inconstitucional caso as aposentadorias dos magistrados fossem reduzidas.

Maurício Correa foi membro da Assembléia Constituinte de 1988 e candidato ao governo do DF em 1990, quando perdeu para Joaquim Roriz. Os americanos consideraram a possibilidade dele candidatar-se de novo governador do Distrito Federal ou senador. “Seu empenho em tomar posições partidárias em muitas questões políticas ao longo do ano passado pode bem ser seu jeito de reestabelecer seu perfil político em adiantamento a sua campanha em 2006”, relata a embaixadora que considera que Corrêa nunca havia parado sua politicagem.

A saída de Maurício Correa abriu uma vaga no STF a ser indicada por Lula. Seria sua quarta indicação e os americanos já contavam com o nome de Eros Grau. O então professor de direito da USP é descrito como pessoalmente próximo ao presidente e a Nelson Jobim, que na época era ministro do STF e ocuparia o lugar de Maurício Corrêa na presidência da suprema corte.

Elogios a Nelson Jobim – Para os americanos, o sucessor de Corrêa na presidência do STF era mais provável de levar as reformas necessárias ao judiciário para frente. Ministro da Justiça do governo Fernando Henrique, Nelson Jobim foi indicado por FHC para ocupar a cadeira de Francisco Resek na suprema corte. “Ele fez um excelente trabalho administrando as eleições nacionais de outubro de 2002”, elogia a mensagem sobre seu trabalho quando ocupou a presidência do Superior Tribunal Eleitoral.

De acordo com o telegrama, Jobim causou espanto em 2003 quando revelou que cinco artigos da Constituição de 1988 não foram aprovados apropriadamente. “Jobim é um proponente da reforma judiciária e, não surpreendentemente, foi ele quem revelou ano passado que o STF promulga a incrível média de 85 decisões por dia”, conta a mensagem.

Meses depois, já em 2 de agosto de 2004, uma mensagem do sucessor de Hrinak na embaixada de Brasília, John J. Danilovich, analisa a presidência de Jobim no STF. De acordo com o diplomata, o gaúcho imprimiu sua marca na instituição publicando a pauta do mês de agosto já em julho, algo que nenhum presidente do STF já havia feito. “O juiz Nelson Jobim parece ser mais dedicado à transparência e eficiente que seu predecessor insular como presidente do STF, Maurício Correa (…)”, comenta Danilovich.

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Assine nossas newsletters
Fique por dentro

Artigos mais recentes

Meta bloqueia conteúdos políticos pró-Lula e contra Flávio acusando terrorismo e nudez

|

Ministério Público Federal abre investigação contra a empresa e X por violação à liberdade de expressão

Um jumento na filarmônica

|

Contrabaixista na Europa volta ao Recife e reencontra crianças de projeto social que o iniciou na música há 20 anos

Em foto, Eduardo Bolsonaro aparece cercado de apoiadores da extrema direita na festa de gala da Hispanic Heritage

Eduardo Bolsonaro vive noite de celebridade na festa da extrema direita nos EUA

|

Ao som de “La Bamba” e “Macarena”, festa teve clima de vitória de Flávio Bolsonaro e ingressos de R$ 15 mil a R$ 50 mil

A misoginia de diálogos de Vorcaro e CEO que expôs atrizes: “Mulher não pode fazer isso”

|

CEO da Globo demitido hoje fez comentários machistas sobre Deborah Secco e Sabrina Sato, e chamou prefeita de vaca

Líder da oposição no Senado, senador Rogério Marinho (PL-RN) durante entrevista

Chefe da campanha de Flávio Bolsonaro esteve no Senado mas não votou na 6×1

|

Rogério Marinho (PL-RN) fez uma reunião de 3h, se encontrou com aliados e saiu sem falar com a imprensa

Daniel Vorcaro, do Banco Master, e Fred Kachar, do Grupo Globo

A linha direta de Vorcaro dentro do Grupo Globo: “Quer que peça pra corrigir?”

|

Vazamento de mensagens do ex-banqueiro a Fred Kachar expôs interferências editoriais e levou à demissão do executivo

Montagem feita por IA com imagens do presidente Lula e do candidato Flávio Bolsonaro

Meta barra mais conteúdos pró-Lula e progressistas que pró-Flávio, aponta levantamento

|

Levantamento documentou mais de mil casos de restrições e banimentos nas plataformas em outubro

Plenário do Senado Federal durante sessão que votou PEC do fim da Escala 6x1

Fim da escala 6×1 é a maior mudança na jornada do trabalhador brasileiro desde 1988

|

Com 75 votos a favor e um contra nos dois turnos de votação, PEC aprovada garante dois dias de descanso a trabalhadores

Um quarto dos senadores que apoiam a PEC da Flexibilidade tem antepassados escravocratas

|

Levantamento da Agência Pública no Projeto Escravizadores mapeou famílias de mais de cem políticos brasileiros

Tropa do Esquadrão de Polícia Montada que atua no entorno dos estádios de futebol, passam por instrução, na sede de Itapuã em Salvador.

No meio do caminho tinha uma norma – o que explica mortes causadas por policiais da Bahia

|

Instrução normativa de 2019 dificultou investigação de policiais militares; estado é onde as polícias mais matam

Integrantes da Bancada Indígena do Congresso Nacional, Sônia Guajajara (à esquerda) e Célia Xakriabá (à direita)

Bancada indígena diminui no Congresso e lideranças se preparam para desmonte e retrocesso

|

Representantes do movimento indígena citam risco às demarcações, imposição do Marco Temporal e aparelhamento da Funai

Colagem com frames de vídeos de Lula nas redes sociais

Do susto ao mutirão: como a campanha de Lula tenta virar o jogo nas redes e nas ruas

|

Campanha tenta virar o jogo com nova abordagem nas redes, atos pelo Brasil e engajamento de influenciadores e artistas