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Combustíveis: preços e desinformação marcam debates nas redes sociais, aponta pesquisa

30 de março de 2026
12:57
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A guerra no Irã, que chega em sua quinta semana nesta segunda-feira, 30 de março, tem protagonizado uma parte relevante dos debates nas redes sociais. É o que mostra um monitoramento realizado pelo Instituto Democracia em Xeque, na última semana, entre 19 e 25 de março. A alta do preço dos combustíveis foi a maior preocupação identificada nas redes sociais brasileiras considerando a crise do petróleo. Entre as postagens observadas sobre o tema, 63% focavam nos valores nas bombas dos postos de gasolina. 

As publicações espelham a crise no mercado internacional causada pela alta do barril de petróleo diante da guerra no Irã iniciada pelo governo norte-americano de Donald Trump. Na abertura do mercado asiático, neste domingo, 29, o petróleo brent, referência no comércio global, apresentava o maior preço desde julho de 2022, acima de 115 dólares o barril. Mesmo com a paralisação dos ataques às usinas do Irã até 10 de abril, anunciada por Trump, o mercado segue instável. Isso acontece porque o estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção de petróleo do mundo, segue fechado pelo Irã. 

Nos últimos dias da análise, houve uma desaceleração na produção de conteúdo sobre o tema e no engajamento, mas de acordo com o relatório, “ainda mantendo níveis relevantes de circulação”. “O tema permanece latente especialmente por estar extremamente relacionado com o custo de vida no Brasil, tema sensível nas redes”, afirma Luana Homma, pesquisadora do Instituto Democracia em Xeque e doutora em Ciências Humanas e Sociais pela UFABC.

Outro efeito da crise dos combustíveis gerada pela guerra é o crescimento da desinformação nas redes sobre o tema. Segundo o monitoramento, postagens com informações falsas foram identificadas, mesmo sem muita expressão, e focadas em distorções de declarações e de informações. 

“Há uma estratégia recorrente de descontextualização de falas políticas para gerar indignação e reforçar narrativas negativas sobre o governo, especialmente em temas sensíveis como o custo de vida”, explica a diretora de Projetos do Instituto Democracia em Xeque e professora de gestão pública da FipeEES, Ana Julia Bernardi.

Uma postagem com pelo menos 6,5 mil curtidas foi publicada por um perfil com mais de 85 mil seguidores e afirmava que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria declarado que o brasileiro precisa “tirar a bunda da cadeira” e andar a pé, e que o brasileiro estaria “mal-acostumado” por querer ir de carro até a padaria. A fala do presidente, conforme desmentido por agências de checagem, foi tirada do contexto. Ela ocorreu durante a inauguração do setor de trauma do Hospital Federal do Andaraí, na cidade do Rio de Janeiro, e se referiu a questões de saúde, tais como a prevenção da obesidade e a importância da prática de atividades físicas. 

Outra informação falsa que circulou nas redes sociais discorria sobre navios com diesel destinados ao Brasil que teriam sido desviados para abastecer outros países em função dos altos preços do combustível no mercado internacional, segundo uma declaração da  presidente da Petrobras (Magda Chambriard). A conclusão da postagem é que ocorreria um desabastecimento do país em função desses desvios. O relatório do Democracia em Xeque explica, entretanto, que apesar de o redirecionamento dos navios ter sido corretamente citado, ele não é considerado irregular pela Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).

O levantamento do Instituto ainda aponta quais são os principais atores do debate, que neste caso “foi impulsionado por uma combinação de veículos de imprensa, perfis institucionais e influenciadores no Instagram e YouTube”, diz o relatório. O perfil oficial do presidente Lula se destacou e os veículos de imprensa foram Metrópoles, Jovem Pan News, InfoMoney e A Tarde. “A presença de canais no YouTube e perfis menores com alta taxa de engajamento por post indica um ambiente híbrido, em que a cobertura jornalística se combina com leitura opinativa e circulação em nichos”, analisa o relatório.

Greve dos caminhoneiros

O período que concentrou o maior volume de atenção pública sobre o assunto nas redes sociais, segundo o monitoramento, foram os dias 19 e 20 de março. Isso aconteceu porque, além de um aumento nos preços dos combustíveis, era esperada a definição sobre uma possível greve dos caminhoneiros. Como essa possibilidade não se concretizou, o instituto credita a queda nas interações nos dias que se sucederam ao fato. 

“A retirada do risco de greve dos caminhoneiros gerou desaceleração do debate sobre o tema, por uma redução da iminência dos impactos na vida cotidiana da população”, explica Luana Homma. 

O movimento dos caminhoneiros gerou ações do governo federal como uma Medida Provisória (MP) e resoluções da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) com o objetivo de obrigar o pagamento do piso mínimo do valor do frete aos caminhoneiros. As novas regulamentações estabelecem sanções às empresas que não cumprirem a lei do piso mínimo que podem até perder o registro que permite a circulação de carga no país. 

Para tentar segurar a alta do óleo diesel, o governo também zerou a cobrança dos tributos federais PIS e Cofins que incidem no combustível. Agora, tenta negociar com os governos estaduais em busca de subvenção referente ao diesel importado. 

O conflito não parece estar próximo do fim. Nesta semana, o risco é de uma invasão por terra do território iraniano pelos Estados Unidos, que já mantém na região cerca de 10 mil militares a mais do que o contingente padrão. 

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